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terça-feira, julho 5, 2022
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Amipa realiza Dia de Campo com cultura do algodão em alta

Fotos: Ana Maria Diniz

A produção mineira de algodão segue em ritmo de crescimento, atravessando o seu melhor momento nos últimos anos. Nesta safra 2018/19, Minas Gerais deve registrar aumento de 67,3% e alcançar em torno de 73,2 mil toneladas colhidas de algodão em pluma – contra 43,7 mil toneladas na safra anterior, que havia sido 59,2% superior em relação à temporada 2016/17, quando foram produzidas cerca de 27 mil toneladas. Os dados são da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) que, diante desse cenário favorável, realizou no dia 04 de julho seu tradicional Dia de Campo, na Fazenda Amipa, localizada no distrito de Santana de Patos, às margens da BR-146, a 50 km de Patos de Minas (MG).

O Dia de Campo Amipa 2019 faz parte de um projeto desenvolvido pela entidade, o “Amipa Retomada do Algodão”, que desde 2014 tem trabalhado estrategicamente o fomento da cotonicultura em todas as regiões algodoeiras de forma focada nos benefícios agronômicos e econômicos, principalmente integrada ao sistema de rotação de culturas.

O evento se consolida como um dos maiores do gênero em Minas Gerais, impulsionado pela crescente produção do algodão no Estado, apoio governamental e aumento na demanda da commodity tanto no mercado interno quanto nas exportações, isso também aliado ao surgimento de novas tecnologias e qualidade da fibra produzida, que melhora a cada ano.

A cultura também vem se destacando pela importância socioeconômica, principalmente na região norte, onde as lavouras ocupam áreas de 3,0 até 80 hectares, em média, cultivadas por pequenos produtores praticantes da agricultura familiar. A tudo isso acrescenta-se o fundamental apoio do governo mineiro por meio do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas).

Público

No embalo do bom momento do algodão no estado, o Dia de Campo Amipa 2019 superou o público presente em 2018, quando 525 pessoas participaram do evento, entre produtores, representantes da indústria têxtil, expositores, além de agricultores associados e uma comitiva de técnicos de países africanos. Em 2019 o público foi de 600 inscritos.

O Dia de Campo não é sucesso de público por acaso. “O evento é um grande palco, com atrações voltadas à apresentação de novas tecnologias, troca de experiências e orientação de produtores por meio da participação de empresas e instituições parceiras envolvidas na demonstração de testes, técnicas, manejos, produtos, máquinas e palestras”, destaca o presidente da Amipa, Daniel Bruxel, que ressalta ainda a completa estrutura cuidadosamente montada para receber e acomodar bem o público do evento, que pelo segundo ano acontece na Fazenda Amipa.

“Tivemos uma grande praça de relacionamento com estandes das empresas parceiras e exposição de maquinários e tecnologias”, informa. O evento fechou a participação de 17 empresas expositoras, e foi aberto essencialmente a produtores de algodão, de grãos, consultores, pesquisadores, técnicos, gerentes de propriedades rurais e outros públicos interessados na cultura.

O que se viu

Segundo o diretor executivo da Amipa, Lício Pena, o evento apresentou, entre outros atrativos, campo de competição com 17 variedades de algodão, presença de importantes empresas do agronegócio, palestras técnicas com ênfase em aumento de produtividade, discussão sobre mercado e política relacionados ao agronegócio, participação maciça da agricultura familiar e divulgação oficial de investimentos destinados ao setor algodoeiro do semiárido no Norte de Minas.

O diretor executivo destacou ainda as temáticas programadas ao manejo do algodão, mercado e agricultura familiar. O evento ainda foi palco do início das ações de comemoração dos 20 anos de criação da Amipa. Na oportunidade, o presidente Daniel Bruxel conduziu o lançamento do Selo Amipa 20 Anos.

Palestras

A grade de palestras do Dia de Campo Amipa 2019 envolveu quatro apresentações. A primeira teve como tema “Manejo do algodoeiro”, conduzida pelo engenheiro agrônomo e consultor da Ceres Consultoria Agronômica, Evaldo Kazushi Takizawa. Na sequência, o assunto “Fisiologia do algodoeiro para altas produtividade” ficou a cargo do professor da Universidade de São Paulo (USP)/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Ederaldo José Chiavegato.

Após, a abordagem foi “Melhoria do ambiente de negócios em Minas Gerais”, conduzida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas), Flávio Roscoe Nogueira.

Finalizando, o tema “Centro de Referência da Agricultura Familiar” foi apresentado pelo coordenador de Cooperação Técnica Ásia/África e Oceania do Ministério das Relações Exteriores, Nelci Caixeta.

O evento teve a parceria do governo de Minas por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Proalminas e do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Fundo Algominas) e apoio institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja-MG) e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

Entre as empresas patrocinadoras estavam BASF, Bayer, CiaSeeds, FMC, Ihara, Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt), J&H, Laboratório Farroupilha/Lallemand, Nufarm, Syngenta e TMG. Autus, Ditrasa, Maqnelson/John Deere, Moraes, Stara e Uniparts estiveram entre os expositores. 

