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Aplicação de fósforo pode dobrar a produtividade do eucalipto

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Crédito Shutterstock
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O fósforo é um dos elementos essenciais para as plantas, por cumprir várias funções, entre elas, aquelas ligadas à transferência de energia dentro do vegetal.A boa nutrição com fósforo é fundamental para que a obtenção deplantas sadias e produtivas.

Segundo Júlio César Lima Neves, professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, o fósforo pode dobrar a produtividade do eucalipto, fato constatado, no passado, em experimentos de campo e em plantios comerciais da cultura.

“Um trabalho clássico realizado por volta de 2002 revisou todos os trabalhos feitos no Brasil com fósforo em eucalipto, e constatouaumento de produtividade do eucalipto em resposta ao fósforo da ordem de 97 a 120%. Isso é aplicável à época em que as empresas florestais não praticavam o nível de fertilização com fósforo, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo, que já há um bom tempo pratica“, pondera o professor.

Crédito Miriam Lins
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Atualmente, não se deve esperar que a empresa florestal ou o fazendeiro florestal que pratica bom padrão de fertilização fosfatada vá obter ganhos dessa magnitude. Júlio Neves explica que atualmente os ganhos são muito menores porque os patamares de produtividade já são muito maiores e a tecnologia de fertilização fosfatada usualmente adotada é muito superior à que havia no passado, por exemplohá cerca de 40 anos atrás.

O fósforo é um dos nutrientes absolutamente fundamentais para que se consiga manter a produtividade dos plantios de eucalipto em altos níveis.Nesse sentido, a nutrição mineral dos plantios, particularmente com fósforo, é extremamente importante para que as florestas sejam produtivas agora e no futuro, ou seja, para a sustentabilidade da produção da cultura do eucalipto.

Opções

Há três questões centrais a responder para a definição de um adequado programa de fertilização de culturas: Qual nutriente deve ser aplicado ao solo? Quanto aplicar do nutriente? Como aplicar o nutriente?

O diagnóstico da fertilidade do solo e a prescrição das doses de nutrientes a adicionar, de modo a atender à demanda nutricional da cultura considerando às quantidades de nutrientes que o solo é capaz de suprir,permitem responder àsduas primeiras questões. Já a resposta à terceira questão, fundamental para dar qualidade ao programa de fertilização, relaciona-se ao manejo da fertilização, que, por sua vez, envolve a escolha da fonte fertilizante, do modo de localização do fertilizante, da época da fertilização, principalmente.

Existem vários tipos de fontes fertilizantes fornecedoras de fósforo, quediferem quanto a vários aspectos, tais como:concentração de fósforo, grau de solubilidade evelocidade de liberação do elemento para o solo, concentração e diversidade denutrientes acompanhantes.

“Como existem essas diferençasentre as fontes fertilizantes, isso condicionadiferentes modosdos fertilizantes serem aplicados. Assim, alguns fertilizantes fosfatados devem ser aplicados de modo localizado, ou seja, nas covas de plantio, ou em covetas laterais – que são covas pequenas ao lado da principal, onde a muda foi colocada, ou mesmo ao longo do sulco em filete contínuo ou intermitente; outras fontes fertilizantesdevem ser aplicadas em faixas,com cerca de 70 cm de largura, ou,em alguns casos,até na área como um todo“, esclarece Júlio Neves.

Também, para uma mesma fonte fertilizante, há diferenças quanto à natureza física (em pó ou em grânulos)que ocasionam diferenças na velocidade de liberação de fósforo para o solo e para a planta.

O importante, segundo o professor, é fazer uso da combinação mais adequada desses fatores: dose, fonte fertilizante, localização e época.

Retenção do fósforo

Por exemplo, nos solos argilosos, notadamente naqueles com altos teores de óxidos de ferro e de alumínio, constituintes mineralógicos abundantes em boa parte dos solos brasileiros, Júlio Neves explica que o solo retém o fósforo com energia tão elevada que muitas vezes a planta não consegue mais aproveitar esse elemento.

“Os solos de regiões tropicais, que geralmente são mais velhos do ponto de vista geológico, funcionam como um “buraco negro“ em relação ao fósforo, e não devolvem o nutriente, depois de retê-lo, aprisioná-lo“, compara o professor da UFV, por isso é tão importante o ajuste fino da dose e do manejo da adubação.

Essencialidade

“O arranque, o crescimento inicial das plantas,é muito dependente de se aplicar uma fonte solúvel de fósforo, e como tal temos várias opções: O super fosfato simples, o super fosfato triplo, o MAP ou DAP (fosfatos de amônio), os fertilizantes NPK ricos em fósforo, todos esses fertilizantes fosfatados liberam prontamente o fósforopara o solo, podendo, assim, suprir adequadamente a necessidade inicial de fósforo que todas as plantas têm, em especial o eucalipto“, explica Júlio Neves.

Ainda segundo o professor, essa alta necessidade inicial de fósforose dá porque, quando a planta começa a crescer o carbono que vem da fotossíntese será usado prioritariamente para a produção de raízes. E as raízes, notadamente as raízes absorventes (finas), são extremamente dependentes de alto suprimento de fósforo.

Assim uma prática comum nos viveiros de produção de mudas é a imersão das bandejas de mudas em uma solução fertilizante contendo fósforo na forma de MAP, prática essa que estimula ainda mais o crescimento inicial e a atividade das raízes finas.

 

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