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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Aprenda a plantar cenoura

Detalhes que podem fazer diferença

Paula Almeida NascimentoDoutoranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)paula.alna@yahoo.com.br

Cenoura – Crédito: Shutterstock

A cenoura é uma hortaliça da família Apiaceae, do grupo das raízes tuberosas, cultivada em larga escala nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul do Brasil. Os principais municípios produtores são: São Gotardo (Minas Gerais); Piedade, Ibiúna e Mogi das Cruzes (São Paulo); Marilândia do Sul (Paraná); Irecê (Bahia); Caxias do Sul (Rio Grande do Sul) e Cristalina (Goiás).

Desta forma, a cenoura é cultivada em todo território nacional. Anualmente, ocupa área superior a 30 mil hectares, com a produção de mais de 900 mil toneladas de raízes. Está entre as 10 hortaliças mais plantadas do País. É conhecida cientificamente como Daucus carota L.

Há diferentes sistemas de produção de cenoura utilizados no Brasil. O mais apropriado para agricultura familiar é o de plantio a campo aberto em canteiro com o uso de sistema de irrigação por aspersão convencional.

Sobre o cultivo

A cenoura é uma hortaliça de bom desenvolvimento sob clima ameno e começou a ser produzida por aqui em áreas mais frescas em algumas regiões brasileiras dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

A raiz da cenoura apresenta a coloração alaranjada intensa, o que indica riqueza de caroteno. As cenouras podem ter formato cilíndrico ou cônico. As cilíndricas são do grupo Nantes, de origem francesa, recomendadas para o plantio em época fria, devido à sensibilidade a doenças de folhagem.

As ligeiramente cônicas pertencem ao grupo Brasília. Foram obtidas a partir de um programa de melhoramento para o cultivo no verão desenvolvido, inicialmente, pela Embrapa Hortaliças.

Características

A cenoura pode ser roxa, vermelha e até branca ou amarela. Tem cenoura que germina no inverno, tem cenoura de verão, cenoura que gosta de frio, outras nem tanto. A cor alaranjada mostra que a cenoura é rica em betacaroteno, contém muitos sais minerais como fósforo, cloro, potássio, cálcio e sódio, necessários ao bom equilíbrio do organismo e vitaminas do complexo B, que ajudam a regular o sistema nervoso e as funções do aparelho digestivo.

Clima

As temperaturas de 10 a 15ºC favorecem o alongamento e o desenvolvimento de coloração das cenouras, enquanto que temperaturas superiores a 21ºC estimulam a formação de raízes curtas. Existem cultivares que formam boas raízes sob temperaturas de 18 a 25ºC. Em temperaturas acima de 30ºC, a planta tem o ciclo vegetativo reduzido, o que afeta o desenvolvimento das raízes e a produtividade.

Temperaturas baixas, associadas a dias longos, induzem o florescimento precoce, principalmente daquelas cultivares que foram desenvolvidas para plantio em épocas quentes do ano. A faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme é de 20 a 30ºC, dando-se a emergência de sete a 10 dias após a semeadura.

A alta umidade relativa do ar, associada a temperaturas elevadas, favorecem o desenvolvimento de doenças nas folhas durante a fase vegetativa da cultura.

Solos

As propriedades físicas, como textura, estrutura e permeabilidade e as propriedades químicas e biológicas do solo afetam a produtividade e a qualidade das raízes de cenoura. Assim, deve ser dado preferência aos solos de textura média, com adequados níveis de nutrientes e matéria orgânica e pH em torno de 6,0.

O preparo do solo consta de aração, gradagem e levantamento dos canteiros. Os canteiros devem ter 0,80 m a 1,40 m de largura, 15 a 30 cm de altura, dependendo do equipamento utilizado e devem estar distanciados uns dos outros em 30 cm.

Na semeadura manual, os sulcos nos canteiros, para a distribuição das sementes, pode ser feito transversal ou longitudinalmente. A produtividade da cultura varia de acordo com o clima, ou seja, no inverno fica entre 30 e 40 toneladas por hectare e no verão oscila entre 20 e 30 toneladas por hectare.

