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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Antracnose – Doença de final de ciclo do feijoeiro

Carla Verônica Corrêa

Engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia, UNESP/Botucatu

cvcorrea1509@gmail.com

Letícia Galhardo Jorge

Graduanda em Ciências Biológicas, UNESP/Botucatu

leticia_1307@hotmail.com

Bruno Novaes Menezes Martins

Engenheiro agrônomo e doutorando em Agronomia, UNESP/Botucatu.

brunonovaes17@hotmail.com

Crédito Giovani Belutti Voltolini
Crédito Giovani Belutti Voltolini

A antracnose do feijoeiro (Colletotrichum lindemuthianum) é uma doença fúngica que afeta as lavouras cultivadas, principalmente em locais com temperaturas que variam de moderadas a frias e alta umidade relativa do ar.

Outro fator que auxilia o desenvolvimento da doença é a utilização de sementes contaminadas pelo fungo. Quanto mais precoce for o aparecimento da doença, maiores serão as perdas, que podem atingir 100%, quando são utilizadas sementes de baixa qualidade e quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento do fungo.

Em geral, ocorre redução do rendimento da cultura, da sua produtividade e depreciação dos grãos, uma vez que ocasionam manchas, tornando-os impróprios para o consumo.

Sintomas do ataque

Os sintomas aparecem em todos os estágios de desenvolvimento da cultura. Nas folhas ocorre o aparecimento de lesões, inicialmente na face de baixo da folha, ao longo das nervuras, com pequenas manchas de cor pardo-avermelhada, que se tornam escuras.

A antracnose é mais fácil de ser reconhecida nas vagens, onde as lesões, que caracterizam os sintomas, se apresentam de forma arredondada, deprimida, de tamanho variável e com o centro claro, sendo delimitadas por um anel negro, um pouco saliente, rodeado por uma borda de cor café avermelhada.

Quando as condições de umidade e temperatura são favoráveis, forma-se no centro das lesões uma massa de esporos de coloração rosada. Nas sementes formam-se lesões nos tecidos dos cotilédones. As sementes contaminadas apresentam-se descoloridas e com lesões amarelas ou escuras.

A antracnose ocorre em todos os estágios de desenvolvimento da cultura. O ataque da doença é altamente favorecido pelas condições ambientais, como temperaturas amenas e alta umidade relativa do ar, ou seja, frio e chuva contribuem para a disseminação e desenvolvimento do patógeno.

A disseminação do patógeno ocorre a curta distância por meio de respingo de chuva, implementos agrícolas, insetos, e a longa distância por meio de sementes infectadas. Além disso, o patógeno sobrevive de um cultivo para o outro por meio de micélios dormentes no interior do tegumento de sementes ou nos restos culturais na forma de esporos.

Sintomas de antracnose na vagem do feijoeiro - Crédito Claudinei Kappes
Sintomas de antracnose na vagem do feijoeiro – Crédito Claudinei Kappes

Medidas para evitar prejuízos

Entre as principais medidas de controle estão: utilização de sementes sadias e/ou tratamento de sementes; rotação de culturas, uma vez que o patógeno produz micélios dormentes e permanece em restos culturais; utilização de cultivares resistentes e utilização de fungicidas indicados para a antracnose.

O produtor deve monitorar a lavoura, observando o aparecimento dos primeiros sintomas. Esse monitoramento deve ser intensificado em condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do patógeno, ou seja, temperaturas baixas e umidade elevada.

Assim, realiza-se a primeira aplicação preventiva no estádio V1 e a segunda de 10 a 15 dias após a primeira aplicação,tanto para condições favoráveis à doença como em região com alta incidência e/ou aumento do progresso da doença. A terceira ou quarta aplicação deve ser feita após o florescimento, quando as condições ambientais forem favoráveis ao patógeno, ou região com alta incidência e em caso de aumento progressivo da doença.

Outro fator que deve ser levado em consideração é o manejo de resistência. Desta forma, deve-se utilizar a rotação de fungicidas com modo de ação diferente.

 

Todo cuidado é pouco

O investimento no manejo da antracnose envolve o emprego de sementes livres do patógeno ou o tratamento de sementes. Além disso, a utilização de fungicidas ao longo do ciclo da cultura é recomendável.

Outro cuidado que o produtor deve ter é a realização de rotação de cultura que não seja hospedeira do fungo, como por exemplo, com milho, permitindo a redução de inóculo do patógeno.

Também deve priorizar a utilização de genótipos adequados para a região de cultivo e que apresentem resistência à antracnose, permitindo a redução de custos com aplicação de fungicidas e, consequentemente, maior garantia de produção da cultura.

 

Detalhes que fazem a diferença

Atualmente, são vários os fungicidas indicados para o controle da antracnose. O produtor deve se atentar à dose, aos intervalos de aplicação e à rotação de moléculas, com o objetivo de garantir a eficiência do produto e o adequado controle da doença.

Os benefícios com o correto manejo é dependente das técnicas empregadas, como a utilização de sementes sadias, rotação de cultura, manejo dos fungicidas, emprego de genótipos resistentes que contribuam para a redução de custos com aplicação de fungicidas, redução da incidência da doença, alta produtividade da cultura, produção de grãos com qualidade para maior aceitabilidade no mercado e redução do inóculo para cultivos posteriores.

Custo

O custo do manejo é, principalmente, em função do emprego de fungicidas, o que dependerá do produto empregado e da quantidade de aplicação a ser efetuada. Assim, o produtor deve ficar atento a todas as formas de manejo descritas acima, com o objetivo de reduzir a incidência da antracnose. Os benefícios resultantes do manejo correto são a garantia da máxima produtividade do feijoeiro, uma vez que a antracnose pode resultar em perdas expressivas.

Essa matéria você encontra na edição de Agosto 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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