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Aminoácidos em cenoura: o que esperar de resultado?

Crédito Eduardo Ramos de Campos

Nilva Teresinha Teixeira
Doutora em Nutrição de Plantas e professora de Bioquímica, Nutrição de Plantas e Engenharia Agronômica – UNIPINHAL
nilva@unipinhal.edu.br

A cenoura (Daucus carota L) é cultivada em todo o território brasileiro, sendo uma das 10 hortaliças mais plantadas no País. O estado de Minas Gerais é o maior produtor nacional e o município de São Gotardo é considerado a capital da cenoura.

Este é um excelente alimento, rico em betacaroteno que se transforma em vitamina A no intestino animal, sendo importante fonte de tal vitamina. Conta, ainda, com antioxidantes (que neutralizam radicais livres) e fibras. Pode ser consumida crua ou cozida (como em refogados).

Atualmente, é uma espécie explorada por pequenos, médios e grandes produtores que têm disponível, para tal lavoura, tecnologias avançadas. Entre as possibilidades de melhorar a produtividade e a qualidade do produto colhido estão os aminoácidos.

Quem são eles?

Mas, o que são aminoácidos? São substâncias produzidas pelos vegetais por meio de derivados fotossintéticos e o nitrogênio mineral que eles absorvem. Porém, podem ser adicionados aos cultivos (via exógena).

Confira alguns desses principais aminoácidos:

1. Glicina: é o aminoácido proteico mais simples. Participa na formação de glutationa, antioxidante que protege as células e os mitocôndrias contra danos oxidativos formados em condições de estresse (auxiliando na defesa das plantas), fitoquelatinas, (fundamentais para a resistência aos metais pesados) e glicina betaína (composto que é acumulado em plantas em condições de estresse hídrico e ajuda a manter a eficiência fotossintética). A cisteína atua na síntese de glutationa, que, como se relatou, participa da defesa (molécula que auxilia na defesa vegetal aos fatores estressantes).

2. Ácido glutâmico: fundamental para a produção de diversos aminoácidos, como a arginina, glutamina e prolina), é matéria-prima para a síntese de clorofila (participante da fotossíntese) e de citocromos (integrante da cadeia respiratória e do processos fotossintético).

3. Fenilalanina e tirosina: importante na síntese de lignina, taninos, flavonoides e do ácido salicílico, agentes na resistência aos fatores bióticos. A tirosina participa da síntese dos taninos, que são importantes na qualidade das uvas.

4. Triptofano: é precursor do ácido indolilacético, hormônio que atua na divisão celular e que está ligado ao desenvolvimento do sistema radicular e da parte aérea das plantas (comanda o desenvolvimento apical).

5. Prolina: importante composto na resistência da planta ao estresse hídrico e à salinidade. O acúmulo de prolina nas células vegetais submetidas a estresse hídrico é sugerido como um mecanismo de ajuste osmótico.

6. Arginina: participa da síntese de citocinina, estimulando o crescimento radicular e na produção de poliaminas que promovem papel de defesa contra estresses.

7. Histidina: participa nas respostas das plantas aos fitohormônios citocinina e etileno.

Como atuam na cenoura?

Os aminoácidos, como construtores de proteínas e participando ativamente no metabolismo das plantas, as deixam mais equilibradas, contribuem para a produtividade e qualidade vegetal, incluindo as cenouras.

Quando aplicado por ocasião da semeadura, melhoram a germinação das sementes, proporcionando maior velocidade de arranque e uniformização de estande final e, ainda, beneficiam o enraizamento e o desenvolvimento inicial das plantas.

Quando incluídos durante o ciclo de desenvolvimento das plantas (no solo, por fertirrigação, por exemplo, ou via aérea) proporcionam maior resistência aos fatores bióticos e abióticos, estimulam o crescimento das plantas, aéreo e radicular (raízes mais fortes e parte aérea mais estruturada) e promovem o incremento de produtividade, uniformidade e qualidade do produto.

Adicione-se aos benefícios citados a proteção que conferem à fitotoxicidade por agroquímicos, maior tolerância às pragas e doenças, melhoram a absorção e translocação de nutrientes.

Qual a dose ideal?

Como se citou, a introdução de aminoácidos no cultivo de cenoura pode ser por ocasião da semeadura. Assim, em ensaio de laboratório com diferentes concentrações de formulado comercial contendo os aminoácidos alanina, arginina, ácido aspártico, ácido glutâmico, glicina, isoleucina, leucina, lisina, fenilalanina, serina, treonina, triptofano, tirosina, valina, nitrogênio e fósforo, Radke et al. (2015) observaram respostas positivas, no referido estudo.

Os resultados obtidos com as doses compreendidas entre 190 e 250 mL por 100 kg de sementes de cenoura. Assim, pode-se considerar como opção incluir formulados com aminoácidos via semente.

O uso de formulados com aminoácidos durante o ciclo da cultura se mostra uma opção interessante e, como se citou, pode por via pulverização ou por fertirrigação, contribuindo para a resistência das plantas aos agentes bióticos (pragas e doenças) ou abióticos (estresse salino causado por fertilizantes, intoxicação por herbicidas, deficiência hídrica e temperaturas extremas).

Estudo conduzido em cenoura demonstrou que a pulverização com formulado comercial que associa fertilizantes e aminoácidos promoveu a uniformização da colheita, diminuindo sensivelmente a bifurcação e os descarte total, melhorando, assim, a qualidade do produto.

Método mais eficiente

Os benefícios citados são as respostas às funções que os aminoácidos exercem nos vegetais: estimulam o metabolismo das plantas, atuando como proteínas que participam da formação das membranas celulares (tecidos) e como enzimas.

Ainda, como já se referiu, os aminoácidos também participam de outras maneiras da vida da planta: na síntese da clorofila, dos citocromos (que participam respectivamente da fotossíntese e da respiração), de auxinas e do ácido indolilacético, que comanda a divisão celular, além da resistência aos agentes bióticos e abióticos.

Quanto a técnica de aplicação, indica-se via sementes, no plantio. Durante o ciclo da cultura, sugere-se a inclusão por fertirrigação e/ou via foliar. Entretanto, o uso via foliar vem sendo o mais indicado, pelas respostas mais rápidas.

Em relação às doses, tecnologia de aplicação e épocas de aplicação: depende do produto selecionado para uso. Deve ser empregado seguindo recomendações de técnico especialista no tema. E, lembre-se: aminoácidos não substituem os fertilizantes recomendados.

Podem promover reduções de quantidades, pois tornam o aproveitamento deles mais eficiente. Entretanto, quantidades superiores ao sugerido podem trazer o inverso do desejado: prejuízos à produtividade e qualidade do produto.

Reforçando: aminoácidos são produtos que auxiliam a produtividade e a qualidade, quando empregados corretamente, com a segurança e orientação especializada.

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