Correção do solo

O pH do solo para o cultivo da cenoura deve estar em torno de 6,0 a 6,5. A elevação exagerada do pH pode causar reduções na produção por diminuir a disponibilidade de micronutrientes com boro, cobre, ferro, manganês e zinco.

Recomenda-se realizar análise de solo da área de plantio. A aplicação do corretivo deve ser feita com antecedência de dois a três meses do plantio. Metade da quantidade calculada do calcário deve ser aplicada antes da aração e a outra metade antes da gradagem.

Adubação orgânica

A cenoura responde à adubação orgânica, especialmente em solos de baixa fertilidade e/ ou compactados. É fundamental que o adubo esteja bem curtido. Recomenda-se, em geral, o esterco de galinha na dosagem de 10 toneladas por hectare.

Além de ser mais rico em nutrientes, principalmente cálcio, não contamina o solo com sementes de plantas invasoras. Caso utilize esterco de gado, recomendam-se 30 toneladas por hectare, e não tendo condições de tempo, outra opção de adubação com material orgânico/vegetal é o plantio de adubos verdes, que proporcionam muitos benefícios ao sistema solo.

O principal benefício é o condicionamento do solo, gerando economia quando as plantas leguminosas são utilizadas, pois fornecem nutrientes, especialmente o nitrogênio. Alguns exemplos de plantas que são adubos verdes: crotalárias, mucunas, feijão de porco, feijão-guandu e nabo-forrageiro.

Adubação química

A quantidade de fertilizantes a ser utilizada é calculada com base na análise química do solo. Além do fósforo e do potássio, devem ser aplicados no plantio nitrogênio, boro e zinco. A adubação em cobertura deve ser feita com nitrogênio.

Cultivares e suas principais características

As principais cultivares de cenoura disponíveis no mercado podem ser agrupadas nos seguintes grupos:

Nantes:

• Cultivar de origem francesa;

• As plantas têm folhagem verde escura e podem atingir até 30 cm de altura;

• As raízes apresentam formato cilíndrico com 15 a 18 cm de comprimento, 3,0 a 4,0 cm de diâmetro e coloração alaranjada escura;

• Esta cultivar é muito sensível às doenças de folhagem, não sendo recomendável o seu cultivo em estação chuvosa e quente;

• Por sua exigência em temperaturas amenas, é recomendada para plantio em época fria;

• Seu ciclo vegetativo é de 90 a 110 dias;

• Existem diversas cultivares deste grupo disponíveis no mercado.

Kuroda:

• As plantas apresentam folhagem vigorosa, com até 50 cm de altura;

• As raízes são cônicas, de coloração vermelha-alaranjada e apresentam a película bastante delicada;

• O comprimento das raízes varia entre 15 e 20 cm;

• As cultivares deste grupo apresentam tolerância a temperaturas mais elevadas e resistência às doenças de folhagem, quando semeadas no verão de regiões quentes;

• Elas não são recomendadas para semeaduras sob condições de clima ameno, pois suas características não permitem competir em qualidade com as do grupo Nantes;

• Seu ciclo vegetativo é de aproximadamente 100 dias;

• Diversas cultivares deste grupo estão disponíveis no mercado.

Brasília:

• Resultou de um programa de melhoramento de cenoura para cultivo no verão desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças – Embrapa Hortaliças e Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ;

• As plantas têm porte médio de 25 a 35 cm, com folhagem vigorosa e coloração verde escura;

• As raízes são cilíndricas, com coloração alaranjada clara e baixa incidência de ombro verde ou roxo;

• O comprimento varia de 15 a 22 cm e o diâmetro de 3,0 a 4,0 cm;

• É resistente ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro, sob condições de dias longos;

• Tem alta resistência de campo à queima-das-folhas, produzindo em média 30-35 t/ha nas condições de verão;

• A colheita pode ser efetuada de 85 a 100 dias após a semeadura;

• É recomendada para semeaduras de outubro a fevereiro nas regiões centro-oeste, norte e nordeste do Brasil, embora esteja sendo utilizada, com sucesso, em todo o País;

• Existem diversas cultivares deste grupo disponíveis no mercado.

