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quinta-feira, julho 7, 2022
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Ácido húmico aumenta nodulação e produtividade da soja

 

Leonardo Barros Dobbss

Engenheiro agrônomo, doutor em Produção Vegetal e professor Adjunto da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

ldobbss@gmail.com

 

CréditoShutterstock
CréditoShutterstock

As substâncias húmicas (ácidos húmicos, ácidos fúlvicos e huminas) são o principal componente da matéria orgânica de solos, águas e sedimentos. Sua formação é decorrente da ação direta de todos os processos ecológicos que ocorrem no solo.

Além de influenciarem as propriedades químicas, físicas e biológicas, determinando a produção biológica dos ecossistemas, exercem efeito direto sobre o crescimento e metabolismo das plantas, especialmente sobre o sistema radicular.

As substâncias húmicas não exibem características químicas ou físicas específicas como os compostos orgânicos bem definidos apresentam. São mais resistentes à degradação química e biológica.

Já os ácidos húmicos fazem parte de uma das frações húmicas que constituem a matéria orgânica morta e são obtidos em laboratório por meio de uma técnica conhecida como fracionamento químico. Os ácidos húmicos atuam diretamente sobre as plantas, promovendo alterações benéficas ao crescimento e desenvolvimento vegetal, principalmente por possuir efeito tipo hormonal.

Atuação na estrutura do solo

Os ácidos húmicos indiretamente otimizam a estrutura do solo por fazerem parte do principal componente da matéria orgânica, que são as substâncias húmicas. A matéria orgânica melhora a aeração e a drenagem interna do solo, promovendo sua agregação e estruturação. São formados poros com melhor distribuição de tamanho, facilitando assim a circulação do ar e da água.

Mais benefícios

Com relação a outros benefícios promovidos pelos ácidos húmicos, podemos subdividi-los em dois: os benefícios indiretos e diretos.

ÃœBenefícios indiretos: influência no crescimento das plantas por meio do seu efeito sobre as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo.

ÃœBenefícios diretos: estímulo à síntese de determinadas proteínas; incidência sobre diferentes rotas metabólicas (fotossíntese e respiração celular); aumento da absorção de nutrientes pelos vegetais; aumento da atividade enzimática; incremento à produção de biomassa vegetal e atividade tipo hormonal.

 Interação benéfica entre os ácidos húmicos e as bactérias diazotróficas - Crédito Luize Hess
Interação benéfica entre os ácidos húmicos e as bactérias diazotróficas – Crédito Luize Hess

Mais produtividade

Conforme já mencionado, os ácidos húmicos promovem efeitos diretos e indiretos que estimulam o metabolismo vegetal. Assim, com o incremento tanto no crescimento quanto no desenvolvimento das plantas, é de se esperar um aumento significativo da produção.

Especificamente para a soja, existem vários trabalhos publicados na literatura que mostram a interação benéfica entre os ácidos húmicos da matéria orgânica e as bactérias diazotróficas fixadoras de nitrogênio, fazendo com que haja uma maior nodulação, fixação e, paralelamente, resultando em maior produção.

É difícil relatar sobre estimativas de índices, pois o efeito dos ácidos húmicos é dependente da origem, da planta e da dose utilizada. Então, da mesma maneira que existem trabalhos que mostram efeitos de até 23% na produção de soja, existem outros em que esse efeito não foi significativo.

Manejo

Para se obter efeitos positivos sobre a produção de soja, é importante ressaltar a importância de estudos prévios com relação à fonte de extração (origem dos ácidos húmicos); estrutura química dos ácidos húmicos a serem utilizados e realização de testes preliminares de dose de resposta em plântulas de soja antes da aplicação a nível de campo.

Direto ao ponto

Alguns erros na utilização de materiais húmicos são comumente cometidos e podem ser evitados, tais como: evitar doses indesejáveis do material húmico, pois o efeito biológico deles é a dose dependente; evitar valores de pH fora da faixa ótima para o crescimento e desenvolvimento das culturas antes da aplicação; evitar a utilização de ácidos húmicos de origem desconhecida sem saber a composição química dos mesmos; não utilizar ácidos húmicos insolúveis em água, etc.

Custo

O custo dos ácidos húmicos vai depender do tamanho da área e também da dose de ácidos húmicos que será utilizada. O que se pode dizer é que o rendimento de extração dos ácidos húmicos, de maneira geral, é baixo (dependendo da fonte de matéria orgânica) e que se consegue achar frascos de ácidos húmicos no estado sólido (50 gramas, por exemplo) que variam de R$ 200,00 a 1.200,00, dependendo do quão purificado é o material.

Porém, técnicas novas de extração e obtenção dos ácidos húmicos vêm sendo testadas atualmente a fim de minimizar os custos para o produtor.

Essa matéria completa você encontra na edição de agosto 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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