Ácidos húmicos: Mudas florestais agradecem aplicação

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Autora

Nilva Terezinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal)
nilvatteixeira@yahoo.com.br
Crédito: Bruna Souto

Na formação de um povoamento florestal, as mudas têm um papel de extrema importância. Mudas vigorosas, com bom enfolhamento e, principalmente, com raízes volumosas e bem formadas são fundamentais, pois, assim, beneficia-se o pegamento das mesmas e, consequentemente, diminui-se a necessidade de reposição.

Essencialidade dos substratos

Mudas de qualidade são mais resistentes e fundamentais para o reflorestamento evoluir com eficiência, e para se obter mudas de qualidade o substrato empregado é essencial. A germinação de sementes, a iniciação radicial e a formação das raízes e da parte aérea estão associadas com a boa capacidade de aeração, drenagem, retenção de água e disponibilidade balanceada de nutrientes nos substratos.

E as substâncias húmicas, que compreendem entre 70 a 80% da matéria orgânica dos solos, têm um papel importante para proporcionar tais condições ao substrato. Mas, o que são substâncias húmicas?

Há três frações nas denominadas substâncias húmicas: humina, ácidos húmicos e ácidos fúlvicos. A humina é insolúvel em meio alcalino ou em meio ácido diluído e possui baixa reatividade. Os ácidos húmicos e fúlvicos são os componentes reativos.

Composição

Os ácidos húmicos são escuros e solúveis em meio alcalino e insolúveis em meio ácido, com composição bastante complexa, e se caracterizam por serem coloides orgânicos de elevado peso molecular; compõem-se de 40 a 60% de carbono; 30 a 40% de oxigênio; 5% de nitrogênio; radicais das mais diversas naturezas, como carboxílicos, fenólicos, hidroxifenólicos, hidroquinônicos, amínicos, amídicos, imídicos, entre outros; cor negra ou parda, alta capacidade de troca catiônica; estrutura estável e grande capacidade de retenção de água.

Já os ácidos fúlvicos apresentam peso molecular relativamente baixo; apresentando entre 40 a 60% de carbono; 40 a 50% de oxigênio;1% de nitrogênio; muitos radicais orgânicos, como: carboxílicos, fenólicos, hidroxifenólicos, hidroquinônicos, amínicos, amídicos, imídicos, porfirínicos, etc.

Quando se introduz no solo produtos contendo substâncias húmicas, haverá aumento nas cargas do solo beneficiando a capacidade de troca iônica, favorecendo assim a retenção de nutrientes no solo e a oferta dos mesmos às plantas. E como tais substâncias contêm carbono, beneficia-se a vida microbiológica, e por terem ação coloidal, beneficiam a estruturação do solo (tanto argiloso como arenoso).

Benefícios

Considera-se que os ácidos húmicos e fúlvicos favorecem a assimilação de nutrientes, e que os ácidos húmicos são importantes na retenção de cátions em concentrações elevadas no solo, o que evita toxicidades.

Atuam como agentes cimentantes nas partículas do solo em agregados ao se combinarem com os minerais e favorecem a liberação de nutrientes às plantas, como NH4+, NO3-, SO42-, resultantes de sua decomposição. Possuem os grupos ligantes carboxilatos e fenolatos, importantes para a estruturação dos solos. São os responsáveis pela maior parte da CTC de origem orgânica em camadas superficiais de solos.

Em adição aos efeitos positivos no solo, as substâncias húmicas agem direto nas plantas, estimulando a taxa fotossintética, o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória, processos metabólicos fundamentais para o desenvolvimento e produção das plantas.

Ainda, promove a formação de auxinas responsáveis pela divisão celular beneficiando, desta maneira, o enraizamento, o desenvolvimento vegetativo, a floração e a frutificação. O efeito das substâncias húmicas sobre o metabolismo das plantas tem como resultado a influência positiva sobre o transporte de íons, facilitando a absorção de nutrientes, respiração e velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, resultando, assim, em maior produção de energia metabólica.

Para as mudas

Acredita-se que os ácidos húmicos absorvidos pela planta, em estágios avançados do seu desenvolvimento, são uma fonte de polifenóis, que funcionam como catalizadores da respiração. O resultado é o aumento da atividade metabólica do vegetal; aceleração dos processos enzimáticos e da divisão celular, crescimento mais rápido da raiz e de matéria seca.

Ainda, considera-se que os efeitos de tais ácidos variam com a adubação empregada, o que torna o estudo da inclusão dos mesmos nos sistemas de produção fundamental.

Conclui-se, assim, que a inclusão de tais substâncias no processo de formação das mudas pode proporcionar mudas mais vigorosas, com raízes maiores e com enfolhamento adequado para o plantio definitivo no campo, diminuindo perdas e reduzindo a necessidade de replantios.

Pode-se recomendar o emprego dos ácidos húmicos e fúlvicos já no preparo do substrato, em doses variáveis, com o formulado escolhido pelo viveirista, ressaltando-se que há produtos líquidos, em pó e granulados. Nessa forma de aplicação pode-se beneficiar a germinação das sementes e o desenvolvimento inicial das raízes.

Recomendações

Se o insumo escolhido for líquido ou sólido solúvel, a fertirrigação pode ser uma escolha. Entretanto, pode-se optar por aplicar após a emissão de folhas, por fertirrigação, por exemplo.

Por ocasião da implantação do povoamento florestal, pode-se indicar a aplicação dos ácidos húmicos e fúlvicos, que são importantes para a estruturação do solo, retenção de água e de nutrientes, o que favorecerá a formação das novas raízes e garantirá o pegamento das mudas, o seu desenvolvimento e favorecerá a formação da floresta.

A recomendação para o plantio é a lanço em área total, na fase de formação, na faixa adubada, junto com os fertilizantes minerais, evitando-se sempre a mistura com adubos muito higroscópicos.