Kuronan:

• Resultou também de um programa conjunto de melhoramento de cenoura para cultivo no verão, desenvolvido pela Esalq e a Embrapa Hortaliças;

• As plantas têm folhagem vigorosa, com coloração verde clara brilhante, com 35 a 45 cm de altura;

• As raízes são ligeiramente cônicas, de coloração alaranjada-escura e baixa incidência de ombro verde ou roxo;

• O comprimento das raízes varia entre 15 e 20 cm e o diâmetro entre 3,0 e 4,0 cm. Resiste bem ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro sob condições de dias longos;

• Apresenta boa resistência de campo à queima-das-folhas, e produz em média 30 t/ha, quando semeada em estação quente e chuvosa;

• A colheita inicia-se 95 a 120 dias após a semeadura;

• É recomendada para semeaduras de novembro a março na região sudeste do Brasil.

Tropical:

• Cultivar desenvolvida pela Esalq;

• As plantas têm folhagem verde escura e apresentam mediana resistência de campo à queima-das-folhas;

• As raízes são ligeiramente cônicas;

• Esta cultivar é muito sensível ao florescimento prematuro sob condições de dias longos, apresentando pequena exigência em frio para diferenciação da gema floral. Por isto, a produção de raízes deve ser programada para estação fria e/ou sob condições de dias curtos.

Prima:

• Cultivar desenvolvida pela Agroflora para o plantio de primavera e outono (semeaduras de meados de setembro até início de novembro);

• Apresenta ótimo vigor de folhagem, boa resistência à queima-das-folhas e ao florescimento prematuro;

• As raízes têm formato cilíndrico, com boa coloração externa e interna das raízes, e, baixa incidência de ombro verde ou roxo;

• O ciclo normal desta cultivar é de aproximadamente 100 dias.

Nova Carandaí:

• Cultivar desenvolvida pela Agroceres;

• Apresenta comprimento de folhagem de 40 – 50 cm, ciclo vegetativo de 80 a 90 dias e resistência à queima-das-folhas;

• As raízes são de cor alaranjada, com formato cilíndrico, variando de 16 a 18 cm de comprimento;

• Apresenta tolerância ao calor.

Harumaki Kinko Gossum:

• Cultivar de origem japonesa com ampla adaptação climática;

• Apresenta baixos níveis de florescimento e relativa tolerância à queima-das-folhas, produzindo bem em condições de alta e baixa temperatura;

• Possui plantas vigorosas de porte alto, com 40 a 50 cm de altura, e coloração de folhagem verde clara;

• As raízes são cilíndricas, com ombro largo, ponta arredondada, comprimento variando de 16 a 18 cm, coloração laranja-avermelhada;

• A colheita começa aos 90 dias após a semeadura.

Alvorada:

• Cultivar desenvolvida pela Embrapa Hortaliças;

• As plantas têm porte médio 30 a 35 cm, com folhagem vigorosa e coloração verde escura;

• As raízes são cilíndricas, com coloração alaranjada intensa, muito baixa incidência de ombro verde ou roxo;

• O comprimento varia de 15 – 18 cm com diâmetro de 3 a 4 cm;

• As raízes apresentam uniformidade de coloração entre o xilema e o floema, e teor de carotenoides totais da ordem de 12 mg/100 gr de raiz;

• É resistente ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro sob condições de dias longos;

• Tem alta resistência de campo à queima-das-folhas e aos nematoides formadores de galhas, produzindo em média 30 – 35 t/ha nas condições de verão;

• A colheita pode ser efetuada de 100 a 105 dias após a semeadura;

• É recomendada para semeaduras de outubro a fevereiro nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, muito embora esteja sendo utilizada em outras regiões do País.

Plantio

O plantio da cenoura é feito com a semeadura direta no solo. As sementes são distribuídas uniformemente e em linha contínua nos sulcos com 1,0 a 2,0 cm de profundidade e distanciados de 20 cm entre si.

A distribuição das sementes pode ser feita manualmente ou com o emprego de semeadeira manual ou mecânica. Após a distribuição das sementes nos sulcos, estas devem ser cobertas com uma camada de 1,0 a 2,0 cm de altura de terra.

