27.9 C
Uberlândia
quarta-feira, fevereiro 28, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosGrãosAlgodão: Como está o mercado brasileiro?

Algodão: Como está o mercado brasileiro?

Autora

Paula Almeida Nascimento Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)paula.alna@yahoo.com.br

Colheita de algodão – Fotos: Shutterstock

O Brasil registra recordes na exportação do algodão, sendo que, de julho de 2019 a fevereiro de 2020 exportamos 1.555 milhões de toneladas de algodão em pluma. Não é à toa que o produto é chamado também de ouro branco

O algodoeiro, planta da família Malvaceae, é cultivado no Brasil em várias regiões, e encontram-se diferentes sistemas de produção, desde pequenas glebas, de agricultura familiar até culturas empresariais de alto nível tecnológico.

O algodão é um produto de extrema importância socioeconômica para o Brasil. Além dos fornecedores de insumos, esse produto passa pela indústria de fiação, tecelagem, pela confecção de vestuário e finalmente pelo comércio de roupas.

Acrescenta-se, ainda, a indústria da moda e do design, as quais possuem suas peculiaridades e alto potencial de agregação de valor. Os subprodutos do algodão, como o caroço e o óleo, possuem papel relevante na indústria química e como alimento animal, integrando-se às cadeias produtivas do leite e da proteína animal.

Desta forma, o algodão em pluma é destinado à indústria têxtil. O caroço é usado na produção de óleo comestível, biodiesel e em misturas para rações animais e adubos. O óleo de algodão pode ser usado no preparo de saladas, maioneses, molhos e frituras. Também pode servir como lubrificante e ingrediente de margarinas, biscoitos, cosméticos, remédios, sabões e graxas. Ainda, é rico em vitamina E.

O caroço é esmagado e vira subprodutos como a torta (indústria de corantes e fertilizantes) e o farelo (que serve de ração animal, para bois e carneiros). O farelo de algodão é o terceiro farelo proteico mais produzido no mundo, perdendo apenas para o de soja e o de canola.

O algodão hidrófilo, desengordurado, branqueado e esterilizado, tem maior capacidade de absorção. É utilizado em curativos, cirurgias, produtos de higiene e limpeza da pele. Já na indústria bélica, o algodão é empregado na preparação de pólvora e em explosivos como o TNT. A celulose da planta serve para a fabricação de papel-moeda – na nota de dólar, por exemplo, compõe 75% de todo o material.

Mercado brasileiro

O algodão é destaque no agronegócio brasileiro e participa ativamente na indústria têxtil nacional e internacional. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o País registra recordes na exportação do produto — de julho de 2019 a fevereiro de 2020 exportamos 1.555 milhões de toneladas de algodão em pluma.

Somente no mês de janeiro de 2020, a exportação atingiu 308 mil toneladas. O Brasil está entre os maiores produtores de algodão do mundo e ocupa a quinta posição. Assim, o primeiro produtor mundial de algodão é a Índia, e na segunda posição estão os Estados Unidos. A China ocupa o terceiro lugar, e em seguida o Paquistão.

Receita

No ano 2019, a produção e exportação de algodão no Brasil geraram uma receita de US$ 2,6 bilhões, superando o ano anterior em quase US$ 1 bilhão. Essa vitória se relaciona com a qualidade do algodão nacional, que possui 85% de toda a produção certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), incluindo clima favorável, variedades adequadas de plantas e manejo adequado, resultando somando em alta produtividade.

Desta forma, os principais destinos da exportação do algodão brasileiro são o continente asiático, com cerca de 97,5% da produção. A China, considerado um país produtor, importa algodão brasileiro.

[rml_read_more]

O mercado chinês depende da produção de algodão brasileira, pois sua produção não supre a alta demanda de sua indústria têxtil. Outros países asiáticos que importam algodão brasileiro são o Vietnã, Bangladesh, Turquia e Indonésia.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2019 a área cultivada do algodão teve um crescimento de 37,8%, resultando na produção de 1,61 milhão de toneladas, um aumento de 36% em relação à safra anterior.

Desafios da cadeia

As perspectivas para a produção de algodão no Brasil em 2020 são bastante promissoras. A estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) para a safra 2019/20 é que o País atinja 2,74 milhões de toneladas, com 1,636 milhão de hectares plantados. A Conab prevê um aquecimento de 43% nas exportações, atingindo 2,0 milhões de toneladas e um consumo doméstico de 720 mil toneladas para 2020.

