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quinta-feira, abril 18, 2024
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Adjuvantes: como eles agem nas pulverizações agrícolas?

Créditos Shutterstock

Emerson Trogello
Doutor em Fitotecnia e professor – IF Goiano, campus Morrinhos
emerson.trogello@ifgoiano.edu.br
Tulio Rabelo da Silva
tulio.agro@outlook.com
Vitória Emilly Souza Rodrigues
vitória_emilly10@hotmail.com
Graduandos em Agronomia – IF Goiano

Os cultivos agrícolas são impactados diretamente por fatores abióticos (água, luz, temperatura, etc.) e fatores bióticos (plantas daninhas, fungos, insetos, etc.). Buscando minimizar os efeitos dos fatores bióticos sobre os cultivos, lançamos mão dos manejos fitossanitários, visando garantir boas produtividades em uma lavoura. O mercado disponibiliza hoje diversas soluções e produtos que atendem essa demanda.

Para o correto efeito dos herbicidas, inseticidas, fungicidas, nematicidas, etc., é necessário inicialmente que os mesmos atinjam o alvo em concentração suficiente para causar a morte da planta daninha, inseto, fungo, etc.

Um dos grandes problemas das pulverizações, no entanto, é que as perdas podem chegar entre 40 a 60% em cada pulverização, seja por deriva, escorrimento, e até mesmo por evaporação, com perdas estimadas de até 27% em algumas condições.

Foco

É necessário, cada vez mais, focar em fatores que aumentem esta eficiência na aplicação, selecionando moléculas adequadas, equipamentos recomendados, calibrando, verificando as condições de ambiente, etc. Assim, o uso de adjuvantes é cada vez mais requerido, visando este aumento de eficiência.

Esta eficiência da aplicação é medida pela divisão da dose técnica requerida, pela dose empregada, multiplicando o resultado por 100 para termos em porcentagem. Desta forma, quanto mais a dose técnica requerida se aproximar da dose empregada, maior será a eficiência.

Só para termos em mente, algumas aplicações de inseticida apresentam eficiência de 0,000001%. Isto se deve à dificuldade de atingir o alvo, necessitando assim de altas doses, diluídas em alta vazão. A busca pela maior assertividade deve ser constante, pensando em reduzir custos e também os riscos à saúde humana e ambiental.

Créditos Shutterstock

Opções no mercado

Atualmente, o mercado conta com um grande número de soluções, derivados e produtos que podem garantir um altíssimo nível e uma qualidade de aplicação, focado na redução das perdas e no aumento da eficiência dos manejos fitossanitários.

Conceitualmente, classificam-se os adjuvantes como substâncias sem propriedades fitossanitárias, exceto a água, que é adicionada à formulação ou a calda de agrotóxico visando facilitar a aplicação, aumentar a eficácia e/ou diminuir riscos.

Obstáculos

São várias as barreiras que limitam a eficiência das aplicações de defensivos agrícolas. Podemos citar as superfícies foliares e a cutícula, com cerosidade e de difícil rompimento, reduzindo a entrada de princípios líquidos na planta.

Essa cerosidade se apresenta como uma importante barreira contra a deposição, retenção e absorção de gotículas de agroquímicos. Os adjuvantes podem superar esses impeditivos e aumentar a deposição, propagação, absorção, penetração e translocação na planta.

Outra característica que reduz a eficiência das pulverizações é o transporte da molécula a ser utilizada, não atingindo assim o alvo. Esta deriva é afetada diretamente pelas características físico-químicas do produto, pelo tamanho de gota, volume de calda e a velocidade de vento no ato da pulverização.

A utilização de adjuvantes, como os óleos, para obter maior penetração na folha, umectantes, para reduzir a evaporação, e bicos antideriva para a construção de gotas mais adequadas, pode atenuar este efeito e fazer com que a molécula atinja o alvo em maior concentração, potencializando, assim, seu efeito a campo.

Conceito

Verificamos que o espectro de adjuvantes disponíveis é amplo. Podemos, no entanto, dividir os mesmos em adjuvantes utilitários: modificam as características físico-químicas da solução, podendo reduzir espuma, reduzir a pressão de vapor, tamponar o pH, entre outros.

Os adjuvantes potencializadores melhoram a eficácia dos produtos, otimizando o espalhamento de gotas (surfactantes), a absorção dos produtos fitossanitários (emulsificantes e óleos), diminuindo a evaporação (umectantes) e aumentando a interceptação e retenção do produto no alvo (adesivos).