Já a utilização de semeadeiras mecânicas tem a vantagem de simultaneamente abrir os sulcos, distribuir as sementes e cobrir os sulcos com grande eficiência. A semeadura mecânica de precisão tem sido mais utilizada pelos grandes produtores. As semeadeiras mecânicas distribuem as sementes sobre os canteiros em faixas espaçadas de 20 cm entre si, sendo que cada faixa é constituída de duas ou três fileiras simples distanciadas 8,0 cm umas das outras.

Desta forma, deve se observar a profundidade de semeadura. As sementes de cenoura são pequenas, 840 sementes/grama, possuem pouca reserva e as plântulas que emergem são tenras e delicadas. Se a profundidade de semeadura for muito maior que 2,0 cm, as plântulas podem ter dificuldades em emergir ou até mesmo não emergirem.

A cenoura precisa ser cultivada em um solo ideal e que seja profundo, leve, rico em matéria orgânica, fértil e bem drenado. Irrigue quando necessário para manter o solo levemente úmido. Esta planta necessita de uma boa disponibilidade de água, mas o solo não deve permanecer encharcado, pois o excesso de água pode favorecer o apodrecimento das raízes ou o surgimento de doenças. O início da colheita pode ocorrer entre 60 e 120 dias, quando o cultivo é feito em condições ideais.

Raleio

O raleio tem como objetivo aumentar a disponibilidade de espaço, água, luz e nutrientes por planta. Na semeadura, as plântulas são dispostas em fileira contínua. O raleio torna-se uma operação indispensável para a obtenção de raízes de maior tamanho, mais uniformes e de melhor qualidade.

Deve ser feito aos 25 – 30 dias após a semeadura, deixando-se um espaço de 4,0 a 5,0 cm entre plantas. O atraso na realização do raleio também implica em redução da produção, em decorrência do aumento da competição entre plantas.

Irrigação

A produtividade e a qualidade das raízes de cenoura são intensamente influenciadas pelas condições de umidade do solo. Assim, para aumento de produção durante todo o ciclo da cultura é necessário aplicar certa quantidade de água.

O sistema de irrigação mais utilizado em pequenas áreas é o de aspersão convencional, enquanto em grandes áreas utiliza-se o sistema pivô central. Para determinar a quantidade de água, a lâmina a ser aplicada por irrigação e a frequência das irrigações e turno de rega, deve-se levar em consideração as condições de clima, tipo de solo e estádio de desenvolvimento das plantas. Do plantio até o raleio, as irrigações devem ser leves e com frequência.

Plantas daninhas

No início as plantas daninhas crescem mais vigorosas e é necessário manter as áreas de cultivo livres da interferência de plantas daninhas, pelo menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura se desenvolva, cubra suficientemente a superfície do solo e não sofra mais a interferência negativa delas.

O período crítico de interferência das plantas daninhas na cultura ocorre da terceira até a sexta semana após a emergência, variando de acordo com o banco de sementes no solo, condições edafoclimáticas e o sistema de cultivo. O controle das plantas daninhas pode ser feito por métodos culturais, manuais ou mecânicos, ou ainda químico, com o uso de herbicidas.

A escolha e a eficiência de uso de cada um desses métodos dependem da natureza e interação das plantas daninhas, da época de execução do controle, das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do programa de rotação de culturas, da disponibilidade de herbicidas e de mão de obra e equipamentos.

Os métodos culturais consistem de aração e gradagem da área com antecedência em relação ao plantio, de modo a favorecer a emergência das plantas daninhas e assim facilitar a sua eliminação pela capina ou incorporação por ocasião do levantamento dos canteiros.

As plantas daninhas podem ser eliminadas manual ou mecanicamente por ocasião do desbaste, com o emprego de enxada estreita entre as linhas de plantas. Entretanto, o cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas daninhas entre plantas nas fileiras e danificar as raízes da cenoura.

O controle químico das plantas daninhas destaca-se como um dos métodos de controle mais eficientes, possibilitando cultivar áreas extensas, com gasto reduzido de mão de obra na limpeza das plantas daninhas.

Quanto ao emprego de herbicida, a escolha deve ser feita de acordo com as espécies de plantas daninhas presentes e as características do produto (princípio ativo, seletividade, época de aplicação e efeito residual). Algumas das espécies de plantas daninhas comuns em plantações de cenoura são amendoim-bravo, azevém, capim-amargoso, capim-colonião, picão preto, tiririca roxa e outras.

