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terça-feira, julho 5, 2022
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Algas marinhas na produção do morangueiro

Nilva Terezinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

 

O morangueiro (Fragaria x ananassa Duchesne) é considerado, entre as pequenas frutas, uma das mais importantes economicamente, devido a sua rentabilidade e da sua alta aceitação no mercado consumidor. Seu cultivo no nosso meio vem em crescente expansão e, visando aumento de produção com qualidade e maior resistência das plantas às pragas e doenças, o emprego de novas tecnologias vem sendo incentivado: entre elas estão os produtos contendo algas marinhas.

Ressalte-se que a espécie em questão é muito suscetível a doenças fúngicas e bacterianas, o que quase sempre faz com que o produtor lance mão de aplicações de fungicidas e bactericidas, o que torna os frutos contaminados com tais agroquímicos.

 

Por dentro do assunto

 

As algas marinhas, que são organismos vegetais, unicelulares ou pluricelulares, são fontes de vitaminas, glicoproteínas, como o alginato, de aminoácidos e de estimulantes naturais como: auxinas (hormônios do crescimento que governam a divisão celular), giberelina (queinduz floração e alongamento celular) e citocininas (hormônio da juventude, do retardamento da senescência).

O alginato tem a capacidade de reter água no solo e de cedê-laàs plantas. Então, formulados contendo algas se aplicados na agricultura podem beneficiara produção vegetal.

Além das substâncias citadas, outros compostos extraídos de macroalgas induzem resistência às pragase doenças, reduzindoa severidade dos sintomas. Muitos dos compostos de macroalgas marinhas que apresentam atividades biológicas pertencem à classe de lectinas, terpenos, compostos fenólicos e polissacarídeos sulfatados que funcionam como elicitores.

As algas induzem resistência às pragas e doenças, reduzindo a severidade dos sintomas - Fotos Shutterstock
As algas induzem resistência às pragas e doenças, reduzindo a severidade dos sintomas – Fotos Shutterstock

Defesa

 

As plantas possuem mecanismos próprios de defesa em resposta ao ataque de patógenos, incluindo metabólitos primários e secundários. A ativação dos mecanismos de defesados vegetaisé uma resposta ao reconhecimento da presença,nos mesmos, dosagentes patogênicos, identificados porcompostos liberados pelo organismo invasor.

Tais compostos, produtos do metabolismo do patógeno, são chamados de elicitores bióticos e desencadeiam modificações no metabolismo celular vegetal (a elicitação), formando assim uma rede de mecanismos de defesa da planta ao ataque do patógeno.

Como exemplo disso, pode-se mencionar o aumento da síntese de compostos denominados de fitoalexinas. Tal rede tenta barrar a penetração do invasore sua multiplicação.

O que são elicitores? Elicitores são moléculas de origem biótica ou abiótica capazes de estimular qualquer resposta de defesa nas plantas. Extratos de algas têm mostrado certa eficiência na ativação da resistência de plantas aos patógenos.

A resistência induzida envolve a ativação do sistema de autodefesa da planta, mecanismos latentes de resistência, que pode ser obtida pelo tratamento com agentes elicitores bióticos, como microrganismos viáveis ou inativados, ou ainda por agentes elicitores abióticos.

Fotos Shutterstock
Fotos Shutterstock

As algas

 

A espécie de alga marrom Ascophyllum nodosum é a mais empregada na agricultura e, também, a mais estudada.Assim, estudos com extratos de talalga evidenciaram estímulosà atividade de enzimas peroxidases (que eliminam superóxidos que atacam as membranas celulares protegendo, assim, a integridade das células) e a síntese de fitoalexinas.

Entretanto, outras espécies de algas têm possibilidade de aumentar a resistência das plantas aos agentes bióticos. Assim, produtos à basedas algas Ecklonia máxima, Cystoseiratamariscifolia, Amphiroa sp.,Poryphyraspe Laurencia obtusa têm se mostrado uma alternativa de controle de doenças fúngicas e bacterianas.

Da alga marrom Laminaria digitata se extrai o polissacarídeo laminarina, capaz de elicitar respostas de defesa das plantas. Então, pode ser uma alternativa o uso, como medida auxiliar, de extratos de algas marinhas para controlar doenças das espécies vegetais.

Assim, o uso de produtos contendo algas marinhas pode, além de nutrir e estimular o desenvolvimento e produção, aumentar a resistência da planta à fitopatógenos, minimizando, ou até descartando, a necessidade de controle químico, o que propicia menor custo de produção e frutos mais saudáveis.

 

No morango

 

Na literatura há poucas referências de emprego de produto comercial à base de algas marinhas em morangueiro, na produção e qualidade dos frutos e resistência a pragas e doenças.

Coloca-se que a inclusão doformulado promove aumento do tamanho de frutos, que se mostram mais uniformes, comcoloração mais intensa, mais resistentes ao transporte e commaior durabilidadepós-colheita (portanto, com maior tempo de prateleira).Resultados de pesquisa dão conta de 27a32% de aumentona produtividade final de morangueiros tratados com formulados à base de algas.

 Resultados experimentais indicam, ainda,que hápotencial da utilização do extrato de alga A. nodosum como ferramenta para o controle da podridão mole na fase de pós-colheita de frutos do morangueiro.

No cultivo do morangueiro, a aplicação de produtos comerciais à base de extrato de algas é recomendada na fase do transplante de mudas, na pré-floração e na formação dos primeiros frutos da planta.

A dose recomendada depende do produto: há citações de uso2,0 a 2,5 L ha-1 em cada aplicação,e de 100 mL.100 L-1. Outras referências dão conta de que se pode indicar o uso entre pegamento e enchimento dos frutos, na dose 2,0 a 3,0 L ha-1, em intervalos de 10 dias, iniciando-se na diferenciação dos frutos.

 

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