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sábado, agosto 13, 2022
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Adubação foliar com silício no milho

Daniel Baron

Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Fisiologia e Bioquímica de Plantas e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) campus Lagoa do Sino (Buri-SP)

danielbaron@ufscar.br

 

Fotos Shutterstock
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Os vegetais necessitam, para o seu ciclo de vida, de elementos não minerais essenciais, sendo três (C, H e O) provenientes do ar e da água e elementos minerais essenciais, tais como o nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S) e, para uma gama de espécies vegetais, o elemento silício (Si).

Normalmente os elementos minerais, classificados como ‘macronutrientes’, são absorvidos pelas raízes na forma iônica como os metais Ca2+, Mg2+ e K+, fósforo (P) e enxofre (S) como oxi-ânions fosfato (PO43-) e sulfato (SO42-), respectivamente, e nitrogênio (N), como ânion nitrato (NO3-) ou cátion amônio (NH4+).

Já os elementos minerais boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), cloro (Cl), molibdênio (Mo), níquel (Ni) e zinco (Zn) são considerados micronutrientes, pois são requeridos em menores quantidades em relação aos macronutrientes, embora sejam considerados essenciais para o vegetal completar seu ciclo de vida (Epstein; Bloom, 2003; Maathuis, 2009; Hansch; Mendel, 2009).

Quem é ele

O milho (Zea mays L.) é uma espécie vegetal que demanda solos férteis, o que exige cuidados permanentes com o local de cultivo, em especial quanto à calagem e gessagem, conforme resultados da análise do solo realizada por laboratórios credenciados.

O manejo nutricional incorreto da nutrição mineral impedirá que a cultura em questão expresse todo o seu potencial fisiológico de produção, por exemplo, canais iônicos de absorção de água e nutrientes minerais, o que refletirá diretamente em redução do número de frutos cariopse (grãos) por espiga, ou até mesmo definhamento do vegetal já estabelecido a campo (Fageria, 2001; Mehl; Baron; Jadoski, 2013).

 Fotos Shutterstock
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Nutrição foliar com Si

Fisiologicamente, o Si potencializa, nos vegetais, a resistência ao acamamento, melhorias na capacidade fotossintética e regulação da perda de água pelo complexo estomático foliar. Além do mais, apresenta importância comprovada no manejo fitossanitário de fungos e insetos-praga por formar uma barreira de resistência mecânica a estes (Song; Müller; Wang, 2014; He; Yang; Li et Al. 2015; Hobara; Fukunaga-Yoshida; Suzuki Et Al. 2016);

A literatura científica reporta que o elemento mineral Si é absorvido, majoritariamente, via radicular na forma de ácido monossilícico (H4SiO4) por proteínas carreadoras conhecidas como canais iônicos e deposita-se, principalmente, no retículo endoplasmático nas paredes celulares e nos espaço intercelulares como sílica amorfa (SiO2.nH2O). Este elemento mineral também forma complexos com polifenóis e, assim, serve como alternativa à lignina no reforço de paredes celulares.

Já a absorção de Si pelas plantas também ocorre pelas folhas, e essa via alternativa é considerada benéfica em diversas espécies vegetais, incluindo a cultura do milho (Mitani; Yamaji, 2009; Ma; Yamaji, 2015; Imtiaz; Rizwan; Mushtaq,2016).Contudo, seu exato mecanismo de absorção é pouco elucidado.

Essencialidade

O sistema radicular dos vegetais representa o principal órgão responsável pela aquisição de elementos minerais por plantas superiores (Mengel; Kirkby, 2001; Marschner, 2012; Taiz; Zeiger; Moller et al. 2017). Esse padrão morfofisiológico de raízes não é exceção na cultura do milho, contudo, a aplicação de elementos minerais via foliar é uma ferramenta bastante promissora para suplementação mineral da cultura do milho, em especial para o fornecimento dos elementos minerais popularmente conhecidos como ‘micronutrientes’.

Além do mais, de maneira alguma essa alternativa poderá substituir a aplicação dos elementos minerais via radicular, conhecidos agronomicamente como ‘macronutrientes’, por ocasião da semeadura e, muitas vezes, parcelada ao longo do desenvolvimento da cultura.

Assim, encara-se que a fertilização foliar deva ser empregada em eventuais deficiências minerais, aproveitando-se de outros tratos culturais, tais como o manejo fitossanitário para a aplicação de elementos minerais via foliar.

Embora as investigações científicas de dosagens de ‘micronutrientes’, via foliar, ainda sejam incipientes, tal lacuna não impede que muitos produtores utilizem pequenas quantidades de micronutrientes sem, necessariamente, seguirem recomendações técnicas específicas para a cultura do milho, o que pode, em muitos casos, representar perda de produtividade e até mesmo a contaminação do ambiente por metais.

Quando aplicar

De acordo com o Manual Técnico da Embrapa sobre Milho (Cruz; Magalhães; Pereira-Filho et al. 2011), a aplicação de nutrientes, via foliar, compreende os estágios fenológicos de desenvolvimento vegetativo em que as plantas apresentem quatro a sete folhas completamente expandidas, e tal estágio fenológico é descrito como ‘V4’ e ‘V7’, respectivamente.

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