O bom preparo do solo melhora o comportamento dos herbicidas de pré-emergência como linuron, oxadiazon e prometrine. Sempre que o solo for revolvido e submetido à umidade favorável, chuva ou irrigação, as sementes das plantas são estimuladas a germinar e desenvolver rapidamente.

Recomendações

Recomenda-se fazer o preparo do solo duas a três semanas antes do semeio para permitir a germinação, crescimento e o controle pós-emergente das plantas daninhas na área pela aplicação de herbicidas não seletivos de ação de contato, como diquat e paraquat, ou sistêmica como glyphosate, podendo ser realizada antes ou após o plantio.

Quando a aplicação é feita após o plantio sobre as plantas daninhas emergidas, quatro a seis folhas definitivas, e antes da emergência da cenoura, pode-se combinar herbicidas de ação residual (linuron, oxadiozon ou prometryne) em pré-emergência melhorando o espectro e tempo de controle.

As plantas emergidas são eliminadas pelos herbicidas de contato ou sistêmico e aquelas em processo de germinação pelos herbicidas residuais. Em áreas com baixa infestação pode-se aplicar herbicidas pós-emergentes como clethodim, fenoxaprop-p, fluazipfop-p, para o controle de gramíneas e linuron para o controle de dicotiledôneas.

Os herbicidas de pré-plantio devem ser aplicados com o solo bem preparado e incorporados até 10 cm de profundidade. Os herbicidas de pós-plantio ou pós-emergência devem ser aplicados quando as plantas daninhas estiverem ainda no início do desenvolvimento e quando as folhas estiverem enxutas.

Para aumentar a eficiência do controle, pode-se combinar a aplicação isolada dos herbicidas ou da mistura registrada dos princípios ativos, desde que observada a suscetibilidade das plantas daninhas e modo de ação e seletividade dos herbicidas.

Doenças

As doenças da cenoura são causadas por fungos, vírus, bactérias e nematoides. O controle destas enfermidades tem sido feito com cultivares resistentes, fungicidas e o uso correto das práticas culturais.

Podridão de pré e pós-emergência

Dentre os vários patógenos envolvidos na ocorrência de podridões em cenoura tem-se: Alternaria dauci, Alternaria radicina, Pythium sp., Rhizoctonia solani e Xanthomonas campestris pv. carotae.

A podridão de pré-emergência resulta em falhas no estande. Na podridão de pós-emergência, também chamada de tombamento, as plântulas apresentam um encharcamento na região do hipocótilo rente ao solo, provocando reboleiras de plantas tombadas ou mortas. O controle só é eficiente quando se utilizam sementes de boa qualidade, rotação de culturas, adequada profundidade de plantio e manejo adequado de água.

Queima-das-folhas

É a doença mais comum da cenoura. É causada por Alternaria dauci, Cercospora carotae e Xanthomonas campestris pv. carotae. Caracteriza-se, principalmente, por uma necrose das folhas que, dependendo do nível de ataque, pode causar a completa desfolha da planta e, consequentemente, resultar em raízes de tamanho pequeno.

Os três patógenos que causam a queima-das-folhas podem ser encontrados na mesma planta, e até em uma única lesão. É difícil determinar o(s) agente(s) causal(is) envolvido(s) pelos sintomas nas folhas, principalmente porque as cultivares reagem de maneira diferenciada ao ataque.

A Alternaria dauci produz lesões nas folhas mais velhas e é caracterizada por necrose da borda dos folíolos, enquanto Cercospora carotae produz lesões individualizadas. Os sintomas produzidos por X. campestris pv. carotae são indistinguíveis dos outros, embora, sob condições de alta umidade, seja comum uma exsudação sobre as lesões bacterianas.

As cultivares do grupo “Nantes” são as mais suscetíveis à queima-das-folhas, e por isso necessitam da aplicação preventiva de fungicidas para o controle. As cultivares Brasília, Kuroda e Kuronan e outras adaptadas ao plantio de verão têm um bom nível de resistência a esta doença, praticamente dispensando o controle químico.