Investimento

A Grande novidade apresentado no Dia de Campo, foi o lançamento do investimento da Amipa na Cidade de Catuti, Norte de Minas, com o Centro de Referência da Agricultura Familiar, no qual será construído uma usina de beneficiamento, usina deslintamento e uma fábrica de óleo.

Este será um grande empreendimento para a região Norte de Minas, podendo alcançar R$ 3 milhões de investimentos em construções, usina de beneficiamento, fábrica de óleo e de deslintamento. Um grande sonho de nossos associados da região do semi-árido que estará se tornando realidade para a próxima safra, conta Lício Pena, diretor-executivo da Amipa.

Biotecnologia: Trichogramma Amipa

Outra grande novidade reservada para o Dia de Campo Amipa 2019 aconteceu no estande da Associação com o lançamento da marca comercial Trichogramma Amipa e consequente abertura do produto para o mercado.

O Trichogramma Amipa é um agente de controle biológico desenvolvido pela Fábrica de Produtos Biológicos (Biofábrica), unidade filial da entidade instalada em Uberlândia. “Este produto tem sido testado e aprimorado ao longo dos últimos anos nas propriedades dos associados com bastante sucesso e eficiência no controle de pragas da ordem lepidóptera nas culturas do algodão, soja, milho, ervilha, feijão e tomate”, afirma Lício Pena.

Com essa abertura comercial, a Amipa passa a oferecer ao mercado brasileiro um produto biológico registrado e de excelência para o controle de ovos de mariposas, compondo mais uma importante ferramenta para o controle de pragas dentro do manejo integrado de pragas (MIP) da propriedade.

Algodão em alta

Além do aumento previsto de 67,3% na produção de algodão em pluma em Minas, segundo a Amipa, está consolidado o volume da área cultivada nesta safra que saltou de 25,23 mil/ha na temporada 2017/18 para as atuais 42,8 mil/ha, aumento de 69,6%.

A produtividade também está acima da média nacional, com estimativa de 285 @//ha. Assim, com esses números, neste ano Minas saltou da quinta posição nacional e assumiu o terceiro posto no ranking brasileiro dos maiores Estados produtores de algodão, ficando atrás apenas de Mato Grosso e Bahia.

Os números das exportações mineiras da commodity também demonstram outro cenário favorável para a cultura. Em fevereiro deste ano, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) e analisados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa/MG), Minas Gerais registrou crescimento tanto no volume embarcado quanto no valor das exportações.

Segundo a Amipa, da estimativa de 73,2 mil toneladas de produção, cerca de 20 mil toneladas de pluma da atual safra – 2018/19 – estão contratadas com tradings e outras 52 mil toneladas serão consumidas pelo mercado interno, um dos maiores parques têxteis do País. Para a safra 2019/20, boa parte da pluma terá como destino o mercado externo. A produção mineira de algodão é exportada para 34 países.

Fazenda Amipa

O local onde aconteceu o Dia de Campo Amipa 2019, a Fazenda Amipa, é uma propriedade adquirida pela Associação no fim de 2017 para, segundo planejamento, se tornar um centro de pesquisa e treinamento voltado à cotonicultura mineira.  “É um local destinado à realização de estudos de novos manejos agronômicos, validação de tecnologias, experimentação, treinamentos e capacitações”, detalha Lício Pena.

A propriedade tem 276 hectares, dos quais 184 plantados com algodão. Destes, 30 são destinados aos campos demonstrativos de competição de variedades conduzidos pela entidade.

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão, Amipa, é uma entidade de utilidade pública criada em 1999 com os objetivos de organizar, fortalecer e representar a classe dos produtores de algodão do Estado. Atende seus associados em duas unidades: núcleo matriz, instalado na cidade de Patos de Minas, base do setor administrativo e da diretoria da entidade; e o núcleo filial lotado em Uberlândia (MG), onde estão instalados os centros tecnológicos Minas Cotton e a Biofábrica.

O primeiro, a Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton) trabalha na operacionalização da análise e classificação da fibra do algodão produzido no Estado, e o segundo, a Fábrica de Produtos Biológicos (Biofábrica) na produção de agentes biológicos para controle de pragas nas lavouras mineiras.

Programa de Incentivo

Os dados da Amipa que apontam para o crescimento da produção do algodão no Estado contribuem para o fortalecimento do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas), na medida em que amplia a disponibilidade da pluma para as indústrias têxteis instaladas no Estado.

Por meio do Proalminas, o produtor tem garantida de compra de sua produção pelo preço de mercado, acrescido de um adicional de 7,85% no valor. As indústrias que participam do programa têm o compromisso de comprar uma cota do algodão produzido e beneficiado no território mineiro.

Em contrapartida, têm assegurada a desoneração fiscal junto à Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), por meio da isenção de 41,66% do crédito presumido de ICMS, ao adquirirem o algodão certificado dos produtores mineiros, o que viabiliza a competitividade da tradicional indústria têxtil mineira.

Com o benefício fiscal, a indústria destina 1,5% dos recursos ao Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura (Fundo Algominas) responsável pelos investimentos no aprimoramento da atividade estadual. A parceria entre todos os elos da cadeia produtiva, neste programa do governo de Minas, executado em parceria com a Amipa, tem garantido não apenas a quantidade, mas a qualidade do algodão mineiro, hoje certificado em sua origem e na qualidade, conforme regras do Proalminas.

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