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domingo, agosto 14, 2022
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Aminoácidos reduzem estresse no transplante do morango

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

 

Fotos Shutterstock
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Ao longo dos últimos anos a utilização de aminoácidos na agricultura do Brasil, e nos demais países, vem aumentando de forma bastante acentuada, devido aos inúmeros benefícios que estas substâncias orgânicas vêm proporcionando às plantas.

Os aminoácidos são os constituintes básicos das proteínas, macromoléculas complexas que desempenham funções específicas nas plantas, principalmente na estrutura como componentes das paredes celulares e atuando como enzimas e, também, são precursores de vitaminas, de hormônios e de clorofila.

Relatam-se, ainda, que muitos aminoácidos são responsáveis pelo transporte de nutrientes na planta. O transporte pela membrana celular do íon é mais fácil quando ele está ligado a um aminoácido, com absorção mais rápida, comparativamente ao íon na forma livre.

Origem

 Os aminoácidos formam-se nas plantas a partir da reação entre N-amoniacal e cetoácidos, que são formados pelo metabolismo de açúcares gerados pela fotossíntese. Estudos mostram que, normalmente, o principal aminoácido formado desta maneira é o ácido glutâmico, que é o transportador de nitrogênio na planta.

A partir do ácido glutâmico se formam os demais aminoácidos, que se juntam formando as proteínas. Essas rotas metabólicas demandam energia. Veja, na tabela 1, alguns aspectos relativos à função dos aminoácidos nas plantas.

Foto 02

Tabela 1 ” Alguns dos papéis dos aminoácidos proteicos nos vegetais

Aminoácidos Papéis
Ácido Aspártico Aumenta a tolerância ao estresse. Beneficia a fertilidade do grão de pólen e a síntese da clorofila.É um dos responsáveis pela redistribuição do N nas plantas.
Ácido Glutâmico Estimula a germinação das sementes e o crescimento radicular. Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da síntese de clorofila e da formação de substâncias húmicas. Principal via de incorporação do N mineralem compostos orgânicos.
Asparagina e Glutamina Amidas derivadas de aminoácidos. Participam do processo de fixação de nitrogênio e das proteínas.
Alanina Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da síntese de clorofila e da formação e germinação do grão de pólen.
Arginina Estimulaa germinação das sementes e o crescimento radicular. Aumenta a tolerância ao estresse. Participa do transporte dos nutrientes para flores, frutos e sementes.
Cisteína Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da síntese de clorofila. Assimilação do enxofre. É precursor da lignina.
Fenilalanina e Tirosina. Responsável pelos processos de senescência e dormência. Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da síntese de clorofila e estimulaa produção de fitoalexinas.
Glicina Participa da síntese de clorofila. Aumenta a tolerância ao estresse. Beneficia a fertilidade dogrão de pólen.
Histidina Aumenta a tolerância ao estresse. Regulador da concentração do ácido aspártico.
Leucina e Isoleucina Aumenta a tolerância ao estresse. Beneficia a fertilidade dogrão de pólen.
Lisina Ativadora da fotossíntese e retardadora da senescência.
Metionina Estimula a germinação das sementes e o crescimento radicular.Aumenta a tolerância ao estresse. Precursor do hormônio de maturação e senescência (etileno) e estimula a produção de fitoalexinas.
Prolina Reserva de nitrogênio facilmente assimilável e utilizado pela planta como defesa contra o estresse. Estimula a formação de clorofila e a produção de fitoalexinas.
Valina Aumenta a tolerância ao estresse. Regulação do crescimento e maturação dos frutos.
Serina Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da formação de substâncias húmicase estimula a produção de fitoalexinas. Beneficia a fertilidade dogrão de pólen. Precursor do ácido indolacético.
Tirosina Aumenta a tolerância ao estresse. Beneficia a fertilidade dogrão de pólen.
Triptofano Aumenta a tolerância ao estresse. Precursor do ácido indolacético(AIA)- hormônio de crescimento que estimula a produção de fitoalexinas.
Treonina Aumenta a tolerância ao estresse. Participa da formação de substâncias húmicas e estimula a produção de fitoalexinas.

Efeitos dos aminoácidos

Há cerca de 30 anos os aminoácidos começaram a ser usados na produção agrícola como alternativa, em determinadas situações, ao uso de fertilizantes minerais. Esta situação proporcionou uma fonte de nitrogênio de baixo custo energético para as plantas e um importante recurso para o aumento das produções.

As plantas conseguem absorver os aminoácidos tanto pelas folhas como pelas suas raízes. Essa capacidade permite-lhes tirar partido de aplicações foliares ou via rega, o que lhes propicia um desenvolvimento rápido e com menor consumo energético pela economia do necessário para o processo de sua síntese.

Os efeitos mais evidentes dos aminoácidos são obtidos quando a aplicação do produto ocorre em situações climatológicas adversas (seca, geadas, asfixia radicular, temperaturas noturnas muito baixas e por períodos prolongados, etc.), ocorrência de fitotoxicidades diversas causadas por aplicações errôneas de fitossanitários e, ainda, em circunstâncias de ataques de pragas e doenças.

As plantas conseguem absorver os aminoácidos tanto pelas folhas como pelas suas raízes
As plantas conseguem absorver os aminoácidos tanto pelas folhas como pelas suas raízes

Versatilidade para o morangueiro

Os aminoácidos podem funcionar como quelatizantes de nutrientes catiônicos e, ainda, proteger as plantas quanto à injúrias causadas por fitotoxidez e ativar o metabolismo vegetal.

Menciona-se também, que a introdução de aminoácidos no processo produtivo beneficia a taxa fotossintética, promove melhor absorção e mobilidade dos nutrientes nas plantas, aumenta a tolerância às pragas, doenças, à seca e ao frio, regula a síntese de hormônios e diminui o risco de fitotoxidez pelo uso de agroquímicos.

Para obtenção de frutas de morango de qualidade, um dos requisitos essenciais é a utilização de mudas de alta qualidade genética e sanitária, em local de baixa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que sejam agressivos às plantas, o que se consegue com o emprego de matrizes originadas de cultura de tecidos vegetais.

Um dos aspectos importantes, quando se consideram mudas, é o sistema radicular: se robusto e bem formado garantirá uma lavoura com maior pegamento, menor necessidade de replante e, de acordo com diversos autores, frutos mais saudáveis, de melhor aparência e mais saborosos.

Já na formação de mudas os aminoácidos podem ser empregados: por ocasião do plantio das matrizes, para multiplicação, via drench, fertirrigação ou pulverização das próprias plantas matrizes. Retornando a tabela 1, verifica-se que os aminoácidos melhoram o desenvolvimento radicular, a atividade fotossintética e resistência ao estresse (que pode ser hídrico, por intoxicação com agroquímicos e temperaturas), entre outros aspectos.

Por ocasião da instalação da cultura os maiores problemas são déficit hídrico e o ataque de pragas e doenças, em que novamente os aminoácidos podem auxiliar. Recorrendo à tabela 1, verifica-se que a o uso de formulados com aminoácidos pode beneficiar a cultura, melhorando o enraizamento e a resistência a eventuais problemas hídricos e a pragas e doenças.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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