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Armadilhas – aliadas na decisão para MIP

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Crédito Epagri

Franscinely Aparecida de Assis
Doutora em Entomologia e professora do Curso de Agronomia – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
franscinelyassis@unicerrado.edu.br
Vanessa Andaló
Doutora em Entomologia e professora do Curso de Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
vanessaandalo@ufu.br

O manejo integrado de pragas (MIP) é uma filosofia que preconiza a associação de diversos métodos de controle, considerando o mínimo de aplicações de inseticidas químicos, tendo o objetivo de não erradicar o inseto-praga, mas manter sua população abaixo do nível de dano econômico (Dent, 2000; Stenberg, 2017).
Para estimar a densidade populacional da praga e verificar se a mesma atingiu ou não o nível de controle, torna-se fundamental realizar a amostragem, sendo a escolha adequada do método de monitoramento essencial para as decisões de manejo. Dessa forma, serão apresentadas algumas armadilhas que são utilizadas na amostragem dos insetos-praga.

Armadilha inteligente

A armadilha inteligente trata da utilização de sensores que permitem realizar o monitoramento digital dos insetos-praga, fazendo a detecção de forma automatizada. No caso da SentinelaTM, registrada pela IAgro (Inteligência no Agronegócio), os insetos são atraídos para o interior da armadilha por meio de dispositivos, sendo possível a quantificação e classificação das espécies pelo uso de visão computacional e inteligência artificial.
A existência de sensores microclimáticos associados à armadilha permite fornecer análises preditivas do ataque das pragas, cruzando dados climáticos com comportamentais. Os dados do monitoramento, realizados de forma contínua, são repassados ao produtor por aplicativo móvel.
Assim, os relatórios diários permitem que a tomada de decisão por parte do produtor seja realizada o mais rápido possível. Esta armadilha tem como foco os cultivos de algodão, soja, café e cana-de-açúcar para monitoramento do bicudo-do-algodoeiro, Anthonomus grandis, do percevejo-marrom, Euschistus heros, da broca-do-café, Hypothenemus hampei, e da broca-da-cana, Diatraea saccharalis, respectivamente.
Já a Tarvos LDTM é formada por uma haste metálica de 1,80 m de altura que sustenta o conjunto fotovoltaico (painel solar/gerenciamento energético), o conjunto de processamento (câmera HD e LED’s/sensores de clima/antena de satélite) e toda parte voltada para atração e captura da praga (feromônio e piso adesivo).
É recomendável que a instalação, que pode ser efetuada sem suporte técnico, seja realizada algumas semanas antes do início do voo da primeira geração do inseto-praga. Já a remoção deve ser feita após o final da temporada.
O funcionamento da armadilha baseia-se nos processos de coleta, processamento e notificação. Assim, o inseto adulto é atraído pelo feromônio, entra no equipamento e as câmeras acionam o registro fotográfico da praga. A imagem capturada é comparada a outras do banco de dados, permitindo a quantificação e identificação diariamente.
Quando as condições ambientais indicam risco de surto da praga na propriedade, a Tarvos envia alertas para auxiliar na tomada de decisão por parte do produtor, no sentido de reduzir a densidade populacional da praga na lavoura. Os dados são transmitidos por conexão via satélite, o que dispensa a necessidade de conexão de telefonia na propriedade.
Dentre as pragas passíveis de serem monitoradas, tem-se a broca-da-cana, a lagarta-falsa-medideira Chrysodeixis includens, a lagarta-das-maçãs, Heliothis virescens, a Helicoverpa armigera, e o complexo Spodoptera, S. cosmioides, S. eridania, S. frugiperda e S. litura.
As culturas da cana-de-açúcar, soja, milho e do algodoeiro são atendidas por essa tecnologia, entretanto, dependendo da demanda do produtor, essa armadilha pode ser usada em outras culturas. A quantidade de armadilhas a serem utilizadas por hectare depende da configuração da lavoura, da cultura e das pragas a serem monitoradas. Normalmente, uma armadilha pode cobrir de 150 a 250 hectares (Tarvos, 2021).

Armadilha adesiva

A armadilha adesiva pode ser confeccionada de vários materiais, tais como papel cartão, cartolina e etiquetas plásticas, sendo recoberta por cola para fixação dos insetos. São instaladas nos cultivos penduradas nas plantas ou em estruturas de sustentação, e atraem insetos alados em função da coloração.
Essas armadilhas estão disponíveis comercialmente principalmente nas cores amarela, potencialmente atrativa para maior grupo de insetos (vaquinhas, mosca-branca, pulgões, cigarrinhas, mosca-minadora, mosca-das-frutas), e azul (tripes). São muito utilizadas para monitoramento de pragas em cultivos de hortaliças e frutíferas, e também em viveiros.

Armadilhas com atrativos alimentares

O frasco caça-mosca, também conhecido como McPhail, é muito usado em pomares para monitoramento populacional de moscas-das-frutas. É encontrado comercialmente na cor amarela, potencialmente atrativa para esses dípteros.
Além da coloração, a atração desses insetos é realizada pelos atrativos alimentares que são colocados no interior da armadilha, como suco de frutas – uva (1:4) ou pêssego (1:10), proteína hidrolisada a 5% ou melaço de cana-de-açúcar a 7%, sendo utilizados 300 mL da solução por armadilha.
Recomenda-se a substituição da solução atrativa quinzenalmente (Aguiar-Menezes et al., 2006). Esta armadilha também pode ser confeccionada artesanalmente com garrafa PET (Polietileno Tereftalato) transparente. Os insetos entram na armadilha e morrem afogados pela solução atrativa.

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