18.6 C
Uberlândia
quinta-feira, junho 13, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosA irrigação agrícola e sua fundamental importância mesmo em tempos de crise...

A irrigação agrícola e sua fundamental importância mesmo em tempos de crise hídrica

 

Hiran Medeiros Moreira

Engenheiro agrônomo MSc. Irrigação, diretor da Irriger Gerenciamento e Engenharia de Irrigação

A irrigação agrícola e sua fundamental importância mesmo em tempos de crise hídrica - Crédito Luize Hess
A irrigação agrícola e sua fundamental importância mesmo em tempos de crise hídrica – Crédito Luize Hess

Com a maior necessidade de racionalizar e economizar o uso da água perante a crise hídrica vivida por algumas regiões do Brasil é natural que os olhares sejam voltados para aqueles que são os maiores usuários da água no Brasil: a agricultura. Então, pergunta-se, será a irrigação, a vilã de toda esta situação? Seguramente, não.

Alguns números nos ajudam a entender: 18% das áreas de produção são irrigadas, sendo responsáveis por 44% da produção mundial de alimentos. Especificamente no Brasil, segundo estimativa da ANA de 2012, temos cerca de 5,8 milhões de hectares irrigados, correspondendo a 8,3% da área de produção agrícola e superando 40% do valor econômico gerado.

Levantamentos oficiais coordenados pela ANA e SENIR (Secretaria Nacional de Irrigação) indicam que o potencial de irrigação no Brasil é de 29 milhões de hectares, ou seja, utilizamos apenas 21% do potencial que dispomos, e muito temos que expandir nos próximos anos.

Gestão do uso da água

É importante mencionar que o Brasil dispõe de leis adequadas para realizar a gestão do uso da água. Entre estas leis, a principal é a lei 9.433 de 1997 ” conhecida como “Lei das Águas“, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, incluindo instrumentos para definir o acesso à água, como a outorga de direito de uso de recursos hídricos.

O artigo 1º nos traz o entendimento do espírito desta lei, elencando os principais fundamentos da Política Nacional. Ali há a compreensão de que a água é um bem público e recurso natural limitado, dotado de valor econômico, mas que deve priorizar o consumo humano e de animais, em especial em situações de escassez. A água deve ser gerida de forma a proporcionar usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria) e sustentáveis.

Paralelamente, houve forte evolução tecnológica da indústria de irrigação, havendo motores elétricos e bombas que operam com maior rendimento, emissores com maior uniformidade de distribuição e que atuam sob menor pressurização, resultando em significativa economia de água e energia.

Complementando, há sistemas de automação que permitem programar, controlar e otimizar o funcionamento dos sistemas irrigados. Assim, sistemas de irrigação do tipo pivôs centrais e gotejamento alcançam níveis de eficiência de aplicação de 92 a 95%, sucessivamente.

Mesmo que haja excedentes de aplicação irão recarregar o lençol freático, retornando – em todos os casos – ao ciclo hidrológico. O potencial de dano ambiental se dá, principalmente, pela possibilidade deste excedente lixiviar fertilizantes e pesticidas para camadas profundas do solo, contaminando mananciais. Para tanto, a adoção de sistemas de gerenciamento de irrigação podem mitigar este risco.

Em vários polos de irrigação no Brasil, como o altiplano de Brasília, sudoeste de Goiás, noroeste de Minas, triângulo mineiro e sudeste de São Paulo há extensa implantação de barramentos (represas) de pequeno e médio porte por parte dos produtores, para suprir a demanda de projetos de irrigação. Neste contexto, o irrigante passa a ser “produtor“ de água, uma vez que ele reserva a água da chuva, que iria para o oceano, para ser utilizada no período seco. É importante frisar que o uso de barramentos promove pequeno impacto ambiental, permite regularização da vazão de rios, multiplica o potencial de irrigação, aumenta a recarga de aquíferos e preserva o fluxo original de água do manancial.

Essa matéria você encontra na edição de maio da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira a sua!

ARTIGOS RELACIONADOS

Nutrição foliar corrige imediatamente deficiências em eucalipto

  Fernando S. Bacilieri Engenheiroagrônomo, M.Sc. e doutorando em Fitotecnia - Universidade Federal de Uberlândia (UFU) José Geraldo Mageste Engenheiroflorestal, doutor em Ciências Florestais eprofessor da UFVJM à...

Técnicas de MIP e MRI são divulgadas pela Biogene® em publicação especial

   Dentro de um programa de conscientização entre Ministério da Agricultura, associações de produtores e as indústrias provedoras de biotecnologia, a BioGene traz ao mercado...

Última chamada para conhecer a cadeia produtiva de grãos da Argentina

Roteiro da MF Trip - Viagens Técnicas no Agro desvendará cadeia produtiva, com passagem pela ExpoAgro’ 2024 - a principal exposição agropecuária do país vizinho; pacote estará disponível até 16 de fevereiro

Produção de tomate hidropônico em vaso

  João Ricardo Rodrigues da Silva Engenheiro agrônomo - ICIAG-UFU joaoragr@hotmail.com Ernane Miranda Lemes Engenheiro agrônomo, fitopatologista e doutor em Produção Vegetal ernanelemes@yahoo.com.br Diego Tolentino de Lima diegotolentino10@hotmail.com Daniel Lucas Magalhães Machado danielmagalhaes_agro@yahoo.com.br Engenheiro agrônomo...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!