Adubo biológico: equilíbrio de microrganismos no solo

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Adubo biológico: equilíbrio de microrganismos no solo. Confira neste artigo os benefícios e as recomendações desse tipo de adubação. Para informações sobre manejo ou custo-benefício, leia.

Por: João Augusto Dourado Loiola
joaoaugustodourado@gmail.com
Andreia Laurindo de Almeida Gomes
andreialaur12@gmail.com
Ana Carolina Muniz de Araújo
anacarolinamuniz@yahoo.com.br
Graduandos em Engenharia agronômica – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Júlio César Ribeiro
Engenheiro agrônomo, doutor em agronomia e consultor
jcragronomo@gmail.com

adubo biológico
Adubo – Crédito: Shutterstock

Os adubos biológicos são compostos que podem ser constituídos de resíduos da agroindústria, agropecuária e da agricultura, como restos de animais, ou resíduos gerados pelos animais, e restos culturais.
Os concentrados de microrganismos podem enriquecer os adubos biológicos. Este, agirão na fermentação dos resíduos, aumentando a atividade biológica no adubo.
Desta forma, a composição dos adubos biológicos é bastante complexa pela quantidade de moléculas e microrganismos presentes no composto.
Para a viabilidade do uso, a composição deste produtos deve ser conhecida, atendendo a legislação brasileira, principalmente no que tange a presença de metais pesados, como cobre, zinco, cádmio, dentre outros. Além disso, a presença de organismos patogênicos, como bactérias coliformes e parasitas intestinais, que acabam inviabilizando o seu uso na agricultura, pelo poder contaminante.

Benefícios do adubo biológico

O enriquecimento do adubo biológico com microrganismos benéficos é responsável por inúmeros benefícios ao sistema solo-planta. Desta forma, a produção de adubos biológicos enriquecidos com bactérias promotoras do crescimento em plantas, dentre outros microrganismos, tem o intuito de enriquecer o solo com matéria orgânica, a flora e a microflora, disponibilizando microrganismos para a interação direta e indireta entre a planta e os microrganismos, proporcionando, desta forma, ganhos de produtividade, além de reduzir custos com insumos.
Por exemplo, as perdas de produtividade em decorrência de fitopatógenos chegam a patamares entre 25 a 100%, dependendo da cultura e da doença em questão, podendo os adubos biológicos atuarem no controle de fitopatógenos.

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Recomendações

Em propriedades nas quais se utiliza a agricultura orgânica, pode-se adotar adubo biológico que contenha em sua composição, em geral, substâncias como os sideróforos, antibióticos e as enzimas produzidas pelas bactérias promotoras do crescimento em plantas que controlam os efeitos dos danos causados pelos fitopatógenos.
O adubo biológico atua aportando material orgânico, nutrientes e microrganismos ao solo. As bactérias benéficas presentes no composto biológico irão atuar no crescimento das plantas por meio de mecanismos biológicos.
Por exemplo, a mineralização da matéria orgânica, que é responsável pela transformação de cerca de 70 – 80% da matéria orgânica em moléculas simples, como ácidos nucleicos, CO2, H2O e K, dentre outros.
A matéria orgânica do solo influencia positivamente nos atributos da fertilidade do solo, como a disponibilização de nutrientes, capacidade de troca catiônica, complexação de metais pesados e elementos considerados tóxicos aos seres vivos, bem como o aumento do poder tampão do solo.
A capacidade de troca catiônica (CTC) tem influência nas propriedades relacionadas à fertilidade do solo, como estrutura, atividade biológica no perfil e nos processos de gênese dos solos.
A aplicação de esterco líquido de suínos pode proporcionar um incremento de matéria orgânica do solo e um aumento linear da CTC. Também podem ser observados incrementos significativos da CTC com aplicação de doses de resíduos urbanos tratados.

Na medida certa

A quantidade de adubo biológico a ser recomendada dependerá da composição química e biológica do adubo, bem como da forma de aplicação, que pode ser via solo, via fertirrigação ou pulverização foliar, interferindo nas doses recomendadas.
Sendo assim, é necessário realizar uma análise do material para determinar as proporções de aplicação para cada caso. Além de depender da composição do material, dependerá também da cultura a ser adubada, bem como do estádio fenológico da cultura, o que proporcionará a redução nos gastos por uma aplicação e incrementos na produção.
A composição microbiológica é dependente do tipo de adubo biológico a ser utilizado. Em geral, são encontradas de 107 a 109 células de microrganismos mL-1, sendo em média encontrados 300 grupos diferentes de microrganismos.
A diversidade de microrganismos varia entre as fontes a serem utilizadas, como por exemplo, adubos oriundos de esterco bovino, composto suíno, vegetal, composto de aviário, da cunicultura, dentre outros. Desta forma, a determinação de microrganismos benéficos e patógenos deve ser feita a fim de viabilizar o uso do adubo.
A concentração e diversidade pode variar de acordo com o manejo adotado no preparo do adubo biológico. Como exemplo, a adição de microrganismos para acelerar a fermentação do adubo, que acaba potencializando a diversidade e a concentração.

Visão macro

Podem ser encontradas nos adubos biológicos concentrações variadas de actinobactérias, que são responsáveis pelo ciclo do carbono, degradação de material orgânico, fixação de nitrogênio e agregação do solo.
Também podem ser encontradas bacteriodetes, que são bactérias que participam do ciclo do carbono, degradação de materiais orgânicos complexos, dentre outros processos. Podem ser encontrados também bactérias chlorobi e choroflexi, que participam do ciclo do enxofre e nitrogênio, respectivamente, e juntas compõem o ciclo do carbono, além das proteobactérias, que agem no ciclo do carbono, fósforo, enxofre e na fixação de nitrogênio.

Manejo de qualidade

Para que o adubo biológico seja considerado de uso viável, é importante estar atento ao controle de qualidade do produto, que tem início na escolha da fonte a ser utilizada e a sua origem, devendo ser de procedência segura, para não haver contaminações.
A análise de qualidade é feita durante todo o processo de produção do adubo biológico, manejo este que irá depender do tipo de produção. Para cada tipo de produção existe uma maneira especifica de manejo e análise de qualidade, com medições de pH, sólidos totais e voláteis, presença de mesoinvertebrados, ovos de helmintos, bem como bactérias patogênicas.

Custo-benefício do adubo biológico

O custo-benefício dos adubos biológicos é calculado de acordo com a disponibilidade de mão de obra e/ou implementos na propriedade agrícola, bem como de insumos para sua produção.
Se o proprietário não optar por produzir o adubo biológico, deve ser levado em conta a capacidade financeira para efetuar sua aquisição de forma a não impactar nos lucros da lavoura. A aplicação de adubos biológicos pode ser feita de forma concomitante com fontes solúveis a fim de atenuar os custos com adução, visto que os custos com adubos minerais correspondem a até 20% do custo de produção.