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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Aplicação inicial de fungicidas na soja é essencial contra doenças

Autores

Amanda Sabino do Nascimento
amandasabinonascimento@outlook.com
Bruna Cristina de Andrade
andradebruna2020@gmail.com
Engenheiras agrônomas e mestrandas em Proteção de Plantas/Fitopatologia – Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Lorrant Cavanha Gabriel
Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Proteção de Plantas/Fitopatologia – UEM
lorrantcg@hotmail.com
Gessika Tres
Engenheira agrônoma, mestra e doutoranda em Produção Vegetal/Manejo de Culturas – Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
gessika_tres@hotmail.com
Crédito: Case IH

A cultura da soja é uma das mais importantes da agricultura brasileira, sendo cultivada em todas as regiões do País. Porém, quando se pensa em produção de grãos, a colheita resulta do efeito de um conjunto de fatores que contribuíram para o sucesso da lavoura até aquele momento. Dentre esses fatores, o combate às doenças que afetam a cultura ao longo do ciclo é um dos principais no que diz respeito ao alcance de altas produtividades.

Assim, o cuidado com a sanidade da lavoura deve ser observado desde a semeadura, com o tratamento das sementes, a fim de controlar patógenos que podem ser transmitidos dessa forma e, em casos de estresses ambientais que a cultura pode sofrer, evitar que patógenos que se encontram nos solos ataquem as plântulas e causem danos ainda maiores, garantindo assim um bom estande de plantas.

Porém, uma grande parte dos agricultores ainda se mantém em dúvida em relação à aplicação de fungicidas após a emergência das plântulas: a chamada aplicação inicial, na fase vegetativa. Afinal, é preciso aplicar fungicidas nesse período? Há defensores dessa prática. Vamos entender o porquê.

No campo

Muitos estudos têm mostrado que a aplicação de fungicidas no início do ciclo da cultura pode ajudar a proteger a soja de doenças como oídio, antracnose e o conjunto de manchas foliares, como a mancha-alvo, nas regiões onde essas doenças são importantes.

Com a presença da soja no campo, esses fungos já começam a ser depositados sobre as folhas das plantas e iniciam a infecção no tecido vegetal. Portanto, se a aplicação de fungicida é realizada nesse período, o período reprodutivo se encontrará mais protegido contra as doenças.

Dessa forma, a implantação da técnica deve ser feita pela aplicação realizada preventivamente até os primeiros 30 dias após a emergência das plantas, com fungicidas como triazóis, que possuem um amplo espectro de controle de manchas foliares. Uma grande variedade de produtos se encontra disponível no mercado, devendo o produtor escolher junto com seu engenheiro agrônomo a melhor opção.


Alerta

Vale ressaltar que, ao longo do ciclo da planta, a rotação de princípios ativos que serão aplicados é muito importante, pois a utilização de um mesmo princípio ativo pode reduzir a eficiência do fungicida e aumentar, por meio da seleção, a quantidade de fungos resistentes na lavoura.

São inúmeros os fatores limitantes que a sojicultura enfrenta, desde intempéries climáticas até os desafios no manejo de uma gama imensa de patógenos que acomete a cultura. Um olhar atencioso e cuidador do produtor é essencial para conduzir a lavoura. A tomada de decisão conta com o planejamento prévio e possivelmente é de se esperar o êxito na proteção do cultivo.

O produtor deve se atentar ao manejo consciente desse complexo de doenças que ataca a soja. O mesmo deve ser alocado ao correto time de aplicação afim de precaver o cultivo de possíveis perdas na produção final, sendo essas, produtividade (kg/ha) e qualidade.

Observa-se que mesmo diante do conhecimento de que se deve realizar a aplicação 0 até no máximo 30 dias (cinco folhas verdadeiras – V5), essa aplicação tem sido feita mais tardia nas lavouras. Tal prática inviabiliza o potencial de ação do fungicida sobre os patógenos, podendo-se observar sintomas de doença posteriormente, mesmo diante da aplicação


Aplicações

Outro ponto de destaque são os intervalos entre as aplicações. Os produtores tendem a trabalhar com as aplicações calendarizadas, mas ainda assim tem se observado discrepância de dias em relação ao programado. As aplicações tendem a variar de 12 a 20 dias, nem mais e nem menos. Lembrando sempre que esse intervalo varia entre regiões.

