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domingo, junho 26, 2022
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Algas no combate aos nematoides do tomateiro

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

Entre os problemas fitossanitários no tomateiro, a ocorrência de nematoides é extremamente importante. Em nosso país são os chamados nematoides-das-galhas (Meloidogynespp.), destacando-se as espécies M. incognita, M. javanica, M. arenariaeM. haplaos que causamproblemas na cultura em questão.

Tais organismos ocorrem em qualquer condição de solo, mas os prejuízos mais severos se dão em solos arenosose com baixos teores de matéria orgânica eem regiões de altas temperaturas. Em geral, terrenos arenosos ou franco-arenosos são mais favoráveis, por facilitarem a movimentação e a migração dos nematoides.

Sintomas

Plantas atacadas por nematoides caracterizam-se pelo baixo vigor e pouco desenvolvimento da parte aérea, causados pelapresença de galhas e de massas de ovos nas raízes, que competem com a planta por água e nutrientes e trazem prejuízos à produtividade das lavouras.

Eles podem deformar o sistema radicular, interferindo, assim,na absorção e translocação de água e nutrientes da planta. A planta murcha e desenvolve sintomas relacionados às deficiências nutricionais. Ocorre diminuição de produção e o tomateiro pode até morrer.

Sintomas de nematoides em tomateiro - Crédito CMG Oliveira
Sintomas de nematoides em tomateiro – Crédito CMG Oliveira

O ataque e os prejuízos

A severidade do ataque dos nematoidesvaria com a cultivar plantada, a espécie e raça do nematoide, o potencial de inóculo na área e o tipo de solo cultivado. Cultivos sucessivos de batata, quiabo, ervilha, feijão, soja e tomate favorecem a multiplicação dos nematoides, propiciando um ataque mais severo.

Os nematoides sobrevivem na lavoura, principalmente em plantas vivas, uma vez que são parasitas obrigatórios. No entanto, ovos e larvas podem sobreviver por períodos prolongados na matéria orgânica e nas camadas mais profundas e úmidas do solo.

Essas pragas podem causarperdas anuais médias de cerca de 12% à maioria de nossas culturas. Em olerícolasse estima que tais perdas estão entre 10 a 12%. Lembre-se que o cultivo em áreas com altas infestações de Meloidogyne spp. pode levar à morte de mudas no campo e afetar negativamente a produção das plantas sobreviventes.

Controle

A melhor maneira de controlar prejuízos causados por nematoides é evitá-los, pois a erradicação é muito difícil. Há, ainda, o fato de os nematicidas geralmente apresentarem baixa eficiência e elevado custo do tratamento por unidade de área.Porém, como evitar? Usar equipamentos limpos e desinfetados; empregar mudas sadias, etc.

Se ocorrer o problema,como alternativas de ação estão:

  • Deixar a área sem plantio, revolvendo-a periodicamente para expor as raízes remanescentes ao sol, por longo período (dois ou três anos);
  • Valer-se da solarização (principalmente em estufa);
  • Fazer rotação de cultura com espécies não hospedeiras, como o amendoim;
  • Plantio de adubos verdes como crotalária,mucuna preta eguandú-anão;
  • Remover restos de culturas infectadas e fazer correção da fertilidade do solo adequada.Sabe-se, por exemplo, que o potássio é um nutriente que melhora a produtividade das plantas onde ocorre infestação por nematoides;
  • Fazer aração profunda; deixar o solo exposto ao sol antes de fazer a gradagem;
  • Incorporar os restos culturais imediatamente após a última colheita; aplicar no sulco de plantio um nematicida registrado.

 As algas propiciam a queda dos efeitos negativos da presença de galhas e ovos nas raízes, melhorando absorção de água e nutrientes - Crédito: Ana Maria Diniz
As algas propiciam a queda dos efeitos negativos da presença de galhas e ovos nas raízes, melhorando absorção de água e nutrientes – Crédito: Ana Maria Diniz

As algas marinhas

As algas marinhas são organismos vegetais, unicelulares ou pluricelulares, que fazem fotossíntese. Nutrem-se dos elementos ativos do mar e contêm altíssimos níveis de sais minerais, dentre eles macro e micronutrientes de plantas. As algas são fontesdevitaminas,glicoproteínas, como o alginato, deaminoácidos,que podem funcionar como bioestimulantes vegetais e, ainda, deestimulantes naturais, como: auxinas (hormônios do crescimento que governam a divisão celular), giberelina (queinduz floração e alongamento celular) e citocininas (hormônio da juventude, do retardamento da senescência).

Assim, os extratos de algas marinhas podem funcionar como fonte de nutrientes, além de promover o estímulo dadivisão celular, o que favorece a formação das raízes propiciando, assim,melhor o aproveitamento da água e dos nutrientes.

Ainda, tem que ser lembrado que os compostos presentes nos extratos de algas estimulam a formação da clorofila e, por consequência, a própria fotossíntese, que é a fonte de toda a estrutura da planta.

A partir dos açúcares formados na fotossíntese se originam todos os demais componentes das plantas (proteínas, óleos, etc.). Também, substânciaspresentes nas algas marinhas beneficiam o Ciclo de Krebs, que é o centro do metabolismo vegetal: fonte de intermediários para a formação de aminoácidos, que formarão as proteínas e, também, dos ácidos graxos que integrarão os óleos e demais lipídeos importantes na vida vegetal, por exemplo.

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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