Repolho crespo – Um novo nicho de mercado

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O repolho, de modo geral, está entre as hortaliças de maior importância econômica mundialmente, principalmente pelo seu alto valor nutritivo. Além disso, possui caráter social, pois é exigente em mão de obra, principalmente durante a colheita, sendo cultivado essencialmente por pequenos agricultores. Trata-se de uma cultura bastante lucrativa e pode ser produzida durante todo o ano

Edilaine Alves de Melo

laine-melo@hotmail.com

Walquíria Alves da Silva

Engenheiras agrônomas

 

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

Existem, atualmente no mundo, centenas de variedades de repolho dos mais diversos tipos. Comercialmente, eles são classificados segundo a forma ou a cor da cabeça em: redondo, chato, pontudo ou coração de boi, crespo ou de milão, e roxo.

As variedades do tipo crespo caracterizam-se pelo encrespamento normal do tecido das folhas, a superfície do limbo é enrugada, enquanto nas outras é lisa. O tipo crespo, de folhas também esverdeadas, é talvez o de melhor sabor.

As principais variedades são Repolho de milão, Repolho híbrido Savoy ace, Couve Lombarda Aubervilliers ½ Pé, Couve Lombarda Virtudes ½ Pé, Couve Lombarda Virtudes Pé Alto e Couve Lombarda SavoyChieftain.

Características próprias

Todos os tipos de repolho crespo possuem folhas crespas e crocantes, que além de ornamentar os pratos apresentam gosto suave e saboroso. No momento do plantio, o produtor deve levar em conta, primeiramente, o ótimo desempenho no campo e a adaptação às variações climáticas.

Dar preferência aos híbridos e considerar se a variedade é tolerante a rachaduras e a doenças. E assim como o repolho tradicional, observar o ciclo médio da cultura, profundidade de semeadura, espaçamento e tratos culturais. Além de tudo, observar a demanda.

Nichos mercadológicos

Atualmente, os principais nichos de mercado do repolho crespo são a culinária gourmet, a gastronomia e o público vegetariano, ou seja, um tipo de público cujas necessidades particulares são pouco exploradas. No entanto, os últimos anos, esse público vem recebendo mais atenção.

Por se tratar de um vegetal extremamente saudável e com características peculiares, a busca pelas hortaliças, de modo geral, tornou-se inevitável. A estratégia é levar o repolho crespo cada vez mais para esse público consumidor, explorando cada perfil, seja pela ornamentação ou pelo sabor.

E o mercado hortícola nos últimos anos vem abrindo as portas para alimentos diferenciados. Muitos agricultores ainda resistem ao plantio do repolho crespo, mas esse cenário está mudando pouco a pouco. A tendência é que em alguns anos os mesmos produtores de repolho comum notem o valor do tipo crespo e adotem a estratégia de cultivá-los também.

O repolho crespo, por ser um produto diferenciado, agrega um valor específico, se comparado aos demais. Essa é a principal vantagem para o produtor que está iniciando seu cultivo.

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

Palavra de quem entende

Alexandre Nassaak Inoue é produtor de repolho crespo, romanesca, couve-flor roxa e berinjela no Sítio Inoue, que fica em São Paulo (SP). Há cinco anos ele produz repolho crespo para atender o mercado do Norte do País, que consome bastante essa hortaliça.

O volume produzido chega a 10 mil pés de repolho crespo a cada 15 dias, sendo que 90% dessa produção segue para Rondônia. Segundo Alexandre Inoue, as sementes do repolho crespo são mais caras, mas o custo do manejo não muda, e o seu valor de venda é cerca de 10% maior em comparação ao repolho convencional.

Atualmente, o custo de produção de Alexandre fica em torno de R$ 5 mil para cada dez mil pés, sendo que o retorno bruto desse investimento é em torno de R$ 30mil.

O produtor alerta para a quantidade a ser plantada, pois é um produto que atende um mercado específico, e se for plantado em excesso, a produção não escoa, pois muita gente ainda não conhece o produto.

O repolho crespo agrega um valor específico - Crédito Ana Maria Diniz
O repolho crespo agrega um valor específico – Crédito Ana Maria Diniz

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de outubro 2016. Adquira a sua para leitura completa.