Aprendendo com a agricultura orgânica

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Autor

Afonso Peche FilhoPesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas. afonsopeche@gmail.com

Rabanete – Fotos: Shutterstock

A natureza gastou milhões de anos construindo ambientes estáveis, harmônicos e sustentáveis. Toda forma de vida, de uma maneira constante, colabora para o fortalecimento de ações comunitárias, que com isso organizam os ecossistemas e estes os biomas que formam a distribuição da vida no planeta.

É evidente que o avanço da humanidade sobre as áreas naturais provoca uma instabilidade ambiental eterna. Os fatos atestam que todo tipo de gestão tecnológica é uma invasão na natureza. De uma forma ou de outra a adoção de um modelo de agricultura sem levar em conta as características e efeitos dos ecossistemas aniquila as possibilidades de sustentabilidade do local trabalhado.

É preciso quebrar de vez o paradigma de que agricultura é feita de simplificar a natureza, de expor o solo para semear, expor o solo para cultivar, e de mobilizar para conservar. Agricultura, nos moldes tradicionais europeus, ocupa e usa as terras de forma a perenizar espaços de produção e cultivá-los de uma mesma forma por décadas.

O conhecimento civilizatório da agricultura europeia não leva em conta a decomposição ocorrendo 24 horas por dia de forma contínua, nunca conviveu com chuvas torrenciais constantes e com uma radiação solar intensa por quase todos os dias.

Parâmetros

Se o modelo europeu vem mostrando-se inadequado em nosso País, onde podemos buscar conceitos, diretrizes e resultados para mudar? Onde podemos encontrar exemplos práticos de um modelo agrícola para o Brasil, que poderíamos chamar de tropical?

Analisando a agricultura orgânica, podemos compreender o princípio organizacional de um sistema de produção que se adapta ao uso da terra, combinando os processos operacionais cíclicos compatíveis com a natureza local.

A produção é de alimentos de alta qualidade assegurando as bases naturais de funcionamento. A prioridade pela matéria orgânica condiciona o manejo dos solos, da biodiversidade, dos corpos d’água e do clima. Ou seja, agricultura de curto, médio e longo prazos. O convívio harmonioso da diversidade de culturas com a diversidade de espécies locais mantém e fortalece a estabilidade e a resiliência dos agroecossistemas.

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