Agronegócio aposta na chegada do 5G

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Vinicius Lima Cardoso

limavinicius924@gmail.com

Lucas Guilherme Araujo Soares

lucasifpa@gmail.com

Graduandos em Engenharia Agronômica – Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra)

Anderson Santos Caldas

Graduando de Engenharia Agronômica – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

Thiago Feliph Silva Fernandes

Engenheiro agrônomo e doutorando em Produção Vegetação – Unesp

thiagofeliphh@gmail.com

Foto: Shutterstock

A produtividade e o controle de recursos nas lavouras e na criação de animais são temas centrais para o agronegócio, que deve se beneficiar, de maneira significativa, da chegada do 5G no Brasil. A expectativa é que a tecnologia de 5ª geração amplie a conectividade e permita o desenvolvimento de soluções mais sustentáveis.

De acordo com o cronograma definido pela Anatel, as capitais brasileiras e o Distrito Federal terão a implementação do 5G até 29 de setembro de 2022, já com a concessão de prazo adicional para cumprimento das obrigações necessárias à ativação da tecnologia.

A chegada do 5G traz ao agronegócio a possibilidade de ter mais dispositivos conectados em uma mesma rede, que poderão auxiliar na redução de desperdícios no setor. A expectativa é que a tecnologia gere, em 15 anos, mais de US$ 76 bilhões ao agronegócio, além de US$ 1,1 trilhão ao País, como mostra pesquisa realizada pela Omdia em parceria com a Nokia.

A 5ª geração das redes de conexão pretende entregar maior potencialidade em comparação à rede 4G, também funcionando através de ondas de rádio, assim como as redes anteriores.

No entanto, agora têm maior velocidade de transmissão de dados, baixa latência, segurança e reduzido consumo de energia, colaborando, dessa forma, com a preservação dos recursos naturais. A velocidade atual de transmissão será modificada com a tecnologia em no mínimo 10 vezes, com alguns dispositivos conseguindo atingir até 10 Gbps de download.

Com o maior incremento de potência proporcionado pelo 5G, conceitos como internet das coisas, inteligência artificial e Big Data podem ser alçados a novos patamares, auxiliando no emprego de atividades do cotidiano, conectando objetos e equipamentos à rede com maior autonomia.

Evolução da tecnologia

O mundo está passando por mudanças tecnológicas que irão impactar nos diferentes setores da sociedade, desde a medicina, com a possibilidade de cirurgias robóticas e diagnósticos por inteligência artificial, passando pela indústria, com a automação da produção, educação, com uma revolução ainda maior, modificando a forma de aprendizagem, com o incremento de ferramentas que auxiliem essa prática até o agronegócio.

Este é um dos setores mais importantes da balança comercial da maioria dos países subdesenvolvidos, com a produção de bens primários, como o é o caso do Brasil.

Agricultura brasileira é quem ganha

Desde o momento que o homem saiu do estado de caçador-coletor (nômade) e passou a praticar a agricultura, no período neolítico, muitas foram as técnicas desenvolvidas para auxiliar no plantio, manutenção e colheita de alimentos, sendo essa época considerada a origem da revolução agrícola.

Thomas Robert Malthus (1992) observou, através de dados econômicos e demográficos, que o mundo entraria em colapso em determinado período, tendo em vista que a produção de alimentos não seria suficiente para suprir as necessidades da população mundial, e a humanidade possuía crescimento ilimitado.

No entanto, Malthus não contou com o processo de modernização da agricultura, proporcionado pela Primeira Revolução Industrial, principalmente com o uso de tratores e implementos agrícolas, que, entre outros, possibilitou o aumento de produtividade nas terras cultivadas.

Atualmente, muitas são as tecnologias empregadas nos mais diferentes setores do agronegócio, com o uso de técnicas de monitoramento de plantios silviculturais e de oleaginosas para obtenção de fibras e energia para os diferentes tipos de indústria, até principalmente uso de VANs e outras tecnologias em lavouras e pomares.

O Brasil se projeta como um dos principais produtores de alimento para o mundo, o que é ainda mais perceptível com as projeções feitas para o aumento da população até 2050, tendo em vista que possui aspectos favoráveis ao cultivo, como condições edafoclimáticas e boa extensão territorial na maioria das regiões produtoras.

A agricultura brasileira será beneficiada com o incremento de maior conectividade, principalmente no diz respeito ao gerenciamento da propriedade rural, tanto no planejamento como também na tomada de decisões de acordo com a necessidade em campo.

Com isso, será possível obter safras mais homogêneas do que se tem hoje e com maior qualidade.

