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Alerta geral – Novas pragas são um risco para a safra 2015/16

Crédito Baltazar Fiomari
Crédito Baltazar Fiomari

Duas novas pragas agrícolas foram detectadas no Brasil e têm causado grande preocupação aos agricultores, trata-se da mosca-da-haste da soja e Helicoverpapunctigera.Além das pragas, outra causa de grande preocupação aos agricultores é a planta daninha Amaranthuspalmeri, recentemente encontrada na região centro-norte do Mato Grosso.

Felipe Augusto Moretti Ferreira Pinto

Doutorando em Agronomia/Fitopatologia na Universidade Federal de Lavras (UFLA)

felipemoretti113@hotmail.com

César Murilo de Albuquerque Correa

cesar.lilo@hotmail.com

Igor de Carvalho Barros

icbarros88@gmail.com

Doutorandos em Agronomia/Entomologia na UFLA

 

Nos últimos meses, novas pragas agrícolas foram detectadas no Brasil e têm causado grande preocupação aos agricultores. Dois insetos e uma planta daninha que eram exóticas foram encontrados em diferentes regiões do País.

Eles atacam lavouras de soja, milho e algodão. Além disso, foi identificado o agente causador da soja louca II, que passou a ser reconhecida como doença pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A mosca-da-haste da soja (Melanagromyzasp.) foi identificada no Rio Grande do Sul em julho de 2015. Trata-se de uma importante praga na Austrália, onde causa perdas de até 30% à produção de grãos.

Danos causados pelas novas pragas ao interior do caule da soja - Crédito Projeto Soja Brasil
Danos causados pelas novas pragas ao interior do caule da soja – Crédito Projeto Soja Brasil

Sintomas e prejuízos

As plantas atacadas pela mosca-da-haste da soja geralmente apresentam reduções na altura e distância dos entrenós, além de engrossamento na base do caule. Ao abrir o caule dessas plantas, pode-se verificar que o xilema apresenta pequenas galerias.

Os danos das larvas são maiores em decorrência da sua alimentação, que ocorre dentro das hastes, enquanto os danos causados pelos adultos são insignificantes. Embora as infestações possam ocorrer durante todo o desenvolvimento da cultura, em geral as plantas são mais danificadas na fase de plântula. As consequências do ataque do inseto na fase inicial da cultura é a redução do estande e, se a planta sobreviver, sofre redução no seu desenvolvimento e, consequentemente, na produtividade.

Infestação

O período crítico para ataque da mosca-da-haste é nas primeiras quatro semanas após a germinação das plantas, que pode resultar na morte delas e falhas no estande. As maiores infestações já registradas no Rio Grande do Sul, por exemplo, referem-se ao final de dezembro e início de janeiro.

Nesse período se concentram as maiores quantidades de chuva na região, o que pode estar favorecendo o desenvolvimento desse inseto. Dessa forma, temperaturas elevadas e pluviosidade característica do período de verão no Brasil podem favorecer o desenvolvimento deste inseto e, consequentemente, o seu ataque.

Mas, ainda são necessários mais estudos relacionados à ecologia para entender como os fatores abióticos influenciam o padrão de ocorrência e distribuição desta praga.

 

A soja louca II pode destruir uma lavoura inteira em pouco tempo
A soja louca II pode destruir uma lavoura inteira em pouco tempo

Controle ainda sem solução

Ainda há poucas informações sobre a mosca-da-haste e seu controle. Há necessidade de se estudar a biologia deste inseto e identificar os seus inimigos naturais,visando o controle biológico, que pode ser uma ferramenta importante como medida curativa.

É necessário estudar a reação das cultivares à praga, para verificar a possibilidade de explorar a resistência genética. Além disso, é muito importante determinar a capacidade de dano, e consequentemente o nível de dano econômico para a tomada de decisão quanto ao controle do inseto.

Nesse sentido, o controle químico também pode ser uma possibilidade, por meio do tratamento de sementes ou pulverização da parte área, mas ainda não há nenhum produto registrado para o controle deste inseto no Brasil. As pesquisas sobre moléculas que podem ser eficientes estão mais avançadas no Paraguai e Argentina, onde a burocracia é menos rígida em relação ao uso de novos produtos químicos.

Práticas de controle cultural, como rotação de culturas, bom preparo do solo e evitar semeaduras tardias são as medidas preventivas mais recomendadas para o manejo da praga.

Folha de soja devorada por lagartas - Crédito Claudinei Kappes
Folha de soja devorada por lagartas – Crédito Claudinei Kappes

A temida Helicoverpapunctigera

A lagarta Helicoverpapunctigera é uma variação da agressiva Helicoverpaarmigera, que assolou o cenário agrícola brasileiro recentemente. Embora intimamente relacionadas e semelhantes na aparência, as duas espécies diferem em suas distribuições, preferências e abundância de alimentação sazonais.

A lagarta Helicoverpapunctigera teve seu primeiro registro no País no Estado do Ceará, acometendo a produtividade das lavouras de soja, milho e algodão e causando perdas expressivas.

 A praga é um inseto holometábolo, ou seja, de metamorfose completa, e o seu desenvolvimento biológico passa pelas fases de ovo, lagarta, pré-pupa, pupa e adulta. Os ovos das lagartas são inicialmente de coloração branca, porém, após um ou dois dias apresentam uma coloração castanha.

Após a eclosão dos ovos, as larvas medem cerca de 1 a 1,5 mm de comprimento, possuindo uma coloração marrom-escura na cabeça e corpo branco-amarelado. Sua tonalidade sofre variação com o passar do tempo, a cabeça fica preta e o corpo muda de cor, podendo ser verde, amarelo, marrom-escuro ou avermelhado, com uma faixa lateral clara de cada lado e uma listra escura abaixo do centro, na parte de trás.

No seu estádio mais avançado de desenvolvimento as lagartas podem chegar a medir 40 mm de comprimento no último instar. As pupas possuem uma coloração amarelo-alaranjado brilhante, variando para um tom marrom-escuro, com o passar do tempo, medindo de 12 a 22 mm de comprimento.

A Amaranthus palmeri foi recentemente encontrada na região centro-norte do Mato Grosso - Crédito Larry Steckel
A Amaranthus palmeri foi recentemente encontrada na região centro-norte do Mato Grosso – Crédito Larry Steckel

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Grãos, edição de janeiro 2016. Adquira a sua para leitura completa.

 

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