Abacate: hora de escolher as mudas

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Foto: Shutterstock

Givago Coutinho
Doutor em Fruticultura e professor efetivo – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
givago_agro@hotmail.com

Um dos fatores essenciais para o estabelecimento de um pomar produtivo é a muda de qualidade, com capacidade de produção de frutos de qualidade durante longo tempo e que apresente rentabilidade para o produtor.

Assim, a escolha de uma muda de baixa qualidade, mesmo que em curto prazo proporcione redução no custo de implantação do pomar, poderá trazer sérios prejuízos futuros. Neste contexto, é muito importante que a obtenção das mudas que irão compor o pomar seja realizada a partir de viveiristas qualificados e devidamente registrados.

No caso da propagação do abacateiro (Persea americana Mill.), pode ser realizada de duas formas: sexuada por sementes e assexuada por estaquia, mergulhia e enxertia, sendo por sementes e enxertia as formas mais utilizadas do ponto de vista comercial.

A enxertia oferece mudas com vantagens como uniformidade das plantas quanto às características da variedade e precocidade da produção.

Qual escolher?

Na decisão sobre adquirir a muda ou produzi-la na propriedade, esta é uma decisão importante a ser tomada quando definida a implantação do pomar. Neste sentido, são necessários os conhecimentos prévios acerca da propagação do abacateiro e as características essenciais que as mudas de qualidade devem apresentar para a escolha acertada na aquisição.

Como são formadas as mudas

A propagação por sementes é restrita à obtenção de porta-enxertos, pois não tem aplicação na produção da copa, uma vez que plantas propagadas por sementes, conhecidas como pés-francos, não têm as mesmas características das plantas matrizes, uma vez que são obtidas por polinização cruzada.

A propagação por enxertia utilizada na obtenção de plantas para formação de pomares comerciais acontece por gema terminal, garfagem em fenda cheia ou apical e por garfagem lateral. Os porta-enxertos estão prontos para serem enxertados quando atingem em torno de 30 cm de altura e seu caule, da grossura de um lápis, ainda apresentar uma coloração bronzeada.

Os garfos utilizados para a enxertia nada mais são do que ponteiros dos ramos do último crescimento vegetativo, dos quais são aparadas as folhas por cerca de 10 dias antes da enxertia, deixando-se apenas os pecíolos.

Devem ser oriundos de plantas sadias e altamente produtivas, apresentando as características da variedade que se deseja multiplicar. Terminada a operação de enxertia, protege-se o enxerto com um saco plástico, formando uma câmara úmida que impedirá a dessecação dos tecidos, favorecendo o pegamento.

Importância das mudas enxertadas

Num pomar instalado com mudas pés-francos, ou seja, obtidas por sementes, mesmo que todas as sementes tenham sido originadas da mesma planta-matriz, cada indivíduo apresentará características distintas entre si, devido à recombinação genética durante a fecundação das flores.

As diferentes características entre os indivíduos englobam morfologia da planta, produtividade, forma, tamanho, cor e época de maturação dos frutos. Assim, a produção de mudas por sementes não é indicada para a formação de pomares comerciais.

Neste caso, o mais indicado é o processo de propagação por enxertia. No Brasil, o processo de produção de mudas de abacateiro é a garfagem utilizando garfos de ramos, ponteiros semilenhosos ou semi-herbáceos.

Segundo Oliveira et al. (2006), as principais vantagens do uso da enxertia são: evita a dissociação de características genéticas importantes; fixa híbridos ou mutações; reduz o porte da planta; promove precocidade e plantas mais produtivas; multiplica plantas hermafroditas; restaura plantas danificadas; previne plantas contra pragas e doenças de solo com uso de porta-enxerto resistente.

Recomendações

Para obtenção de porta-enxertos, são escolhidas geralmente variedades que produzam frutos com sementes grandes, pois estas têm uma maior quantidade de substâncias de reserva e apresentam germinação mais vigorosa, podendo, assim, antecipar a enxertia.

Na seleção de plantas matrizes fornecedoras de sementes, são escolhidas aquelas que apresentam maior vigor, são mais produtivas e com boa sanidade. Os frutos devem ser colhidos ainda na planta, evitando-se coletar aqueles já caídos no solo.

Seleção de porta-enxertos

A raça mexicana possui elevada resistência ao frio, enquanto a raça antilhana é bem adaptada à região tropical, e a guatemalense é considerada intermediária. A raça antilhana se destaca também pela adaptação aos solos salinos, o que tem possibilitado o seu cultivo, ou utilização como porta-enxerto em áreas com essa característica.

Transplantio

Em geral, a muda é transplantada quando atinge em torno de 40 a 50 centímetros de altura, o que pode ocorrer entre 10 e 18 meses após a semeadura.

As sementes do abacateiro são monoembriônicas, ou seja, apresentam apenas um embrião. Contudo, as sementes apresentam policaulia, que corresponde à presença de múltiplos caulículos originados do colo, e a emergência das plântulas ocorre 33 dias após a semeadura.

Entre três e seis meses após a semeadura, as plantas estarão aptas para serem enxertadas, quando o caule apresentar aproximadamente 0,8 mm de diâmetro no caule.

A enxertia consiste na fixação de ramo, gema ou borbulha de uma planta superior, previamente selecionada, que passa a ser denominada cavaleiro, em outra, denominada porta- enxerto, também denominada cavalo, formando um único indivíduo.

É importante ressaltar que o processo de enxertia é utilizado somente em plantas que apresentam características em comum, devendo pertencer à mesma família, similaridade no porte e folhas persistentes ou cadentes.

Na enxertia, feita por garfagem, Jacomino et al. (2000) indicam parafilme ou filme de PVC como materiais de proteção do enxerto na produção de mudas de abacateiro.

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