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quinta-feira, maio 19, 2022
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Acerola é a fruta tropical brasileira

Acerola – Crédito: Shutterstock

A acerola (Malpighia emarginata DC.) é nativa da América Central e do Norte da América do Sul, produz frutos excepcionalmente ricos em vitamina C e A, é fonte de ferro e cálcio, além de conter outras vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina e niacina).
São poucos os países que cultivam comercialmente a acerola – o Brasil se sobressai nesse contexto, sendo atualmente o maior produtor, exportador e consumidor. A cultura foi introduzida na década de 1950 pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, mas somente no início dos anos 1980 foi explorada comercialmente.
Adaptada às diferentes condições climáticas, hoje em dia os plantios se espalharam por quase todas as regiões do País, sendo a região nordeste a maior produtora, responsável por 64% da produção nacional (Embrapa).
Dados mais recentes mostraram que no ano de 2017 a área colhida de acerola foi de 5.753 hectares, valor referente a 6.646 propriedades rurais com mais de 50 pés plantados. Nesse ano foram produzidas quase 70 mil toneladas de frutas e o valor de produção atingido foi de R$ 91.642.000.
O Estado de Pernambuco é o maior produtor, com 21.351 toneladas produzidas, seguido do Ceará, com 7.578 toneladas, e em terceiro lugar Sergipe, com 5.427 toneladas de frutas produzidas (IBGE, 2017).

Exportação

Parte da produção brasileira é exportada para Europa, Estados Unidos e Japão, na forma de frutos ou polpa congelada e suco integral. Entretanto, o consumo nacional é crescente, trazendo boas expectativas ao mercado interno dessa fruta.
Esse crescimento se deve, basicamente, a seu elevado teor de ácido ascórbico (vitamina C), que chega a ser 100 vezes superior ao da laranja, ou dez vezes ao da goiaba. Nesse contexto, assim como o consumidor americano e europeu, o consumidor brasileiro tem cada vez mais se conscientizado em relação à sua saúde e buscado alimentos que trazem benefícios nutricionais e de baixo valor calórico, justificando assim a alta na demanda por acerola, o que, consequentemente, faz crescer a formação de novos plantios.

Produtividade

A produtividade da aceroleira por hectare é crescente como em qualquer outra frutífera, passando de 6,5 toneladas no segundo ano de cultivo para 40 ou mais toneladas do quinto até o décimo ano.
As variedades de acerola são classificadas em doces ou ácidas. As ácidas são mais ricas em vitamina C e são indicadas para a industrialização, enquanto as variedades de frutos doces são mais indicadas para o consumo “in natura”.
Deste modo, os clones disponíveis para plantio foram selecionados levando-se em consideração o teor vitamínico. Nesta classificação, os frutos que produzem mais que 1.000 mg de ácido ascórbico (vitamina C) por 100 g de suco é que são considerados satisfatórios.
Embora os benefícios nutricionais da fruta sejam amplamente conhecidos do público em geral, sobretudo a sua extraordinária quantidade de vitamina C, a acidez excessiva desestimula o consumo da acerola fresca. As cultivares em que os frutos apresentam elevado índice de acidez costumam ser mais bem aproveitadas na indústria, no processamento de fármacos, polpas e sucos.

Variedades

As variedades mais cultivadas no Sudeste são ‘Olivier’ e ‘Waldy-Cati’, mas existem outras, como ‘Cabocla’, ‘Sertaneja’, ‘Flor-Branca’, ‘Okinawa’ e outras selecionadas pela Embrapa e pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Exemplos de variedades doces: ‘Manoa Sweet’, ‘Tropical’ e ‘Hawaiian Queen’. Exemplos de variedades de acerolas do grupo ácido: ‘J. H. Beaumont’, ‘C. F. Rehnborg’, ‘F. Haley’, ‘Red Jumbo’ e ‘Maunawili’.

Potencial de mercado

A acerola é uma fruta que pode ser utilizada em vários produtos comerciais, por possuir um grande potencial para industrialização. Pode ser consumida sob a forma de sucos, compotas, geleias, utilizada no enriquecimento de sucos e de alimentos dietéticos, na forma de alimentos nutracêuticos, como comprimidos ou cápsulas, empregados como suplemento alimentar, chás, bebidas para esportistas, barras nutritivas e iogurtes.
Além do setor de alimentos, a acerola também tem mostrado potencial de uso na indústria farmacêutica e cosmética.

Valorização

Atualmente, a cotação no atacado da acerola fresca está em torno de R$ 8,50/kg (Ceagesp, 2020), o que garantiria, para um produtor que alcançasse uma produtividade média de 25 ton/ha, um faturamento de R$ 212,5 mil/ha/ano. Lembrando que se o produtor quiser vender sua produção para a indústria, esse preço será menor e deve-se pensar sempre em trabalhar com um maior volume da fruta.

Autoria:
Gustavo Cesar Dias Silveira – Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
gcsagro@gmail.com
Maíra Ferreira de Melo Rossi – Engenheira agrônoma e mestranda em Botânica Aplicada – UFLA – rossimaira@hotmail.com
Pedro Maranha Peche – Engenheiro agrônomo, mestre e pós-doutorando em Fitotecnia – UFLA – pedmpeche@gmail.com

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