Alcaparra: O tesouro do Mediterrâneo

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Por ser uma iguaria e utilizada em pratos típicos e “gourmetizados”, cada quilo do produto curtido na salmoura com vinagre é vendido por uma média de R$ 50,00

Adilson Pimentel JúniorEngenheiro agrônomo, doutor em Agronomia e docente – Centro Universitário de Ourinhos (Unifio) Ourinhos-SPadilson_pimentel@outlook.com

Natanael Motta GarciaDiscente em Agronomia – Unifionatanaelmottagarcia@outlook.com

Alcaparras – Créditos: Shutterstock

A alcaparra (Capparis spinosa) é considerada uma iguaria na gastronomia, tanto em saladas como em molhos, a exemplo do molho tártaro. A parte consumida da planta são seus botões de flores imaturos em conserva, oriundos de uma planta arbustiva e lenhosa que pode chegar a até 1,0 metro de altura.

Os botões de menor tamanho são mais saborosos do que os maiores, além de também serem nutritivos. Seu centro de origem é o Oriente Médio e Norte da costa ocidental da África.

Seu cultivo tem expressão econômica fora do brasil, sendo introduzido pelos gregos nas ilhas do Mar Egeu e posteriormente expandido pela área do Mediterrâneo, onde cresce espontaneamente, devido às ótimas condições de solo e clima local.

Popularização

Seu uso se popularizou na antiga Grécia por ser considerada um poderoso calmante, e em Roma para disfarçar o ranço das carnes, hoje é usada na cozinha mediterrânea para estimular o apetite, com frutos considerados afrodisíacos e pescados.

Além de saborosas, são bastante benéficas para a saúde humana, pois possuem ácido cáprico, excelente para o trato digestivo, além de minerais, como o ferro e o fósforo, e vitaminas, como K, A, C e E.

A alcaparra também possui outras aplicações relacionadas ao campo da medicina e cosméticos. Entre suas propriedades medicinais estão os efeitos antirreumáticos, protetores do sistema cardiovascular e antidiabéticos também estão sendo estudados.

Por outro lado, o cultivo de Capparis spinosa também possui alto valor ecológico e ambiental, pois auxilia na fixação de N do solo onde se encontra e evita a erosão, por ter um sistema radicular abundante.

Como implantar?

Seu cultivo é indicado em regiões com clima semiárido, com temperaturas altas entre 29 e 35ºC, sendo resistente a altas temperaturas, próximas dos 40°C, porém, também tem boa resistência a baixas temperaturas, tolerando até cerca de -8°C, indicando ser uma cultura tolerante às diversidades climáticas.

O solo sílico-calcário-argiloso, com pH em torno de 7,0, é o mais indicado para seu desenvolvimento. São formados por partículas de rochas, seco e que esquenta muito quando recebe a luz do sol, comum em regiões desérticas ou mediterrânicas, sendo a alcaparra intolerante aos solos ácidos.

Recomenda-se que não falte água para a planta, porém, o solo deve ter uma excelente drenagem e não deverá ficar úmido por muito tempo, uma vez que muita água e umidade favorecem o surgimento de doenças. A planta já está estabelecida tolera bem longos períodos de seca.

Seu principal meio propagativo é por sementes. Elas são pequenas e levam meses para germinar. Caso já exista uma planta de alcaparra, podem ser utilizadas suas sementes frescas, pois germinam rapidamente, em cerca de duas semanas, porém, a taxa de germinação ainda é baixa. É comum que seu desenvolvimento inicial seja lento.

Em segundo plano, pode ser utilizada a propagação por estacas de caule ou da raiz. O plantio por estaquia proporciona mudas com aspecto mais uniforme, porém, a taxa de enraizamento dos ramos é baixa.

Plantio

As estacas devem ser colhidas na primavera, quando o arbusto estiver perto dos 20 cm de altura. Escolha pedaços de ramos saudáveis, retirando-os da base ou do meio da planta. Retire as folhas e coloque-as em vasos com terra úmida. As raízes devem ser plantadas direto no solo, no outono.

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