As cultivares do grupo Kuroda (Kuroda Nacional, Shin Kuroda, Nova Kuroda, Kuroda) apresentam diferenças entre si quanto à resistência. Portanto, a escolha de uma cultivar deste grupo deve levar em conta a sua procedência. A cultivar Brasília, em certas condições, pode apresentar alguma suscetibilidade à C. carotae, requerendo algumas pulverizações.

O controle químico, quando os três patógenos estão presentes, deve ser feito com produtos à base de cobre (mais eficientes contra Xanthomonas campestris pv. carotae), intercalados com outros fungicidas ditiocarbamatos que estejam registrados para a cultura da cenoura.

Podridão das raízes

Em geral, é causada pelos fungos Sclerotium rolfsii, Sclerotinia sclerotiorum ou pela bactéria Erwinia carotovora. As plantas atacadas apresentam crescimento reduzido, com as folhas superiores amareladas, as quais tornam-se murchas no horário mais quente do dia.

Os dois primeiros patógenos produzem podridão mole, acompanhada da formação de escleródios e profuso crescimento micelial branco. Os escleródios de Sclerotinia sclerotiorum são de cor preta, irregulares, com até 1,0 cm de comprimento, e os de Sclerotium rolfsii são menores, redondos, assemelhando-se a sementes de mostarda.

A bactéria Erwinia carotovora produz uma podridão mole em pequenas áreas das raízes, que se expandem sob condições de altas temperatura e umidade. As podridões ocorrem no campo quando a umidade do solo é excessiva.

Portanto, é essencial que se cultive a cenoura em solos que não acumulem muita água, que o plantio em época chuvosa seja feito em canteiros mais altos, e que a irrigação seja adequada, evitando-se o excesso de água. O controle químico normalmente não é econômico para nenhum dos três patógenos.

Após a colheita, ocorrem podridões secas e podridões moles, sendo essas últimas as mais importantes. O principal agente das podridões é a bactéria Erwinia carotovora, que causa grandes perdas quando as raízes são colhidas em solos molhados e/ou após a lavadas, as raízes não são adequadamente secas antes de serem embaladas (encaixotadas).

Nematoides

As espécies dos nematoides das galhas Meloidogyne incognita, M. javanica, M. arenaria e M. hapla são os mais importantes nos cultivos de cenoura no Brasil. As plantas infectadas mostram crescimento reduzido e amarelecimento nas folhas semelhante ao sintoma de deficiência mineral. As raízes tornam-se de tamanhos reduzidos, com deformações devido à intensa formação de galhas.

A rotação de cultura e resistência genética são os principais e mais eficientes métodos de controle dos nematoides. A rotação com plantas do gênero Stylosanthes, Crotalaria e Styzolobium por um período mínimo de 120 dias reduz a população dos nematoides e melhora as propriedades físicas do solo.

A rotação com gramíneas, como milho e sorgo, é também utilizada em solos infestados para reduzir a população dos nematoides. Além do uso da rotação de culturas em áreas infestadas, recomenda-se também fazer arações e gradagens profundas em dias secos e quentes, para matar os nematoides por excesso de desidratação e calor.

O uso de cultivares resistentes, como Brasília e Alvorada, bem como a aplicação de nematicidas registrados, como Carbofuran, são outras medidas de controle dos nematoides que complementam a rotação de culturas.

Pragas

As principais pragas da cultura da cenoura são lagartas e pulgões, que são controlados através de práticas culturais, e pela ação de inimigos naturais como parasitoides e predadores. São muito poucos os inseticidas registrados para o controle de pragas de cenoura, o que torna o controle químico uma prática pouco recomendável para a cultura.

Lagartas

Lagarta-rosca (Agrotis spp.); lagarta-militar (Spodoptera frugiperda); lagarta-falsa-medideira (Rachiplusia nu) são as mais temidas. As larvas de algumas espécies de mariposas são conhecidas por lagarta-rosca.

Algumas espécies do gênero Spodoptera, S. frugiperda, atuam durante a época mais seca do ano. As mariposas do gênero Agrotis colocam os ovos no solo, moitas de capim, restos de cultura, gramíneas emergentes, folhas ou pecíolos das plantas de cenoura. As larvas, após a eclosão, alimentam-se raspando as folhas e à medida que aumentam de tamanho, passam a cortar as plantas próximo à superfície do solo.