Quando se trata de ferrugem, existem três grupos químicos sítio-específicos que são usados na sua remediação e controle: triazóis, estrobirulinas e carboxamidas. A rotação de grupos químicos garante ao produtor a utilização da molécula por período prolongado no plantio da soja.

Isso pois o fungo Phakopsora pachyrhizi produz esporos em grandes quantidades, podendo sofrer seleção para biotipos menos sensíveis ou resistentes quando esses fungicidas são aplicados continuamente sob grande pressão de doença. Assim, para otimizar o maior tempo de viabilidade da molécula, é indicada a rotação dos grupos químicos e fungicidas, pois os fungicidas têm diferentes mecanismos de ação.

De olhos bem abertos

Estar em alerta e monitorar a lavoura são comprometimentos que o sojicultor e o agrônomo responsável devem se responsabilizar para evitar epidemias de ferrugem por exemplo. O clima chuvoso ou úmido desencadeia a disseminação de focos de ferrugem por longas distâncias.

A velocidade do vento é um dos fatores, na hora da aplicação, que mais prejudica a eficiência da aplicação. A velocidade adequada é de 6,0 km/h até no máximo 8,0 km/h. Outros fatores que possuem participação na perda de eficiência são a falta de treinamento adequado do operador, temperatura de aplicação, umidade relativa, a velocidade do trator, tipo de bico e regulagem do pulverizador.        

Outro ponto de destaque é a aplicação sem Equipamento Individual de Proteção (EPI). Infelizmente, muitos agricultores e funcionários deixam de usar os equipamentos alegando dificuldade de movimentação, coceira, calor e até mesmo a falta de EPI.

Vale destacar que, segundo a Norma Regulamentadora 31 do Ministério do Trabalho e Emprego, é obrigatório ao empregador fornecer, orientar e treinar o empregado rural no uso dos equipamentos. Portanto, use EPI!

Manejo preventivo

É importante enfatizar a grande importância do manejo preventivo. A utilização de fungicidas é um dos vértices do triângulo no manejo de doenças. A integração das práticas se acerca do controle químico, biológico e cultural.

A adoção do manejo integrado de doença resulta em boas práticas de controle e evita o problema de resistência dos patógenos aos fungicidas. O emprego das medidas de controle minimiza perdas e, portanto, assegura a produtividade.

O controle químico tem grande papel na uniformidade do estande e desempenha uma considerável função no acréscimo da produtividade. As pesquisas apresentam dados consistentes e robustos no que tange maiores respostas da soja em termos de rendimento de grãos frente à utilização de fungicidas preventivos.

Há dados demonstrativos em campo de que a aplicação de fungicidas foliares pode aumentar em até 17% o rendimento final de grãos quando comparado aos cultivos sem proteção prévia. Quando extrapolamos para produtividade, é observado um aumento de quase 10 sacas por hectare. 

A proteção consciente na sojicultura representa um desafio no campo, no entanto, essa medida é crucial na tomada de decisão para os produtores que almejam máxima produtividade e o maior rendimento na safra.

Para a soja, além da ferrugem asiática, outras doenças também influenciam de forma limitante a obtenção de altas produtividades. A fim de evitar a colonização de patógenos na planta, produtores efetuam de três a quatro pulverizações preventivas de fungicidas por safra, via aérea, muito embora o número de aplicações dependa da região e ano agrícola. Na safra de 2017/18, a média de pulverizações para controle da ferrugem asiática foi de 3,2.

Custo x retorno

O custo médio para produção de soja na região oeste do Paraná na safra 2018/19 foi em torno de 22 sacas por hectare, sendo que aproximadamente 20% deste custo é relacionado à pulverização de fungicidas, esta porcentagem com uso dos mais frequentes, como carboxamidas, estrobilurinas, triazóis e protetores.

Já a ausência de controle da ferrugem pode causar redução de produtividade de até 39%, já as doenças de final de ciclo, como a mancha-alvo, podem chegar a quase 16%.

Dados como estes mostram a viabilidade de controle de doenças com potencial de ocorrência em alta severidade. Vale ressaltar, que através da relação severidade e incidência da doença, é possível avaliar tecnicamente a cultura em detrimento da pulverização calendarizada. O monitoramento e os coletores de esporos auxiliam na tomada de decisão para o melhor manejo.

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