Desafios de mercado
Produção têxtil Concorrência com o mercado de fibras sintéticas, como o poliéster.
Produção no campo Altos custos, como uso de defensivos, maquinários pesados, transporte até os portos e mercado interno, que recebe muitas roupas produzidas fora do País.

O Brasil é um país tropical, beneficiado pelo clima e pelas grandes áreas territoriais destinadas para a agricultura. Possui vantagens competitivas em relação a outros países produtores de clima temperado. A exploração da terra ao longo de todo ano no Brasil é possível, enquanto que nos países de clima temperado há uma estação fria, o inverno, em que a agricultura é pouco significativa.

Visão econômica

Segundo a Abrapa, o algodão está entre as mais importantes culturas de fibras do mundo. Todos os anos, uma média de 35 milhões de hectares de algodão é plantada em todo o planeta. A demanda mundial tem aumentado gradativamente desde a década de 1950, a um crescimento anual médio de 2%.

O comércio mundial do algodão movimenta anualmente cerca de US$ 12 bilhões e envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua produção, desde as fazendas até a logística, descaroçamento, processamento e embalagem. Atualmente, o algodão é produzido por mais de 60 países, nos cinco continentes (Abrapa, 2018).

Os principais exportadores de algodão são Estados Unidos, Índia, Brasil e Austrália. Esses países, juntos, representam 76% de toda a exportação mundial. Os principais países importadores são Bangladesh com 1,6 milhão de toneladas, Vietnã com 1,5 milhão de toneladas e China com 1,2 milhão de toneladas em 2017/18.

Área plantada e produção anual

A área plantada com o algodão no Brasil cresceu de 949 mil hectares, no ano de 2016, para 1,6 milhão, em 2019, um crescimento de 68,5% nesse período, segundo o Levantamento – Safras 2018/19 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse crescimento tem sido alavancado por boas produtividades, preços atrativos e o aumento do consumo mundial e nacional, um sinal de que a cultura do algodão está deixando rentabilidade ao produtor.

Com uma colheita estimada em 2,7 milhões de toneladas nesta safra de algodão, o Brasil detém o quinto lugar no ranking mundial de produção da pluma, graças ao aumento significativo das áreas dessa cultura, com destaque para o Mato Grosso, responsável por 70% de todo o algodão produzido no País.

Em volume

De acordo com Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Cepea, da Esalq/USP, o volume de algodão a ser colhido no Brasil na safra 2019/20 será quatro vezes superior à quantidade estimada para a demanda doméstica. O Brasil tem condições de atender à demanda mundial durante todo o ano de 2020. Esse cenário é resultado da manutenção da área plantada com a pluma no País.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma produtividade média de 1.658 kg/ha, o que deve elevar em 1,1% a produção nacional, chegando a 2,76 milhões de toneladas. O maior Estado produtor do Brasil é o Mato Grosso, que representa cerca de 70% da produção brasileira de algodão e deve aumentar em 2,3% a área, para 1,12 milhão de hectares, mas a produtividade pode cair 1,1% (1.643 kg/ha), resultando em produção de 1,84 milhão de toneladas.

Investimento envolvido

O cultivo de algodão demanda maior investimento inicial, sendo um desafio para pequenos e médios produtores. Em Mato Grosso, segundo o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), em boletim de julho de 2019, o custo por hectare da fibra supera os R$ 9.200,00 em todas as regiões do Estado. A soja, como exemplo comparativo, tem um custo que varia de R$ 3.473,69 a R$ 4.101,39 dependendo da região e tipo de cultivo. 

A média de produtividade da lavoura colhida em Canarana (MT) ficou em torno de 300 @/ha. O número ainda não é absoluto, pois os fardos da fibra precisam passar pelo processo de pesagem na Algodoeira (indústria de beneficiamento), que depois de processado deve alcançar mais de 40% do peso colhido (120@ de pluma) em produto pronto para comercialização. Regiões tradicionais no cultivo, como de (MT), apresentaram uma média, na safra 2018/19, de 290 @/ha.

Segundo Rodrigo Piccinini, da Meta Consultoria Agrícola, a boa produtividade para a cidade de Canarana foi devido às condições climáticas serem boas. Assim, a qualidade da pluma da região se difere das demais, do Brasil, e ainda não choveu na época da colheita, então não houve perda de qualidade. Outro fator destacado na região foi o baixo índice de pragas e doenças, porque o plantio iniciou recentemente na região.