Os danos de lagarta-rosca em cenoura são mais comuns até 30-40 dias após a semeadura. A presença de lagarta-rosca só é detectada quando se verificam plantas cortadas.

O controle mais eficiente destas espécies é alcançado por meio de práticas culturais como o adequado preparo do solo, incorporação dos restos culturais e eliminação das plantas daninhas. No controle químico, as pulverizações devem ser feitas no período da tarde, e dirigidas à base das plantas porque as larvas se escondem no solo durante o dia e saem à  noite para se alimentar.

Produtos à base de Trichlorfon e Carbaryl controlam a Agrotis, Spodoptera e outras espécies que se alimentam das folhas de cenoura, como a Rachiplusia nu, conhecida como falsa medideira.

Pulgões

Os pulgões Dysaphis spp; Cavariella aegopodii raramente chegam a causar dano econômico à cultura da cenoura, porque não ocorrem em grandes populações e são altamente parasitados por micro-himenópteros. Pulverizações com produtos à base de Fenitrothion e Pirimicarb controlam eficientemente estes afídeos.

Larvas de Crisomelídeos

Ocasionalmente, quando a cenoura é plantada após a cultura do milho ou pastagens, as raízes da planta podem ser danificadas por larvas de crisomelídeos Diabrotica speciosa; Diabrotica bivittula; Cerotoma arcuata, cujos adultos são conhecidos por vaquinhas ou brasileirinho, os quais pertencem aos gêneros Diabrotica e Cerotoma. Estas infestações são esporádicas e provavelmente causadas por algum tipo de desequilíbrio ambiental temporário.

Colheita

Dependendo da cultivar, das condições de clima e dos tratos culturais, a colheita da cenoura pode ser feita de 80 a 120 dias decorridos da semeadura. O ponto de colheita e a maneira de colher e de manusear as raízes influem na aparência final e na capacidade de conservação do produto.

O amarelecimento e secamento das folhas mais velhas e o arqueamento para baixo das folhas mais novas são indicativos do ponto de colheita. O arranquio das raízes pode ser feito manualmente ou semi-mecanizado.

Deve-se arrancar somente a quantidade possível de ser preparada no mesmo dia. Após o arranquio, a parte aérea é destacada e quebrada da raiz, ocasião em que se faz uma pré-seleção, eliminando as raízes com defeitos.

Em seguida elas são acondicionadas em caixas de madeira ou engradados de plástico e transportadas para o galpão para serem lavadas, selecionadas, classificadas e acondicionadas. Com a seleção, descartam-se as raízes com defeitos, ou seja, quebradas, rachadas, ramificadas, com galhas, com ombros verdes ou roxos, danos mecânicos, com injúrias provocadas por ataque de insetos ou patógenos, ou outras anormalidades que prejudiquem a aparência e a qualidade.

Após lavadas, as raízes são classificadas em classes conforme o comprimento e em categorias ou tipos, levando-se em conta a percentagem de raízes com defeitos encontradas na caixa.

Defeitos

Os defeitos que podem ocorrer nas raízes da cenoura são considerados graves se prejudicam a aparência, comprometem a qualidade ou a conservação e os defeitos leves são aqueles que não prejudicam ou não comprometem tanto a aparência, a qualidade ou a conservação.

Assim, segundo a Ceagesp são considerados graves os seguintes defeitos: a podridão mole, a podridão seca, deformação, ombro com coloração verde ou roxa em superfície maior que 10% da raiz, dano mecânico com mais de 10% da superfície da raiz, rachadura, injúria por doença ou inseto, aspecto murcho e lenhoso. Enquanto que os defeitos leves são ombro verde ou roxo, em menos de 10% da superfície, dano mecânico com menos de 3,0 mm de profundidade, corte inadequado da haste, presença de radicelas e manchas na coloração.

As embalagens de cenoura admitidas no Brasil são sacos de polietileno ou polipropileno, caixa K – madeira, caixa papelão ondulado I e caixa papelão ondulado II. Embora as caixas de madeira ou papelão sejam de alto custo, elas dão maior proteção ao produto e facilitam o manuseio e a identificação do produtor, podendo ainda serem reutilizadas ou recicladas.

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