Ácidos húmicos estimulam raízes secundárias

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Fernanda Moura Fonseca Lucasfernanda-fonseca@hotmail.com

Stephanie Hellen Barbosa Gomesstephaniehellen2011@gmail.com

Engenheiras florestais e mestrandas em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

João Gilberto Meza Ucella FilhoTécnico em agronegócio, engenheiro florestal e mestrando em Ciência e Tecnologia da Madeira – Universidade Federal de Lavras (UFLA)16joaoucella@gmail.com

Lavoura – Crédito Luize Hess

A capacidade do solo de estimular o crescimento das plantas depende da sua matéria orgânica e, especialmente, de sua fração de substâncias húmicas. O humus é uma mistura complexa formada por vários elementos, sintetizados a partir de restos de matéria orgânica decomposta por microrganismos. Seus principais constituintes são o ácido fúlvico, humina e o ácido húmico.

O ácido húmico é um grupo de moléculas que se ligam e ajudam as raízes das plantas a receber água e nutrientes, sendo essenciais para o crescimento vegetal e, consequentemente, para o desenvolvimento de ecossistemas. O ácido húmico corresponde ao princípio bioativo da matéria orgânica do solo e assim, atua promovendo a melhora da sua estrutura devido ao aumento da troca catiônica (CTC), proporcionando também uma melhor disponibilidade hídrica e aproveitamento dos nutrientes.

Ação e reação

Os ácidos húmicos são extremamente importantes como meio de transporte de nutrientes do solo para a planta, pois pode retê-los, evitando que sejam lixiviados. Estudos comprovam que a presença desta substância na composição do solo atua na fisiologia vegetal, por meio de crescimento, desenvolvimento, produção de flores, frutos e, principalmente, no sistema radicular.

Os efeitos mais relatados nos estudos que envolvem a atuação dos ácidos húmicos estão relacionados à produção de raízes. Pesquisas com diferentes culturas vegetais comprovam que a presença deste produto aumenta a massa radicular, pois promove o alongamento e o desenvolvimento de raízes secundárias e de pelos radiculares.

Origem

Os ácidos húmicos podem ser extraídos de diferentes fontes orgânicas e não orgânicas, apresentando, de modo geral, baixo custo de obtenção para quem deseja produzir, além de trazer retorno positivo para o melhor desenvolvimento das diferentes culturas. 

Deste modo, a extração dos ácidos húmicos pode ser feita a partir de resíduos de animais, carvão vegetal, resíduos de alimentos (legumes, frutas e verduras), esterco bovino, cama de frango, lodo de esgoto e compostos orgânicos feitos de húmus de minhoca.

Vale salientar que resíduos orgânicos, quando comparados com os não orgânicos, apresentam substâncias mais bioativas e com melhor qualidade. Além disto, os húmus também são formados naturalmente em solos que apresentam elevada concentração de compostos orgânicos em sua superfície.

Atualmente, fertilizantes condicionadores de solos com extrato de ácido húmico em sua composição estão custando, o quilo, em torno de R$ 60,00 e o litro R$ 35,00, variando de acordo com sua pureza. Entretanto, avanços das técnicas de obtenção destas substâncias estão cada vez mais crescentes, visando, principalmente, a redução do valor do produto final.

Como os ácidos húmicos ajudam a lavoura

A aplicação de soluções húmicas na lavoura possibilita à planta desenvolver um sistema radicular robusto e, devido a isso, a produção de raízes secundárias garante uma maior absorção de nutrientes e água, o que, consequentemente, contribui para o desenvolvimento vegetal e a sua produtividade.

O conhecimento dos efeitos do ácido húmico tem despertado o interesse dos produtores rurais, tanto que, hoje em dia, já existem empresas no Brasil fabricando produtos a partir destes ácidos, que já foram muito trabalhados no final do século passado por países europeus.

No entanto, devido à complexidade de sua composição, são necessários estudos experimentais para serem determinadas recomendações precisas para as diferentes culturas, e apesar de escassos, já foram desenvolvidos estudos com importantes cultivares agrícolas da economia brasileira.

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