Na negociação para venda, a arroba de algodão no Estado do Mato Grosso fechou em agosto de 2019 em R$ 75,67 em Campo Verde, e em R$ 71,75 em Primavera do Leste. Mas esse preço é da pluma processada.

Considerada uma das culturas mais “caras”, exigindo investimentos que ultrapassam a casa dos R$ 8 mil por hectare (segundo o Imea), o cultivo do algodão requer atenção desde o chamado “pré-plantio”. Afinal, qualquer falha cometida nesta fase da safra pode colocar em risco o elevado investimento. Fatores como a tecnificação e um bom planejamento são peças-chaves para obter resultados satisfatórios na produção da pluma.

Vamos ao que interessa – a rentabilidade

O algodão é uma das culturas que mais gera rentabilidade econômica aos produtores do oeste da Bahia. A região de São Desidério, por exemplo, já obteve o maior Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário do País, com cerca de R$ 1,8 bilhão, segundo o IBGE.

A região é responsável por 96% da produção de algodão da Bahia, que é o segundo maior produtor da fibra no Brasil, atrás somente do Mato Grosso. Assim, é uma cultura que produz bem em altas temperaturas.

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do País e a colheita na safra 2019/20 iniciou a partir de junho/2020. Os cotonicultores da região terão alta produção, que deve girar em torno dos 1,5 milhão de toneladas (caroço e fibra).

O plantio foi iniciado em dezembro passado, e a safra ocupa uma área total de 313.566 mil hectares. A perspectiva é atingir a produtividade média de 300 @/ha, segundo a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

A Bahia contribui com a participação de 25% da safra nacional, sendo considerada a área agrícola com a maior produtividade de algodão não irrigado do mundo. O Estado tem uma estrutura técnica desenvolvida para o algodão somada às condições naturais da região oeste, como solos planos e férteis possibilitados pela tecnologia agrícola, por meio de fertilizações e do incremento da matéria orgânica, estações de chuvas regulares e bem definidas, disponibilidade de água para irrigação e clima propício para a cultura.

As pesquisas contribuem para a maior rentabilidade da cotonicultura brasileira. Os produtores, atualmente, produzem fibra de alta qualidade, com alta produtividade e perspectivas de crescimento. Esse resultado satisfatório é possível devido à inserção de novas tecnologias ao sistema de produção, como biotecnologias, melhoramento em genética de cultivares, nutrição e manejo fitossanitário.

Demanda  

As perspectivas para o cultivo de algodão nos próximos anos são promissoras. Há uma demanda mundial da população, principalmente da Ásia, por ser uma fibra natural.

O Brasil dispõe de áreas agrícolas e tecnologia para atender ao aumento do consumo mundial de algodão. A qualidade do produto, os avanços nos métodos para controle fitossanitário, obtenção de variedades mais produtivas e organização da cadeia produtiva dos produtores brasileiros de algodão são fatores decisivos para a conquista dos mercados nacional e internacional. O País exporta principalmente para Cazaquistão, Indonésia e Coreia do Sul.

No levantamento do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), a produção mundial de pluma deve chegar a 26,89 milhões de toneladas durante a safra de 2019/20, enquanto a previsão para o consumo é de 26,66 milhões de toneladas. A estimativa é que o estoque final chegue a 18,33 milhões de toneladas no período.

O consumo mundial de algodão encontra-se em torno de 27 milhões de toneladas. O maior consumidor é a China, com demanda de 9,3 milhões de toneladas no ano de 2018/19. Também o consumo da Índia cresceu ao redor de 4% em 2018/19, em relação ao período anterior, para um recorde de 25,2 milhões de fardos.

A forte demanda global por tecidos e roupas de algodão tem sustentado o recente crescimento observado na Índia. O Paquistão, por sua vez, consumiu por volta de 10,5 milhões de fardos em 2018/19, ligeiramente acima do ano anterior, e o maior em quatro anos.

Bangladesh processou 7,8 milhões de fardos em 2018/19, um aumento de 500.000 fardos, ou 7% em relação a 2017/18, uma vez que o seu consumo atinge novos recordes anualmente. O Vietnã também registrou um forte crescimento em 2018/19, de 12%, para um recorde de 7,4 milhões de fardos, um aumento de 800.000 fardos em relação à temporada anterior.

Ainda, o consumo na Turquia aumentou 3%, ou seja, 200.000 fardos, em 2018/19, e atingiu o valor recorde de 7,4 milhões de fardos, de acordo com o USDA (2018).