Ambas as divisões, no entanto, culminam em uma maior eficiência do produto, maior concentração, atingindo o alvo, menores perdas por deriva, volatilização e aceleração da absorção, o que impacta em menor custo por hectare pulverizado.

Créditos Shutterstock

Ao promover um ganho de eficiência na aplicação, os adjuvantes podem reduzir a dose de defensivos necessária, o que pode gerar economia de até 50% em relação aos gastos com produtos utilizados na proteção de cultivos, segundo dados da Embrapa.

Um exemplo dos grupos de adjuvantes que denomina surfactantes (espalhantes) tem como característica de reduzir a tensão superficial das gotas pulverizadas, diminuir o ângulo existente entre a gota e o local de sua deposição, fazendo com que aumente a superfície de contato da calda com o alvo biológico, tendo o intuito de melhorar, consequentemente, a cobertura.

Tecnologias

Estamos atuando, hoje, com equipamentos e pulverizações com alta capacidade operacional, trabalhando em baixos volumes de calda e realizando grandes áreas por operação. Desta forma, um “tanque” de produto apresenta elevado custo.

O adjuvante é um dos produtos capazes de diminuir os gastos, pois atua diretamente no desempenho da pulverização. A adição dos adjuvantes reduz perdas e aumenta eficiência, o que é extremamente desejado quando trabalhamos com baixos volumes de caldas.

Na pulverização aérea, os adjuvantes ganham ainda mais importância, uma vez que as pulverizações são, em sua maioria, com baixo volume de calda. Mesmo a pulverização aérea considerada de alto volume apresenta vazão de 40 a 60 litros por hectare; enquanto a de baixo volume apresenta vasão de 10 a 30 litros por hectare; e a ultrabaixo volume com vazão menor que cinco litros por hectare.

Ainda, ressalta-se a operação baixo volume em óleo (BVO®), com vazão que varia de dois a 20 litros por hectare.

Versatilidade

A utilização de óleos na BVO® tende a melhorar a absorção dos defensivos pelo alvo, bem como, quando utilizados em altas concentrações na calda, reduzem o potencial de evaporação das gotas, o que é extremamente importante na aplicação aérea.

Estes óleos podem ser de base vegetal ou mineral, apresentando efeito satisfatório de proteção de gotas para uso em pulverização aeroagrícola. Entretanto, tem-se a preferência por óleos de origem vegetal, pelo seu menor impacto ambiental posterior.

Por vezes, é necessário que se adicione à calda os adjuvantes emulsificantes, os quais elevam a dissociação do óleo à água, uniformizando a mistura, processo denominado de óleo aditivado.

Recomendações

Ainda, é fato que quanto menor a volume de calda, maiores podem ser os problemas de compatibilidade dos produtos a serem adicionados na aplicação. Quando trabalhamos com alta concentração de óleos, podendo chegar de 5,0 a 10% na BVO®, tem-se a necessidade de se atentar às misturas a serem feitas e suas ordens de adição à calda.

De maneira geral, recomenda-se iniciar adicionando o óleo, emulsificante e formulações Concentrados Emulsionáveis (CE), pela facilidade de absorção pelo óleo. Recomenda-se, ainda, que os produtos de formulação pós molháveis (PM) sejam misturados previamente com o solvente água, adicionando os mesmos na última ordem. Agitar a calda constantemente e mensurar o pH também se tornam fundamentais, bem como acompanhar a homogeneidade da mistura ao longo do tempo.

Outra dificuldade é que as misturas de produtos fitossanitários em tanque estão cada vez mais ampliadas. Desta forma, é difícil conceder o melhor tamanho de gota, volume de calda, pH de calda, etc. para cada molécula a ser adicionada ao tanque, podendo assim reduzir a eficiência de determinado produto adicionado à mistura.

Cabe ao produtor avaliar a relação custo-benefício destas aplicações com muitos princípios ativos.

Por fim, um bom adjuvante, utilizado de maneira correta, aumenta a eficiência das aplicações e possibilidade de menores escapes de controle, reduzidos custos de aplicação e menores problemas de deriva e perda do princípio ativo.

De forma geral, é fazer com que o produto atinja o alvo e seja absorvido em concentração suficiente para realizar sua ação de controle.

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