Mais produtividade com o 5G

A tecnologia empregada no campo vem evoluindo, mas ainda a passos curtos. O 5G, que futuramente será empregado no campo, irá permitir maior conectividade. Pela capacidade de consultar informações, com o Big Data será possível tomar decisões em tempo real, como no combate de pragas e doenças,

Com melhor cobertura, capacidade da rede ampliada e qualidade na conexão, podemos implementar elementos que trarão eficiência para o processo produtivo integrado, desde os insumos até o envio do produto ao destino. Uma dessas possibilidades é o uso de drones para monitoramento climatológico, das operações agrícolas e identificação de pragas e até otimização de processos de irrigação.

Alinhado ao uso de novas tecnologias em IoT e Machine Learning, o 5G torna esses processos possíveis, mais seguros, rápidos e eficientes. É possível utilizar o 5G visando minimizar as altas taxas de perdas de alimentos ou, ainda, para o controle eficiente de uso pesticidas, com o objetivo de minimizar os impactos na saúde da população, baratear os custos de produção e impedir a contaminação do solo e lençóis freáticos.

Não obstante, a utilização de corretivos, condicionantes e adubos será mais eficiente, por meio da chamada agricultura de precisão, com a colocação somente do que realmente a planta necessita para completar seu ciclo de vida e, assim, atingir seu máximo produtivo.

Redução de custos

De acordo com o que foi dito, o 5G irá proporcionar o uso mais eficiente de todos os insumos na cadeia produtiva, além de auxiliar no planejamento, levando em conta os fatores climáticos e de mercado, passando pelo momento do plantio, realizando mais operações com o mesmo equipamento, poupando dessa forma tempo e energia.

Na colheita, o produtor terá máquinas mais autônomas e com sensores que transitam informações em um curto espaço de tempo, e por fim, no processamento, logística e transporte.

Desafios

Apesar de inovador, ainda há muitos desafios que devem ser superados para que a implementação do 5G no campo tenha sucesso em todo o Brasil, sendo um deles as dimensões continentais do País, que pode atrasar a chegada em todas as regiões.

Imaginar as redes de celulares de 5ª geração, não só no Brasil mas em boa parte do globo, ainda é algo distante, tendo em vista que não foi possível alcançar nem a rede anterior (4G) por uma parcela dos dispositivos eletrônicos, dada a questão da falta de infraestrutura, e que certamente irá impactar na aquisição da nova rede.

A rede 5G terá que suportar muitos dispositivos que estarão conectados em uma grande velocidade de fluxo de dados. O campo deve demorar algum tempo a mais para adquirir essa tecnologia, devido às questões de falta de infraestrutura, que vão desde estradas até antenas, etc.

Investimentos necessários

Falar em investimentos em um momento tão incipiente ainda é difícil. Muitos fatores devem ser levados em consideração, como por exemplo, o tamanho da propriedade e o nível produtivo.

O tamanho da propriedade é importante, pois dependendo do tamanho, é possível diluir os custos de aquisição de novas tecnologias ao longo dos anos, e o nível produtivo trata do que a propriedade já possui de tecnologias e quais podem ser adaptadas para receber novas ferramentas.

Dependendo do grau de tecnologia já instalada na propriedade, os retornos podem se dar de forma quase imediata, haja vista que uma propriedade sem qualquer tecnologia que otimize o processo produtivo é bem mais sensível a mudanças de caráter positivo do que aquela com a tecnologia já implantada.

Um estudo recente realizado pela Deloitte e o Ministério da Economia indica que o potencial total em benefícios para o Brasil até 2031 será de R$ 590 bilhões.

DADOS PARA INFOGRÁFICO

– De acordo com o cronograma definido pela Anatel, as capitais brasileiras e o Distrito Federal terão a implementação do 5G até 29 de setembro de 2022

– A expectativa é que a tecnologia gere, em 15 anos, mais de US$ 76 bilhões ao agronegócio

– A chegada do 5G traz ao agronegócio a possibilidade de ter mais dispositivos conectados em uma mesma rede

– A 5ª geração das redes de conexão pretende entregar maior potencialidade em comparação à rede 4G, também funcionando através de ondas de rádio, assim como as redes anteriores.

– A velocidade atual de transmissão será modificada com a tecnologia em no mínimo 10 vezes, com alguns dispositivos conseguindo atingir até 10 Gbps de download.

– O campo deve demorar algum tempo a mais para adquirir essa tecnologia, devido às questões de falta de infraestrutura, que vão desde estradas até antenas, etc.