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terça-feira, julho 5, 2022
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Adubação verde beneficia viticultura em solos arenosos

Givago Coutinho

Doutor em Fruticultura e professor efetivo do Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)

givago_agro@hotmail.com

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A viticultura constitui uma atividade altamente rentável e que vem ganhando significativa contribuição na fruticultura nacional, inclusive com vistas à exportação.

Com o desenvolvimento de cultivares com baixo requerimento térmico, ou seja, pouco exigentes em horas de frio, os cultivos atravessaram fronteiras e atualmente são praticados nas mais diversas regiões do País. Na região do semiárido brasileiro, por exemplo, a produção de uvas de mesa é intensa e boa parte da produção é destinada ao mercado internacional.

As características edafoclimáticas são preponderantes na definição de locais para implantação do parreiral – na definição do sistema de irrigação e do manejo da água e na proteção das plantas, além de estarem diretamente associadas ao manejo do parreiral e à qualidade da uva. Já a nutrição mineral é um componente-chave do manejo do vinhedo e tem o potencial de influenciar vários aspectos da produção da videira.

De maneira geral, os solos localizados nessas regiões são carentes em fertilidade e necessitam de correção para propiciarem altas produtividades. É o que ocorre, por exemplo, na região do Vale do Submédio São Francisco, região produtora de uva de qualidade, mas onde os solos se apresentam arenosos, com baixa capacidade de retenção de nutrientes e pobres em matéria orgânica, consequentemente, mostrando-se deficientes em N e tornando-se limitantes para a produção agrícola.

Assim, a adição de matéria orgânica ao solo, além de atuar no fornecimento de nutrientes às plantas, melhora as características físicas do solo. Dentre as principais formas de aumentar a quantidade de matéria orgânica no solo está o uso de leguminosas como adubo verde que beneficia a produção de uvas ao aumentar os teores de C e N no solo.

 

Crotalária é uma opção de adubo verde que beneficia a uva - Crédito Claudinei Kappes
Crotalária é uma opção de adubo verde que beneficia a uva – Crédito Claudinei Kappes

Nutrientes fundamentais

ÃŒFósforo (P): no caso de deficiência acentuada ocorre redução no desenvolvimento do sistema radicular, retardamento no crescimento e redução da lignificação dos tecidos.

ÃŒPotássio (K): a falta de potássio retarda a maturação e promove a produção de cachos pequenos, frutos duros, verdes e ácidos.

ÃŒCálcio (Ca): sua deficiência causa a paralisação do crescimento dos ramos e das raízes devido à morte dos tecidos dos ápices meristemáticos, retardando o desenvolvimento da planta.

ÃŒMagnésio (Mg): sua deficiência poderá provocar redução no desenvolvimento da planta e na produtividade.

ÃŒEnxofre (S): a carência de enxofre não é comum nos vinhedos devido ao fato deste elemento estar presente na composição dos fertilizantes químicos e orgânicos que são incorporados ao solo, bem como nos defensivos agrícolas que o contêm em sua composição.

ÃŒBoro (B):pode ocorrer dessecamento parcial ou total dos cachos, necrose interna e externa nas bagas.

ÃŒZinco (Zn):neste caso ocorre produção de cachos menores que o normal. As bagas apresentam tamanhos variáveis, de normal a muito pequenas e, geralmente, permanecem duras e verdes e não amadurecem.

Adubo verde aumenta a matéria orgânica do solo - Crédito Sementes Piraí
Adubo verde aumenta a matéria orgânica do solo – Crédito Sementes Piraí

Adubação verde

Com o emprego de adubos verdes na área de cultivo das videiras ocorre um aumento na quantidade de resíduos orgânicos disponíveis no solo, o que permite o aumento do teor de carbono e na CTC do solo. Possibilita, também, a diminuição da lixiviação e consequente redução da perda de cátions e água.

Neste contexto, a produção de biomassa vegetal nas áreas de cultivo e a sua aplicação como cobertura morta contribui para a diminuição da evaporação e perda de água.

Espécies utilizadas

No cultivo da videira em regiões semiáridas, são citadas as seguintes espécies que apresentaram desenvolvimento satisfatório como adubos verdes:

_Leguminosas: calopogônio (Calopogoniummucunoide), Crotalariajuncea, Crotalariaspectabilis, feijão de porco (Canavalia ensiformes), guandu (Cajanuscajan L.), lab-lab (Dolichoslablab L.), mucuna preta (Mucunaaterrina) e mucuna cinza (Mucunaconchinchinensis);

_Não-leguminosas: gergelim (Sesamumindicum L.), girassol (Chrysantemumperuviamum), mamona (Ricinuscommunis L.), milheto (Penissetumamericanum L.) e sorgo (Sorghumvulgare Pers.).

Manejo

A época chuvosa constitui a ocasião ideal para a semeadura e o desenvolvimento da maioria das espécies de adubos verdes. Nesta época seu desenvolvimento é maior e apresenta a capacidade máxima de acumulação de nutrientes.

Em seguida, o manejo da biomassa é feito por meio de implementos mecânicos (arados e grades) ou químicos (herbicidas) e recomenda-se que seja efetuado no estágio de florescimento, pois nessa fase o potencial de fornecimento de nutrientes é máximo.

 As principais vantagens da utilização de adubos verdes incluem:

–Maior cobertura de solo;

–Diminuição da necessidade de capinas, com consequente redução de gastos nesta etapa devido à menor incidência de plantas invasoras;

–Maior equilíbrio nutricional das plantas, sobretudo em relação ao nitrogênio no caso das leguminosas;

–Aumento da matéria orgânica do solo.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de julho de 2018 da Revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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