As inovações no cultivo da pitaia

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Leila Aparecida Salles Pio Engenheira agrônoma, mestra, doutora em Fitotecnia, professora de Fruticultura Tropical – Universidade Federal de Lavras (UFLA) e sócia colaboradora da Agroaki leila.pio@ufla.br

Pitaia – Crédito: Nefrut

Hoje, estudando mais a fundo a cultura da pitaia, sabe-se que ela é uma fonte riquíssima de compostos bioativos, sendo considerada uma “superfruta”, muito utilizada nas dietas dessa nova geração, que tem se preocupado cada vez mais com sua saúde.

A capacidade antioxidante exibida pelas pitaias é imensa. Compostos como a betalaína, que existem em grande quantidade na pitaia, estão sendo considerados pela ciência como substância que previne o aparecimento de doenças graves, como diabetes, cardiopatias e até mesmo câncer. Já existe tecnologia para o isolamento e encapsulamento dessa substância para ser comercializada na forma de cápsulas.

Além disso, a betalaína exibe uma coloração vermelha arroxeada intensa e pode ser utilizada como corante alimentício em substituição aos corantes sintéticos, para transformar alimentos que antes eram considerados ruins para saúde em produtos muito mais saudáveis. Há grande potencial do uso dessa substância para colorir iogurtes, sucos, sorvetes, gelatina, etc.

Inovações

 Ultimamente, há uma tendência para o cultivo adensado para a maioria das frutíferas e a pitaia está seguindo esta linha. Plantas cultivadas em sistema de espaldeira com espaçamento de até 0,5 m entre plantas têm sido um sistema bastante utilizado pelos agricultores, com o objetivo de aproveitar melhor a área de cultivo.

Sistema Agroflorestal utilizando plantas de pitaia crescendo em mourões vivos também são uma aposta interessante dos agricultores. As principais espécies utilizadas como mourão vivo são a gliricídia e a moringa oleífera.  Uma questão importante a ser levantada é a respeito do sombreamento, visto que a pitaia é uma planta que necessita de iluminação para o florescimento. Assim, durante essa fase, a copa das árvores deve ser desbastada a fim de aumentar a insolação dentro do sistema.

Por falar em iluminação para o florescimento, alguns produtores estão lançando mão da iluminação artificial para induzir o florescimento artificial das plantas durante a entressafra, visto que a pitaia é uma planta que exige dias longos para o seu florescimento. 

Isso pode gerar uma renda importante para o produtor, visto que na entressafra o preço do fruto se torna extremamente atrativo. Por outro lado, a planta irá se desgastar muito, diminuindo produtividade e vida útil neste processo. Assim, o produtor deve estar muito mais atento à questão nutricional da planta e à retirada de flores em alguns momentos da safra propriamente dita, a fim de poupar a planta do excesso de produção.

Rastreabilidade

Um outro aspecto que está em alta neste momento diz respeito à rastreabilidade. Sabe-se que já está em vigor a lei que exige que muitas frutas como banana e maçã sejam comercializadas obrigatoriamente com selo de rastreabilidade. Aos poucos outras frutas estão sendo incluídas nesta lista e em breve chegará na pitaia. Assim o produtor precisará estar pronto para aderir a esta nova tecnologia. 

A rastreabilidade permite que o fruto tenha um código na embalagem que o consumidor escaneia no seu celular e automaticamente recebe todas as informações do produto. Neste momento, o consumidor pode confirmar sua procedência, autenticidade, o que foi aplicado, quando foi colhido, etc.

A rastreabilidade  possibilita saber quem e onde foi produzido, qual a variedade, quais defensivos foram utilizados, garantindo a disponibilidade de informação do mesmo. O processo também traz vantagens ao produtor, pois ele terá um controle total do seu processo produtivo. Isso garante eficiência e diminui tempo e custos, reduz os erros e permite previsibilidade de colheita.