Maiores regiões produtoras

O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de algodão e as regiões brasileiras que lideram a produção são Mato Grosso, na primeira posição, logo atrás o Estado da Bahia, Minas Gerais no terceiro lugar, na quarta posição Goiás e Mato Grosso do Sul é o quinto Estado produtor. Confira, a seguir, o ranking da produção nacional por Estado da safra 2018/19:

1º) Mato Grosso: 1.882.738 toneladas

2º) Bahia: 625.643 toneladas

3º) Minas Gerais: 75.100 toneladas

4º) Goiás: 70.686 toneladas

5º) Mato Grosso do Sul: 68.047 toneladas

6º) Maranhão: 47.507 toneladas

7º) Piauí: 29.228 toneladas

8º) São Paulo: 24.120 toneladas

9º) Tocantins: 6.273 toneladas

10º) Paraná – 780 toneladas

Fonte: Conab

Cerrado sai à frente

Na maioria das regiões brasileiras predomina a vegetação de Cerrado, onde os melhores resultados são por conta da topografia, que permite a mecanização da atividade, clima, estações definidas chuvosa e seca, e manejo da cultura adequado, que garante uma qualidade superior à fibra.

Além disso, as pesquisas das empresas públicas e privadas têm contribuído para o sucesso da produtividade dessas regiões. Por tudo isso, o algodão passou a ser produzido em larga escala no Cerrado.

Assim, o investimento em alta tecnologia na produção de algodão com sistemas de identificação e rastreamento da matéria-prima, além das inovações tecnológicas adotadas nas etapas de beneficiamento e armazenagem do algodão, são os maiores responsáveis pelos resultados alcançados.

Os grandes produtores realizam a análise e classificação de fibra segundo padrões internacionais e trabalham seguindo normas internacionais de sustentabilidade. Assim, a produção de algodão no Brasil é crescente, pois conta com alta demanda, especialmente no setor têxtil, tanto no mercado externo quanto interno.

Desta forma, um dos principais fatores para a obtenção de sucesso em uma lavoura de algodão é dar preferência a plantios em áreas planas, que facilitam os processos de drenagem e a mecanização. A realização de rotação de culturas na fase de pré-plantio da pluma ajuda a melhorar a estruturação do solo, e isso eleva sua capacidade de drenagem.

Com o solo mais forte, os custos com pragas e doenças são, consequentemente, reduzidos. Recomenda-se que nessa rotação as espécies utilizadas sejam aquelas de fácil condução e que produzam um alto volume de matéria seca, sempre cuidando para não usar espécies hospedeiras de nematoides, por exemplo.

Brasil – Safra 2019/ 20

Área plantada: 1,636 milhão de hectares

Produção: 2,74 milhões de toneladas

Custo de produção: R$ 9 mil por hectare

Consumo: 720 mil toneladas

Receita com exportação: US$ 2,6 bilhões

Custo de produção: R$ 9 mil por hectare

MUNDO

– O algodão é produzido por mais de 60 países

– Movimento anual:US$ 12 bilhões e envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua

Os principais exportadores de algodão são:

 Estados Unidos, Índia, Brasil e Austrália. Esses países, juntos, representam 76% de toda a exportação mundial.

Os principais países importadores são:

– Bangladesh com 1,6 milhão de toneladas

 – Vietnã com 1,5 milhão de toneladas

– China com 1,2 milhão de toneladas

ARTIGOS RELACIONADOS

Cooxupé lidera ranking ESG entre cooperativas de todo o Brasil

A Cooxupé é líder nacional no quesito ESG do ranking de Melhores e Maiores 2021 da Exame.

Óleo essencial da casca de laranja beneficia lavouras no Brasil

Amplamente utilizado pelas indústrias farmacêutica e de cosméticos, o óleo essencial da casca de laranja também proporciona inúmeros benefícios nas lavouras, otimizando a aplicação de agroquímicos e ajudando a elevar a produtividade.

Pioneer® lança híbridos de milho

A Pioneer®, marca de sementes da Corteva Agriscience, inova mais uma vez ao lançar dois ...

China faz mega compra de milho e etanol nos Estados Unidos

53,5 milhões de bushels de milho de uma só vez, a maior venda feita pelos Estados Unidos para a China! Isso eleva o preço do cereal a nível internacional. E da mesma forma a aquisição de etanol, o biocombustível que a China afirma que irá fazer em volumes nunca vistos no primeiro semestre de 2021.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!