Adubação foliar para florestas se mostra viável

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Renato de Mello Prado

Engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)”Campus Jaboticabal

rmprado@fcav.unesp.br

Adubação foliar para florestas se mostra viável - Crédito Luize Hess
Adubação foliar para florestas se mostra viável – Crédito Luize Hess

O sucesso da diagnose foliar como técnica auxiliar no manejo nutricional das culturas dependerá, fundamentalmente, dos valores corretos da análise química de folhas. Portanto, os erros dos resultados das análises laboratoriais devem ser evitados.

Salienta-se que os erros de um laudo da análise química de folhas têm dois componentes particulares: um por falhas cometidas no laboratório, e outro na coleta das folhas-diagnósticas.

Este último erro é considerado o principal, pois ocorre com mais frequência no campo. Portanto, nota-se que os critérios de amostragem de folhas que indicam a melhor época de coleta e o tipo de folha-diagnóstica tornam-se os fatores determinantes do sucesso da diagnose foliar para o manejo das culturas, visando atingir altas produtividades.

A análise química da planta consiste na determinação dos teores de elementos em tecidos vegetais, principalmente as folhas, visando identificar possíveis deficiências e/ou, toxidez de nutrientes. Desse modo, é possível conhecer o estado nutricional da cultura.

Isso se deve ao fato de a folha apresentar alta atividade metabólica, refletindo, em sua composição, as alterações no conteúdo de nutrientes. Com essas modificações, é possível interpretar os efeitos da adubação já efetuada e ajustar a adubação futura, de acordo com o teor de nutrientes encontrado nos referidos órgãos-padrão amostrados.

Como fazer

A diagnose foliar propriamente dita consiste na avaliação do estado nutricional de uma planta ao tomar a amostra de um tecido vegetal e compará-la com seu padrão pré-estabelecido. Este, por sua vez, consiste em uma planta que apresenta todos os nutrientes em proporções adequadas, capazes de propiciar condições favoráveis a ela expressar seu máximo potencial genético para a produção.

O procedimento que deve ser seguido no campo para coletar a amostra de folhas é semelhante ao descrito no caso da amostragem de solo. Ambas as amostragens devem adotar procedimentos de obtenção de amostras que sejam representativas e capazes de contornar a heterogeneidade que pode ocorrer na gleba.

São aplicações práticas da diagnose foliar:

♦ Avaliar a exigência e a exportação de nutrientes em culturas;

♦ Identificar as deficiências que provocam sintomas semelhantes, dificultando ou impossibilitando a diagnose visual;

♦ Avaliar o estado nutricional, auxiliando no manejo de programas de adubação;

♦ Confirmar a diagnose visual de sintomas de deficiência/toxidez;

♦ Identificar a “fome oculta“;

♦ Verificar se o nutriente aplicado ao solo foi absorvido pela planta;

♦ Caracterizar a concentração dos nutrientes nas plantas ao longo do(s) ano(s);

♦ Predizer a produção da cultura (prognóstico);

♦ Mapear áreas de fertilidade no solo.

Mais produtividade

O ganho em produtividade pode ser alto com a diagnose foliar, dependendo do problema nutricional que está na área do produtor. Sabe-se que o potencial de resposta da planta submetida à adubação depende do nutriente “problema“.

No caso do nitrogênio, fósforo, potássio e boro, o potencial de resposta da planta é elevado,se comparado ao cálcio e magnésio. Portanto, os ganhos de produtividade dos nutrientes de alto potencial de resposta podem variar de 20 a 80%.

Há vários critérios de amostragem de folhas para diversas culturas, publicados em boletins técnicos. Entretanto, muitas dessas informações não foram obtidas sob regime de experimentação; assim, é preciso aumentar o número de trabalhos para fundamentar os critérios de amostragem para cada espécie e, com isso, garantir o sucesso do uso da diagnose foliar com precisão.

Para eucalipto e pinus, existem critérios de amostragem de folhas bem definidos. Em eucalipto, são coletadas 18 folhas por hectare de talhão homogêneo, no verão-outono, sendo elas recém-maduras em ramos primários, no terço superior da planta.

Em pinus,a coleta seria em 18 folhas por hectare de talhão homogêneo, no verão-outono, sendo elas recém-maduras e primárias.

Investimento

O investimento necessário para o monitoramento nutricional dependerá do custo da análise foliar completa (macro e micronutrientes), que varia para cada região ou laboratório; portanto, o custo seria o valor da análise foliar por gleba homogênea da propriedade rural (essa gleba homogênea em relação ao solo, ao cultivar e ao manejo pode ter 0,5 a 50 hectares).

A diagnose foliar apresenta alta viabilidade técnica, especialmente em cultivos de espécies como eucalipto e pinus, que embasam o uso da operação.

Resultados em campo

Os resultados de campo em estabelecimentos agrícolas tecnificados permitem racionalizar o manejo da adubação com ganhos significativos no aumento da produtividade e, em alguns casos, sem incremento no custo da adubação, pois pode-se evitar o uso de nutrientes que a análise foliar indicou que seria suficiente para a planta.

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