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quinta-feira, junho 30, 2022
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Algas marinhas reduzem os fungos fitopatogênicos

 

Experimentos mostram que algumas espécies de algas já apresentaram resultados promissores, tanto no ataque aos patógenos quanto no estímulo à resistência das plantas.

 

 

Paulo Antunes Horta

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina

pahorta@ccb.ufsc.br

 

Algas marinhas reduzem os fungos fitopatogênicos - Fotos Shutterstock
Algas marinhas reduzem os fungos fitopatogênicos – Fotos Shutterstock

As algas marinhas representam linhagens evolutivas, ou grupos de organismos, que estão em nosso planeta há muito tempo. Todo este tempo de evolução selecionou aparatos de defesa química contra agentes diversos, inclusive os fungos.

As substâncias, especialmente do metabolismo secundário, apresentam atividades biológicas diversas, inclusive antifúngicas.  Por outro lado, polissacarídeos de origem algal, como as ulvanas, das alfaces do mar, induzem defesas diversas das plantas vasculares, o que reforça seus mecanismos de defesas contra os fungos.

Controle

A eficiência das algas contra os fungos, a exemplo do oídio, varia ao redor de 4-70%, o que é, algumas vezes, comparável com pesticidas. A grande vantagem é que a toxicidade para o ambiente é menor, sendo estas substâncias biodegradáveis.

Manejo

Cada cultura deve ter um manejo específico, assim como o ataque de cada patógeno específico. Estas informações não foram produzidas com detalhe para as condições do clima e solo brasileiro.

Experimentos mostram que algumas espécies de algas já apresentaram resultados promissores, tanto no ataque aos patógenos quanto no estímulo à resistência das plantas.

Custo

Como todo desenvolvimento de técnica, os custos iniciais são relativamente mais elevados que daqueles já consagrados, pois os métodos já foram selecionados. Mas, precisamos investir em processos ambientalmente menos agressivos e a utilização de algas pode representar essa alternativa.

Cada cultura deve ter um manejo específico Fotos Shutterstock
Cada cultura deve ter um manejo específico Fotos Shutterstock

Custo-benefício

Mais uma vez o custo-benefício da utilização de algas marinhas está no ganho ambiental. Com a possibilidade de cultivar alimentos sem agrotóxicos, com menor dano ambiental, estaremos contribuindo para a redução da crise de biodiversidade que vivemos, com a extinção em massa de espécies que ainda não conhecemos.

É muito importante nesse processo que eventuais iniciativas de exploração de algas marinhas também levem em conta a demanda inquestionável de sustentabilidade. A alternativa mais apropriada seria a maricultura, ou marinomia, com a produção da biomassa que será necessária na agricultura ou agronomia.

Nos ambientes aquáticos podemos, inclusive, promover a biorremediação da poluição urbana ou rural por nutrientes utilizando as algas. Assim, teremos produtos com elevado valor agregado, por melhorarem a saúde de ecossistemas aquáticos, permitindo ou prolongando a utilização destes ambientes, rios, praias e lagos, para outros usos, como o abastecimento de água ou mesmo para o turismo.

Essa matéria você encontra na edição de junho da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira a sua.

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