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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Antracnose causa sérios prejuízos ao morango

Suzeth Carvalho SousaGraduanda em Agronomia – Unicerradosuzecarvalho10@gmail.com

Pauletti K. RochaEngenheira agrônoma. Mestra em Agronomia e diretora do curso de Agronomia – Unicerrado  paulettirocha@unicerrado.edu.br

Morango – Fotos: Hélcio Costa

O morangueiro é uma das espécies de rosáceas que tem se destacado nos últimos anos como uma das principais hortaliças-fruto plantadas e consumidas no Brasil e no mundo. De coloração atrativa, aroma e sabor agradáveis, o morango vem conquistando o paladar de diversos tipos de consumidores e seu cultivo representa expressiva importância econômica e social em várias regiões do Brasil, gerando renda para muitos produtores, principalmente para aqueles de agricultura familiar.

Muitos produtores vêm sofrendo perdas significativas em seus cultivos em consequência da doença antracnose, conhecida também como “coração vermelho” ou “chocolate”, sendo essa uma das principais doenças do morangueiro.

A enfermidade é causada por várias espécies de fungos do gênero Colletotrichum, responsáveis por sintomas característicos em diferentes partes da planta e também em qualquer estádio de desenvolvimento.

Sintomas

Os sintomas podem ser observados em folhas, flores, frutos, estolões e rizoma, sendo em flores e folhas resultado comum da infecção provocada pelas espécies C. gloesporioides e C. acutatum, enquanto os do rizoma são atribuídos a C. fragariae.

Nas folhas ocorre a formação de manchas irregulares, de coloração marrom-escura e aspecto seco, presentes nas bordas e ápice dos folíolos, aumentando em direção ao centro, sintoma designado como mancha irregular da folha.

Nas flores, quando atacadas, elas secam e escurecem, ficando pretas, sintoma conhecido como “flor preta”, causando perdas que variam entre 30 e 68% nos cultivos. As flores podem ser infestadas pelo patógeno em qualquer fase de desenvolvimento, iniciando-se no pedúnculo, atingindo o cálice, as flores e botões.

Os frutos, quando jovens, ao serem infectados apresentam necrose e mumificam-se, podendo nem se formar, em alguns casos. Em estádios mais desenvolvidos eles apresentam lesões circulares, deprimidas e firmes, apresentando coloração marrom ou preta, que aumenta de tamanho e chega a atingir o fruto.

Perdas consideráveis de morangos são observadas em pós-colheita durante o período de comercialização, devido ao desenvolvimento do fungo nos frutos.

Em rizomas, os sintomas da infecção consistem em murcha e seca progressiva, devido ao apodrecimento do rizoma, seguido de morte da planta. Quando cortados, os rizomas apresentam uma podridão avermelhada, razão pela qual os agricultores chamam a doença de “chocolate” ou “coração vermelho”.

A infecção nessa parte da planta é de suma importância, pois além de acarretar perdas no número de plantas, provoca contaminação do solo.

Favorecimento da doença

A ocorrência da antracnose nos cultivos é favorecida por temperaturas entre 25 e 30°C e alta umidade. Períodos chuvosos extensos também são favoráveis para o rápido desenvolvimento da doença, principalmente em cultivares suscetíveis.

O patógeno é disseminado a longas distâncias pelo vento, água da chuva ou da irrigação, por insetos e pelo homem, durante as operações de cultivo e colheita. Além disso, existem vários hospedeiros alternativos para o fungo, como as espécies de mamão, pimentas, café arábica, citros, entre outros.

Os restos culturais que não são destruídos também são importantes fontes de inóculo, além de mudas infectadas, as quais os sintomas passam despercebidos e podem introduzir o fungo em áreas livres do mesmo.

Para o controle da antracnose existem algumas medidas que podem ser adotadas a fim de controlar o patógeno, dentre elas o plantio em regiões de temperaturas mais amenas, rotação de culturas, utilização de mudas sadias em áreas livres da doença, adubação equilibrada, evitando-se excessos de nitrogênio e potássio, irrigação controlada, destruição de plantas e frutos que apresentem sintomas, além do uso de cobertura plástica (mulching), que além de gerar uma maior produtividade, proporciona frutos de melhor qualidade e mais limpos, reduzindo também perdas provocadas pela doença.

Controle químico

Além dessas alternativas, o controle químico também deve ser utilizado, a partir dos primeiros sintomas ou de forma preventiva. No mercado estão disponíveis fungicidas dos grupos químicos das estrobilurinas, anilidas, dicarboximidas, benzimidazois, entre outros, todos com a função de controlar o avanço da doença.

Um dos cuidados a serem tomados é alternar produtos com diferentes princípios ativos para evitar que o patógeno se torne resistente, porém, o uso destes deve estar sempre associado às outras práticas de manejo, a fim de obter melhores resultados e controle da doença.

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