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Bacillus thuringiensis é aliado no controle da Helicoverpa

 

Uéliton Trindade de Oliveira

Engenheiro agrônomo da Integrada Cooperativa Agroindustrial

ueliton.trindade@hotmail.com

 Controle biológico da helicoverpa tem novo aliado - Crédito Paulo Saran
Controle biológico da helicoverpa tem novo aliado – Crédito Paulo Saran

O Bacillus thuringiensis (Bt) vem sendo utilizado há muitos anos para o controle de lagartas na agricultura. Recentemente, com o surgimento de uma praga de grande importância, a Helicoverpa armigera, o Bt tem sido um aliado importante do produtor para o controle da mesma.

A recomendação do uso de Bt para o controle integrado da lagarta Helicoverpa pelas Instituições de pesquisa tem feito o produtor acreditar mais no uso do Bt e, consequentemente, no controle biológico.

Panorama

Atualmente, a cultura da soja possui grande importância dentro do agronegócio e economia do país. Porém, esta vem enfrentando grandes desafios no que tange ao controle de pragas que a afetam desde sua germinação até sua colheita. Conhecido como pragas, estes seres danosos aos vegetais são responsáveis pelo surgimento de doenças como fungos, bactérias, vírus e nematoides.

Enquadram-se também como pragas as plantas invasoras, ácaros, lesmas, caramujos e, principalmente, os insetos, sendo este último foco de grande preocupação e discussão nas últimas safras da lavoura da soja.

Nesta cultura podemos enfrentar em vários momentos do seu ciclo a influência negativa destes insetos. Na sua emergência, podem-se sofrer danos por parte de   lagarta elasmo, percevejos castanhos, entre outros.

Na fase vegetativa encontram-se desafios ocasionados por lagartas desfolhadoras, na fase reprodutiva suas vagens e sementes podem ser fortemente afetadas por percevejos e, além disso, há o risco de surgirem outros problemas, como tripes, gafanhotos, piolhos de cobra, etc.

Uéliton Trindade de Oliveira, engenheiro agrônomo da Integrada Cooperativa Agroindustrial - Crédito Uéliton Trindade
Uéliton Trindade de Oliveira, engenheiro agrônomo da Integrada Cooperativa Agroindustrial – Crédito Uéliton Trindade

Perdas

Em 2013 a Organização Mundial para Alimentação e Agricultura (FAO) realizou um levantamento que considerou que as pragas foram responsáveis por 42,1% das perdas na produção agrícola mundial, em que os insetos e ácaros foram responsáveis por uma vultosa porcentagem de 15,6%.

Entre as pragas desfolhadoras da cultura da soja está a tão polêmica Helicoverpa armigera, lagarta polífaga e bastante voraz que ocasiona grandes preocupações no campo e uso maciço de inseticidas nas lavouras brasileiras.

Em relação a estes danos causados pela Helicoverpa armigera, já em 2007, Lammers e Macleod apontavam prejuízos mundiais de mais de US$ 5 bilhões. No Brasil, na safra 2011/12, o estado da Bahia já relatava a perda de 80% na cultura do algodão em algumas de suas regiões.

Na safra 2012/13 e 2013/14 este mesmo Estado enfrentou grandes problemas com seu ataque na soja, feijão e milho. Nestas mesmas safras outros Estados passaram a enfrentar o mesmo problema, como Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.

 Na fase vegetativa encontram-se desafios ocasionados por lagartas desfolhadoras - Crédito Paulo Saran
Na fase vegetativa encontram-se desafios ocasionados por lagartas desfolhadoras – Crédito Paulo Saran

Aliado

Na agricultura moderna e cheia de desafios, a modalidade do controle biológico se tornou um grande aliado, e está fortemente inserida no conceito de Manejo Integrado de Produção Sustentável.

Neste sentido, surge como ferramenta a utilização do Bacillus thuringiensis como inseticida biológico em larga escala. A introdução de suas subespécies específicas para controle do gênero de lagartas Helicoverpa tem eficiência de alto controle, devido às endotoxinas do grupo de proteínas Cry que afetam a lagarta após a ingestão.

Dentre as subespécies de Bacillus thuringienses, destacam-se no controle de lagartas a subespécie Kurstaki e Aizawai, que possuem genes Cry1, que por sua vez codificam proteínas tóxicas para o controle desta lagarta.

Estas proteínas chamadas Cry produzidas por estas subespécies de bactérias possuem diferentes efeitos inseticidas. Porém, segundo Liao et AL,2002, para o caso de H. armigera, a sua suscetibilidade a diferentes toxinas Cry geralmente concordam em que Cry1Ac e Cry1Ab são as mais tóxicas, seguidas das Cry2A e Cry2B. No entanto, entre as duas primeiras, Cry1Ac mostrou ser a mais tóxica, o que pode ser explicado pelo fato de possuir maior número de ligações e maior afinidade de ligação com receptores no intestino médio deste inseto.

 Na fase vegetativa encontram-se desafios ocasionados por lagartas desfolhadoras - Crédito Paulo Saran
Na fase vegetativa encontram-se desafios ocasionados por lagartas desfolhadoras – Crédito Paulo Saran

Evento Bt

Este conjunto de proteínas inseticidas potentes se encontram no Bt, tanto na subespécie Kurstaki quanto Aizawai. E são para estas subespécies que se voltam os estudos e produção para oferta de controle aos produtores a nível de campo.

 Uma vez ingerido pela lagarta, o Bt promove a destruição do seu trato digestivo, infecção interna generalizada, paralisação alimentar e, consequentemente, a morte da lagarta.

Já há alguns anos ocorre a importância crescente de B. thuringiensis como bioinseticida, o que fez com que nas últimas décadas tenham sido reforçadas as investigações por todo o mundo, tornando-se, provavelmente, o grupo dominante do mercado de bioinseticidas.

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