21 C
Uberlândia
sábado, julho 13, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosHortifrútiAntracnose da Oliva - Severa e destrutiva

Antracnose da Oliva – Severa e destrutiva

 

Jesus G. Töfoli

jgtofoli@uol.com.br

Ricardo J. Domingues

Josiane T. Ferrari

Eduardo M. C. Nogueira

Pesquisadora dos APTA ” Instituto Biológico

 

 Antracnose em oliva - Créditos Jesus Töfoli
Antracnose em oliva – Créditos Jesus Töfoli

A cultura da oliva representa uma nova alternativa para o agronegócio brasileiro.  Presente e em fase de expansão em áreas serranas dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, essa cadeia produtiva apresenta alto potencial econômico nas áreas de extração de azeite, conservas, fitomedicamentos e cosméticos.

Apesar de apresentar certa rusticidade, a oliva pode ser afetada por doenças das mais variadas etiologias. A antracnose, causada por fungos do gênero Colletotrichum, afeta principalmente os frutos, comprometendo diretamente o aspecto visual, o rendimento e a qualidade do produto final. A doença pode ser associada às espécies C. gloeosporiodes, C. acutatum e C. simmondsii, esta última descrita recentemente em Portugal.

Sintomas

Nos frutos verdes ou próximos à maturação, a antracnose causa lesões escuras, deprimidas, circulares ou irregulares, recobertas por acérvulos e uma característica massa rósea ou alaranjada, composta por conídios do fungo.

Estágios avançados da doença são caracterizados pelo apodrecimento, mumificação e queda de frutos. Os frutos atacados apresentam queda de peso, redução do rendimento graxo e originam azeites de baixa qualidade (ácidos e avermelhados).

O fungo pode infectar primeiramente as flores e pode permanecer latente nos frutos, até que estes atinjam o inicio do amadurecimento. Frutos intactos também podem ser infectados pelo fungo, porém, a infecção é mais rápida em frutos que apresentam ferimentos como os causados por insetos ou granizo. Nas folhas, as lesões são castanhas, circulares ou irregulares, e podem originar folhas curvas ou retorcidas.

Em alguns casos, a antracnose pode também causar a morte de gemas apicais, queda de folhas e a seca generalizada de ramos novos.

A infecção

A doença é favorecida por temperaturas ao redor de 25°C e alta umidade (80 a 90%), sendo mais frequente próximo ao amadurecimento dos frutos. O período de incubação da doença é curto em condições favoráveis, podendo completar o seu ciclo em menos de 10 dias, originando numerosos ciclos secundários e epidemias severas, durante a floração e frutificação.

Os frutos e folhas doentes que caem no solo atuam como fonte de inóculo para a safra seguinte.

Entre os fatores que favorecem a antracnose destacam-se:

“¢ Plantios adensados e baixa circulação de ar entre as plantas;

“¢ Plantio de cultivares suscetíveis;

“¢ Plantios em áreas úmidas;

“¢ Ferimentos nos frutos;

“¢ Atrasos na colheita.

Manejo

O manejo da antracnose deve ser baseado em medidas integradas como:

Ãœ Em áreas com microclima mais favorável à doença, dar preferência ao plantio de cultivares menos suscetíveis.

Antracnose

Menos suscetíveis: Picual, Koroneiki, Frantoio, Leccino

Mais suscetíveis: Arbequina, Arbosana, Ascolano, Verdial, Grapollo, Hojibanca, Galega

Ü Uso de mudas certificadas;

Ãœ Plantio em terrenos arejados, drenados e ensolarados, evitando topo de morros sujeitos a ventos fortes e baixadas úmidas, onde ocorrem geadas tardias e topografia superior a 20%, dando preferência a terrenos planos, que facilitam a conservação do solo, os tratos culturais e a colheita.

Ãœ Podas seletivas de formação e manutenção, de forma a favorecer a circulação de ar e a penetração de luz no interior da copa, retirando ramos mal formados, secos e doentes. Plantios adensados frequentes em sistemas intensivos de produção são mais vulneráveis à ocorrência da antracnose e dificultam o tratamento fitossanitário.

Ãœ Adubação equilibrada: evitar o excesso de nitrogênio.

Ãœ Em áreas irrigadas: a qualidade da água é muito importante, e deve-se reduzir a frequência das regas em períodos favoráveis à doença. Em geral, sistemas por gotejamento reduzem de forma significativa a disseminação da antracnose.

Ãœ Manejo correto das plantas daninhas, de forma a evitar o acúmulo de umidade entre as plantas.

Ãœ Eliminação de folhas, frutos doentes e restos de cultura (fonte de inóculo). Esse material deve ser incorporado ao solo fora do pomar.

Ãœ Utilização de quebra ventos, que reduzem ventos fortes e chuvas, minimizam a disseminação de pragas e doenças, protegem a planta de poeira, reduzem ferimentos em folhas e conservam os inimigos naturais.

Ãœ Realizar a colheita antecipada em áreas onde a ocorrência de antracnose é alta. Evitar, também, a colheita de frutos úmidos e o armazenamento prolongado dos frutos em locais de baixa ventilação.

Essa matéria completa você encontra na revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de junho. Adquira a sua para leitura completa.

 

 

ARTIGOS RELACIONADOS

Uso do mulching no plantio do cafeeiro

Impulsionado pela crescente falta d'água, dificuldades com mão de obra e a busca pelo aumento de produtividade e qualidade, o uso do mulching vem...

Univap desenvolve processo inovador para melhorar a produção de biocombustíveis com bagaço de cana

O bagaço da cana-de-açúcar é um valioso recurso para a geração de energia limpa e está em estudo pela Universidade do Vale do Paraíba...

Manejo nutricional da alface – O que é preciso saber

O manejo nutricional da cultura da alface depende bastante do sistema de plantio utilizado, ou seja, se a hortaliça será produzida de forma orgânica, convencional, hidropônica ou em sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH).

Produtores defendem agricultura irrigada para impulsionar produtividade

Com somente 8% da área ocupada com a produção irrigada, agricultores do Oeste da Bahia apoiam estudo para implantar sistema de monitoramento dos recursos hídricos para...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!