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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Azospirillum brasiliense fornece fertilizante nitrogenado

 

Fabio Lopes Olivares

Doutor e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

fabioliv@uenf.br

FotosShutterstock
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O Azospirillum brasiliense, bactéria que tem a capacidade de fixar nitrogênio e favorecer o desenvolvimento das plantas, descrita pela cientista Dra. Johanna Döbereiner, da Embrapa Agrobiologia, e apresentada como alternativa ao uso de fertilizantes nitrogenados, teve seu desempenho testado e aprovado.

Os testes com Azospirillum brasiliense foram realizados em lavouras de milho e os resultados apontam aumento de produção de massa verde por hectare, demonstrando plantas mais bem nutridas.

Inovação

FotosShutterstock
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O pacote de inovações tecnológicas preconizado no século XX pela revolução verde para a agricultura tem papel marcante para a humanidade, compatibilizando, em tese, o crescimento populacional com a oferta de alimentos.

No entanto, diferentes estudos apontam que a produção de alimentos exclusivamente a cargo do modelo atual de produção agrícola resultará em crescente escassez de recursos naturais (por exemplo, combustíveis fósseis e jazidas de fosfato), erosão dos solos, degradação dos recursos hídricos e perda de biodiversidade, com projeções alarmantes no tocante ao potencial poluidor da agricultura e sua participação nas mudanças climáticas globais projetadas com o aumento da população mundial, já na primeira metade do século XXI.

O nitrogênio

Fertilizantes nitrogenados (N-ureia, N-amônio ou N-nitrato) são insumos-chave para a produção de alimentos nos trópicos e exigidos em grande quantidade para elevadas produtividades agrícolas.

Estas fontes de nitrogênio são sintetizadas a partir de processos industriais que exigem grande consumo de energia oriunda de fontes não renováveis, sendo quase integralmente importadas de outros países.

Além de desafiar a soberania nacional, estes insumos apresentam baixa eficiência de aproveitamento pelas plantas, que absorvem menos de 50% do adubo nitrogenado aplicado no sistema solo-planta.

Com o conhecimento acumulado até o presente momento, o uso de microrganismos na agricultura, como por exemplo, Azospirillum brasilense, representa uma alternativa complementar ao uso de fertilizantes nitrogenados industriais, na direção da redução de sua demanda, de seus custos de produção e dos impactos de sua aplicação sobre o solo e os corpos de água.

Assim, embora as tecnologias com base em insumos biológicos ainda não sejam capazes de substituir completamente os N-fertilizantes sintéticos, sua participação na cadeia produtiva da agricultura merece ser incrementada.

O uso crescente de produtos biotecnológicos à base de Azospirillum brasilense e outras bactérias fixadoras de nitrogênio reduzem os custos de produção, impacto ambiental no solo e água, potencial poluidor da prática agrícola, incrementam a soberania e segurança alimentar do Brasil, reduzindo as demandas de importação por insumos nitrogenados.

O Azospirillum brasilense representa uma alternativa complementar ao uso de fertilizantes nitrogenados industriais - FotosShutterstock
O Azospirillum brasilense representa uma alternativa complementar ao uso de fertilizantes nitrogenados industriais – FotosShutterstock

Atuação

Considerando apenas os aspectos relacionados à nutrição nitrogenada, a bactéria Azospirillum brasilense na forma de inoculante aplicada nas sementes, sulco de plantio e na parte aérea com spray foliar pode promover o crescimento da planta hospedeira por meio de efeitos biofertilizantes e bioestimulantes.

No primeiro caso, a bactéria fornece nitrogênio para o sistema solo-planta por meio de um processo conhecido como fixação biológica de nitrogênio (FBN). Este processo se caracteriza pela transformação bioquímica do nitrogênio gasoso N2 (presente em 79% da composição do ar) e sua redução em amônia (NH3+) catalisado por um complexo enzimático presente na bactéria, chamado complexo nitrogenase.

Embora a FBN possa ter relevância agronômica para algumas espécies vegetais que não formam nódulos radiculares e em algumas situações particulares de clima e solo, o conjunto de dados de pesquisa acumulados até o momento com a presente tecnologia parecem indicar que a principal contribuição de Azospirillum brasilense para a nutrição nitrogenada das plantas resulta de mecanismos de bioestimulação.

Neste caso, a bactéria secreta fitohormônios e outros compostos bioativos ainda não descritos, capazes de alterar a arquitetura radicular e estimular as enzimas envolvidas na absorção e assimilação do nitrogênio presente na solução do solo na forma de amônio (NNH4+) e nitrato (NNO3-), contribuindo para o aumento da recuperação do nitrogênio aplicado e, por conseguinte, sua eficiência de uso.

Na prática, quando combinada com a aplicação da bactéria, menores doses de N podem ser recomendadas sem afetar a produtividade da cultura.

O uso crescente de produtos biotecnológicos à base de Azospirillum brasilensereduz os custos de produção - FotosShutterstock
O uso crescente de produtos biotecnológicos à base de Azospirillum brasilense reduz os custos de produção – Fotos Shutterstock

Menos adubação nitrogenada

As respostas à inoculação com Azospirillum brasilense são influenciadas por inúmeros fatores bióticos e abióticos. Merece destaque a resposta diferencial de diferentes espécies vegetais e genótipos de uma mesma espécie, conteúdo de matéria orgânica e fertilidade do solo, patamar de produtividade esperado com base nas relações custo e benefício, magnitude de estresses abióticos, como hídrico e salino, e ainda outros fatores edafoclimáticos.

Para a cultura do milho, e considerando pequenos agricultores que não aplicam nitrogênio ou aplicam baixas doses, a economia com adubação nitrogenada pode chegar a 100%, sem perdas significativas de produtividade com o uso de inoculantes.

Para sistemas de produção com elevada demanda de insumos, observam-se resultados que variam de zero a 50% de redução na adubação nitrogenada pela complementação com inoculantes contendo bactérias promotoras do crescimento vegetal.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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