Algas são incremento na florada do morangueiro?

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Autor

Givago Coutinho
Doutor em Fruticultura e professor efetivo do Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
givago_agro@hotmail.com
Créditos Shutterstock

O cultivo do morangueiro no Brasil é feito tradicionalmente em campo aberto, contudo, o cultivo protegido juntamente com o sistema de irrigação por gotejamento vem tomando relevância ao se tornar eficiente na proteção da planta contra adversidades climáticas e incidência de doenças (Timm et al., 2016).

As algas

Aliado ao manejo correto de produção, outras técnicas e produtos vêm surgindo no mercado, como é o caso do extrato de algas. Os extratos de algas podem ser utilizados em todas as culturas, sendo o efeito desejável muito dependente da época de aplicação de tais produtos, sua origem e, principalmente, seu método de extração.

Diante disso, conhecer a aplicação e resultados na cultura do morangueiro pode tornar a utilização do extrato de algas uma opção interessante na produção de morangos de qualidade.

A utilização de algas na agricultura ocorre, sobretudo, devido ao benefício de cada biomolécula presente nestes organismos aquáticos (Costa et al., 2014). Segundo Carvalho e Castro (2014), o produto comercial Acadian® à base de Ascophyllum nodosum apresenta cerca de 1,01% de aminoácidos, conforme mostra a tabela 1.

Tabela 1. Especificações químicas do extrato líquido comercial de Ascophyllum nodosum, de acordo com o rótulo do Acadian® Marine plant extract.

Aminoácidos (1,01%)
Alanina 0,08%
Ácido aspártico 0,14%
Ácido glutâmico 0,20%
Glicina 0,06%
Isoleucina 0,07%
Leucina 0,09%
Lisina 0,05%
Metionina 0,03%
Fenilalanina 0,07%
Prolina 0,07%
Tirosina 0,06%
Valina 0,07%
Triptofano 0,02%

Fonte: Carvalho e Castro, (2014)

O mesmo autor ressalta ainda que a utilização de produtos à base de extratos de algas proporciona incrementos de produtividade e, com base em pesquisa, reforça o potencial positivo destes extratos na qualidade das porções vegetais comercializadas.

Influência na florada do morangueiro

Os bioestimulantes possuem origem biológica, que por meio de seu complexo de constituintes proporcionam melhoria na produtividade das culturas e sua utilização na agricultura tem crescido em virtude da busca de incrementos de produtividade (Yakhin et al., 2017).

Os extratos de algas são considerados bioestimulantes, podendo assim influenciar o crescimento e a produtividade das culturas. Tais extratos encontram-se disponíveis no mercado (Meyer; Orioli Júnior e Bernardes, 2018).

Segundo Battacharyya et al. (2015), os extratos de algas, mesmo em baixas concentrações, promovem a indução de uma série de respostas fisiológicas no vegetais. No morangueiro, incrementa o número de flores e pseudofrutos, aumentando a produção (Serciloto, 2018).

Como funciona

Bioestimulantes podem ser definidos como a mistura de hormônios e compostos de natureza química diferente, dentre eles os aminoácidos, vitaminas, sais minerais, entre outros. Por exercerem influência sobre o desenvolvimento vegetal, de algum modo, são compostos amplamente utilizados na agricultura (Carvalho e Castro, 2014).

As algas têm sido utilizadas atualmente em formulações secas ou em extratos, e no Brasil são consideradas aditivos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), assim como os aminoácidos, tendo seu uso aprovado em fertilizantes (Costa et al., 2014).

Pesquisas

As pesquisas que mencionam doses ainda são incipientes no Brasil. Segundo Silva (2011), apesar de existirem estudos que relacionam o uso de extratos desta alga na agricultura, os resultados divergem sobre sua ação bioestimulante no cultivo dos produtos hortícolas e são poucos os estudos com algas marinhas no cultivo do morangueiro (Silva, 2011).

Dentre as espécies de algas com potencial agrícola, a espécie Ascophyllum nodosum (L.) Le Jolis é a mais pesquisada na agricultura (Ugarte et al., 2006).

Silva (2011), ao avaliar as características produtivas e biométricas de frutos de oito cultivares de morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.): Albion, Camarosa, Camino Real, Campinas, Dover, Toyonoka, Tudla-Milsey e Ventana em sistema orgânico de cultivo sob aplicações de extrato da alga Ascophyllum nodosum, concluiu ser viável a recomendação do uso de extrato de alga no cultivo das cultivares Camino Real, Dover e Camarosa, pois, segundo o autor, estas apresentaram excelente produtividade no trabalho, tendo também se destacado quanto ao tamanho e número de frutos colhidos.

O mesmo autor recomenda o uso de extrato de alga Ascophyllum nodosum no cultivo de morangueiro Albion, Campinas e Camino Real, por terem apresentado boas propriedades pós-colheita após as aplicações quando estas ocorreram de forma alternada com o extrato de alga Acadian® (29% de extrato líquido de Ascophylum nodosum) no solo e nas folhas, na dose de 1,0 L ha-1 em cada aplicação, a cada 20 dias, e extrato de alga Acadian® (29% de extrato líquido de Ascophylum nodosum) aplicado ao solo a cada 20 dias na dose de 2,0 L ha-1.

A partir do plantio verificou-se a obtenção de teores mais elevados das variáveis físico-químicas avaliadas (sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), relação SS/AT, pH, açúcares redutores, antocianinas e vitamina C).

Custo-benefício

A aplicação de algas na agricultura ainda constitui uma técnica relativamente onerosa no processo de produção, pois estas são importadas de países com baixas temperaturas, como o Canadá e o bloco europeu. Recentemente, em maio de 2019, a Embrapa divulgou uma nota em que anuncia o desenvolvimento de biofertilizantes a partir de macroalgas da costa brasileira, em que pondera a relevância da pesquisa no sentido  de atuar na produção em larga escala de extrato de algas no País, além de reduzir a dependência de importação (Collares, 2019).

Sem errar

Como ainda são poucos os estudos sobre a utilização de algas na cultura do morangueiro, os produtores devem embasar a utilização em resultados já publicados e disponíveis na literatura, bem como indicações de uso relatadas por esses autores a fim de se evitar erros e/ou gastos desnecessários na aplicação destes produtos.