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segunda-feira, julho 15, 2024
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Adubação para grandes culturas

Henrique Gualberto Vilela Penhahenriquegualberto@iftm.edu.br

Igor Souza Pereiraigor@iftm.edu.br

Engenheiros agrônomos e professores – Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), campus Uberlândia

Camila de Andrade Carvalho GualbertoEngenheira agrônoma – KP Consultoriacamila_carvalho03@hotmail.com

Milho – Fotos: Shutterstock

A adubação é uma prática indispensável para assegurar boas produtividades e colheitas economicamente viáveis. A análise de solo é uma ferramenta de grande importância para a tomada de decisão no que diz respeito às práticas de adubação e, por isso, deve ser realizada com atenção para que represente corretamente a área total.

Para isto, devem-se considerar todos os preceitos necessários para a confiabilidade dos resultados da análise, desde as tarefas de campo até aquelas realizadas nos laboratórios de análise de solo.

De posse dos resultados da análise do solo, iniciam-se as tomadas de decisão quanto às práticas de adubação. Ressalta-se que todo programa de aplicação de fertilizantes deve ser feito com critério, levando-se em conta a máxima dos 4 C’s:

ð Fonte certa do fertilizante;

ð Na dose certa;

ð No local certo;

ð Na época certa.

Nesse contexto, quanto ao manejo da adubação em grandes culturas, o que se busca é elevar ou mesmo manter os teores de nutrientes no solo em níveis satisfatórios visando incrementar os rendimentos dos cultivos.

Em muitas regiões, tem-se observado uma estagnação da produtividade média, o que pode ser explicado por diversos fatores, dentre eles o fato dos programas de adubação visarem culturas individualmente e não o sistema de produção como um todo.

Diante disto, surgem conceitos como ciclagem e reciclagem de nutrientes, nível crítico, balanço de nutrientes no solo, mineralização e imobilização. Ainda, os três tipos de adubação que o agricultor encontrará devem ser considerados:

Ü Adubação de correção;

Ü Adubação de manutenção e;

Adubação de reposição dos nutrientes.

Classificação

As recomendações e o tipo de adubação devem ser definidos com base em tabelas oficiais de recomendação de adubação, as quais são divididas em faixas e variam de Estado para Estado brasileiro.

Essas tabelas de recomendação apresentam classificação dos teores de nutrientes no solo em classes, sendo elas: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto. Normalmente, considera-se o limite superior da classe média como nível crítico de um determinado nutriente, sendo que abaixo do qual a produtividade certamente será comprometida.

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Resultado de imagem para adubação de correção manutenção e reposição
Fonte: brasil.ipni.nrt

Adubação de correção

As faixas de classificação descritas como “muito baixo”, “baixo” e “médio” são encontradas em grande parte dos solos brasileiros, os quais são pobres em nutrientes. Nesses casos, a recomendação para grandes culturas é uma adubação de correção, especialmente para os nutrientes fósforo (P) e potássio (K).

A adubação de correção visa elevar os teores de P e K até o nível crítico, corrigindo a baixa fertilidade natural dos solos e criando condições ideais para o desenvolvimento das plantas e aumento de produtividade.

Essa adubação pode ser feita de forma imediata, com aplicação a lanço e incorporação, bem como de forma gradativa, sendo aplicada no sulco de plantio (neste caso pode ser dividida em dois ou três cultivos). De modo geral, aplicam-se em solos brasileiros de 120 a 140 kg ha-1 de P2O5 e 45 a 80 kg ha-1 de K2O.

Entretanto, ressalta-se que essa dose deve ser norteada pelos resultados dos laudos de análise de solo. Diante da adubação de correção, espera-se que a planta responda melhor à adubação de manutenção.

Adubação de manutenção

A adubação de manutenção visa suprir as perdas de nutrientes pelo solo e também as quantidades retiradas pelas plantas. Este tipo de adubação deve ser utilizada em solos em que o nível do nutriente esteja na faixa adequada. Neste caso, há preferência pela aplicação dos fertilizantes no sulco de semeadura, bem como deve ser realizada em cada plantio.

Em alguns casos, a adubação de manutenção pode ser realizada via fertirrigação e/ou em cobertura, especialmente para culturas anuais e pastagem. Para adubação de manutenção, recomendam-se a aplicação, para cada tonelada de grão produzida, de 15 kg ha-1 de P2O5 e 10 kg ha-1 de K2O para o trigo, 20 kg ha-1 de P2O5 e 20 kg ha-1 de K2O para a soja e feijão, 15 kg ha-1 de P2O5 e 10 kg ha-1 de K2O para o milho.

Em síntese, para uma correta adubação de manutenção, deve-se considerar a quantidade de nutrientes que será exportada pelo produto colhido (estimada pelo rendimento esperado) e ainda o que se perde no sistema. Neste sentido, consideram-se perdas de 20 a 50% da exportação de P em cultivos convencionais e de 20 a 30% da exportação em plantio direito.

Quanto ao K, os valores de exportação variam de 10 a 20% da exportação. Assim sendo, caso haja uma exportação de 40 kg ha-1 de P2O5 e de 73 kg ha-1 de K2O, as quantidades adicionadas para a manutenção seriam de 52 e 80 kg ha-1 de P2O5 e K2O, respectivamente, considerando-se 30 e 10% de perda de P e K no sistema.

Adubação de reposição

Este tipo de adubação está relacionado apenas à quantidade dos nutrientes retiradas pelo produto colhido (grãos, frutos ou massa seca), ou seja, visa a reposição do que foi exportado pelas culturas. Essa adubação só deve ser indicada quando os teores dos nutrientes em questão estiverem na classe “muito alto”.

Esta aplicação se faz necessária pelo fato de que as culturas ainda respondem às pequenas doses de fertilizantes aplicadas no plantio, mesmo que os níveis do nutriente estejam altos no solo. Vale ressaltar que, para as demais classes, caso seja feita apenas adubação de reposição, poderá ocorrer queda na produtividade da cultura.

Por fim, independentemente do tipo de adubação requerida pelo sistema, o produtor deverá estar atento à correta amostragem de solo, pois a recomendação e o manejo são realizados com base nos laudos de análise de solo. Ademais, a escolha do fertilizante também é de grande importância para o correto manejo da adubação, considerando-se, principalmente, a solubilidade e a concentração de nutrientes nos insumos.

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