Aplicação de regulador de crescimento na Cotocultura

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Algodão – Crédito: Shutterstock

Por: Bianca Simoni Kancelkis

O cultivo do algodão vem crescendo de forma substancial no Brasil, devido ao crescimento constante da demanda pelo produto. Para uma produção de qualidade, o desenvolvimento entre as partes reprodutivas e vegetativas deve ter seu equilíbrio muito bem equalizado para que a planta possa ser capaz de produzir uma fibra com alta qualidade e valor agregado. Para que isso aconteça o fator crucial é o controle de crescimento, o que representa um desafio para os cotonicultores, principalmente devido a fatores climáticos e topográficos que muitas vezes não são devidamente considerados nas informações de manejo, e acabam influenciando na eficiência do processo.
Por se tratar de uma planta de crescimento indeterminado mesmo na fase reprodutiva, o algodão continua desenvolvendo estruturas vegetativas que acabam por competir fotoassimilados umas com as outras. Se o manejo do regulador não for correto, a planta fica com um dossel desenvolvido e abundante, gerando sombreamento e propiciando o aumento de pragas e doenças, podendo ocorrer a redução da produtividade pelo apodrecimento de maçãs. Sem o manejo adequado da taxa de crescimento, as plantas ficam mais altas ou mais baixas. Se ficarem mais altas, dificulta o trato e o manejo, prejudicando também a colheita mecanizada, se ficarem mais baixas que o ideal, a produtividade cai e dificulta a produção de novas maçãs, influenciando na qualidade da fibra. O que se recomenda é que plantas sejam mantidas entre 1 a 1,2 metros, plantas com alturas superiores podem gerar tombamento e sombreamento, diminuindo a qualidade da fibra e do produto final.
A aplicação de reguladores de crescimento é o recurso principal que o cotonicultor tem disponível para realizar o manejo do crescimento da cultura. Uma questão muito importante é descobrir o momento correto para a aplicação destes reguladores, pois isso vai determinar sua produtividade e a regularidade e uniformização do dossel em todo o talhão. Esta condição, determina também, a diminuição de competição entre plantas, o melhor manejo das pragas e diminuição de doenças, auxiliando na uniformidade de, aplicação e penetração dos defensivos e aumentando sua retenção e uniformidade na cultura. Além de auxiliar na determinação do aumento de peso dos frutos e melhora da qualidade da fibra, permitindo que os tamanhos dos galhos fiquem de forma a atingir o seu ponto de manejo ideal.
A grande questão é quando realizar a aplicação. O recomendado é quando as plantas apresentam os primeiros botões florais, porém neste momento a dose tem que ser muito bem regulada, pois erros de dosagem nesta fase deverá prejudicar a planta de forma irreversível afetando toda sua capacidade produtiva. Para tanto, deve-se levam em conta o tamanho da planta para a aplicação, verificando-se diariamente por meio de medição dos cinco nós do ponteiro da planta, sendo o melhor momento quando o comprimento médio dos entre nós do ponteiro for maior que 3,5 cm.
A metodologia utilizada para o acompanhamento posterior a aplicação é realizada por meio de gráfico específico, que deverá demonstrar as taxas de crescimento ideal. O monitoramento deverá ser realizado durante todo o tempo de cultivo, registrando as taxas de crescimento. Essa é a melhor maneira de manter a gestão de crescimento pós aplicação.
O acompanhamento do crescimento deve levar em consideração os fatores de topografia e questões climáticas e edafoclimáticas da região onde a cultura se encontra. Essas questões podem influenciar muito no desenvolvimento da planta, impedindo a aplicação uniforme dos reguladores, pois dependendo da situação, deve-se fazer a escolha do cultivar levando-se em conta esses fatores.
Deve-se fazer um cálculo de taxa de aplicação diferente para cada cultivar, pois isso deverá mudar para cada tipo. Cada fabricante tem especificado em suas recomendações as dosagens mais assertivas para cada caso.
O melhor momento para a aplicação são as horas do dia de menor temperatura, para diminuir a perda por volatilização e a redução de eficiência do produto. Além desses fatores, ainda é necessário considerar outras questões que possam interferir no uso de reguladores de crescimento como a população de plantas, que pode destacar o efeito de uso. A época da semeadura, pois em semeaduras tardias podem ocorrer a redução de plantas e o incremento da produtividade.
O produtor deve ficar de olho na temperatura, pois a melhor eficiência costuma ser obtidas em temperaturas diurnas em média de 30 graus Celsius e noturnas de 20 graus Celsius. Forma de aplicação, pois para garantir melhores resultados na cultura é ideal que se faça o parcelamento das doses. A época da aplicação deve ser respeitada pois se adiantar a época de aplicação a produção e qualidade podem ser afetadas de forma significativa.
Doses elevadas de adubação nitrogenada favorece o crescimento vegetativo excessivo, aumentando a necessidade de utilização dos reguladores. Períodos de chuvas entre aplicações é um fator importante a ser observado, pois o regulador precisa ser absorvido pela cultura, o período entre a aplicação e a chuva deve ser superior a períodos de 8 horas.
O uso de herbicidas pós emergentes pode interferir no crescimento das plantas de algodão pois cada cultivar reagem de uma forma diferente a herbicidas, o que pode acabar prejudicando o regulador de crescimento.
Se todos estes cuidados forem tomados, o cotocultor terá sucesso na gestão do crescimento da sua cultura, aumentando sua produtividade e a qualidade da fibra.

(*) Bianca Simoni Kancelkis é sócia da ISEG Corporation, exerce o cargo de Coordenadora da divisão Agrícola e Ambiental da empresa. Engenheira Agrônomo formada pela Universidade Estadual Paulista – UNESP de Jaboticabal, com mestrado em Geotecnia pela Universidade de São Paulo (USP), especialização pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros – (ESALQ USP)