Benefícios do extrato de algas Ascophyllum nodosum em videiras

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Teresinha Costa Silveira de Albuquerque

DSc. e pesquisadora em Nutrição de Plantas e Fisiologia da Produção da Embrapa Roraima

teresinha.albuquerque@embrapa.br

 

Crédito Embrapa
Crédito Embrapa

Atualmente, a produção de frutas busca a utilização de práticas de manejo ambientalmente seguras e ao mesmo tempo economicamente viáveis, que favoreçam a utilização de produtos orgânicos, e que não apresentem restrições à sua utilização.

Entre os produtos originados da natureza, as algas marinhas vêm sendo utilizadas desde muito tempo na agricultura, tanto como fertilizantes como bioestimulantes e/ou fitoprotetores (SANGHAet al., 2014).

Das várias espécies de algas, a Ascophyllumnodosum, pertencente à divisão Phaeophyta, é a mais difundida, por ser eficiente no melhoramento de processos fisiológicos fundamentais nos cultivos, tais como a atividade fotossintética, absorção de nutrientes, desenvolvimento radicular, possuindo atividade direta na proteção vegetal contra fitopatógenos, ao promoverem a produção de moléculas bioativas capazes de induzir a resistência ao estresse e ao ataque de pragas nos vegetais (TALAMINI; STADNIK, 2004).

Os extratos de algas contêm vários micronutrientes (Fe, Cu, Zn, Co,Mo, Mn e Ni), vitaminas, aminoácidos e fitohormônios (IAA, IBA e Citocininas) que causam muitos efeitos benéficos ao crescimento e desenvolvimento das plantas (METTINGet al., 1990; SPINELLI et al., 2009; ABDEL-MAWGOUD et al., 2010).

Benefícios

A pulverização de plantas com produtos à base de A. nodosum resulta no aumento da atividade da nitratoredutase, enzima do metabolismo do nitrogênio que estimula o crescimento de vegetais estabelecidos sob condições adversas, principalmente em deficiência de nitrogênio (DURAND et al., 2003).

Neste trabalho objetivou-se avaliar o efeito de solução de extrato de algas Ascophillumnodosum sobre a produção e qualidade dos cachos de uvas, crescimento vegetativo e teor de nutrientes nas bagas da cultivar Festival.

 Crédito Shutterstock
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Material e métodos

O vinhedo em que foi conduzido este estudo é da cultivar Festival e foi estabelecido no espaçamento de 2,5 m x 3,5 m, resultando em 1.120 plantas por hectare. A área, pertencente à Fazenda Timbaúba, está situada na região do Submédio São Francisco, no município de Petrolina.

A solução de extrato de algas A. nodosum (Tabela 1) foi preparada de forma que cada planta recebesse 2,5 mL do produto em cada aplicação, sendo a primeira realizada no solo com 1 L de solução por planta em todos os tratamentos, um dia antes da poda; e as demais foram pulverizações foliares.

Os tratamentos consistiram no número de aplicações por planta: 1) testemunha; 2) uma aplicação no solo e duas foliares de 30 em 30 dias; 3) uma aplicação no solo e quatro foliares de 20 em 20 dias; 4) uma aplicação no solo e seis foliares de 15 em 15 dias; 5) uma aplicação no solo e oito foliares de 10 em 10 dias e 6) uma aplicação no solo e 10 foliares de 10 em 10 dias.

Tabela 1. Especificações técnicas do extrato de algas Ascophyllumnodosum de acordo com o rótulo do Acadian (R) Marine PlantExtract (AcadianAgritech)

M.O. N total P Kl S Ca Mg Na Fe Cu Zn Mn B
————————————- g L-1 ———————————— ——————- mg L-1 ——————
130 – 160 3 a 6 < 1 50 a 70 3 a 6 1 a 2 0,5 a 1,0 10 a 15 30 a 80 1 a 5 5 a 15 1 a 5 20 a 50

O delineamento experimental foi em blocos inteiramente casualizados, com quatro repetições e três plantas por parcela. A primeira pulverização foliar foi realizada 20 dias após a poda, quando os brotos mostravam de 10 a 15 cm de comprimento.

O manejo utilizado no vinhedo era o preconizado na fazenda. As avaliações realizadas foram referentes aos aspectos vegetativos, produtivos e nutricionais. O crescimento inicial das plantas foi avaliado pelo diferencial de crescimento dos ramos, com medições aos 21 e 49 dias após a poda.

Por ocasião da colheita foi realizada a avaliação quantitativa da produção (total de cachos por planta, cachos comerciais e refugo (g), porcentagem de cachos refugados, tamanho médio dos cachos (g) e comprimento e diâmetro das bagas(cm), e qualitativa da produção (sólidos solúveis totais – °Brix, acidez total – g de ácido tartárico por litro de mosto e pH do suco).

Por ocasião da poda, foi coletado todo o material vegetal para avaliação da biomassa de folhas, pecíolos e ramos, separando-se amostras para análise do estado nutricional das plantas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukeya 5% de probabilidade.

Área-sem-aplicação-de-algas-Crédito-Embrapa
Área-sem-aplicação-de-algas-Crédito-Embrapa

Resultados

Os resultados referentes ao crescimento e produção de biomassa das plantas tratadas com extrato de A. nodosum são apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Efeito do extrato de algas no crescimento dos brotos (cm), número de folhas por planta, massa de ramos (kg) e de folhas (g) por planta e de uma folha (g) da videira cv. Festival, Petrolina (PE)

Trat. Crescimento médio
dos brotos
Número de folhas
por planta
Massa de ramos por planta Massa de folhas por planta Massa de 1 folha
Fresca Seca Fresca Seca Fresca Seca
cm —————– kg —————- —————————- g —————————
1 66,25 d 1097,25 c 1,68 ab 1,08 ab 2947,99 c 981,01 b 2,42 0,75
2 78,50 cd 1470,50 a 2,55 a 1,50 a 3831,83 a 1299,28 a 2,35 0,73
3 86,88 bc 1372,50 ab 1,89 ab 1,02 ab 3692,46 ab 1247,20 a 2,40 0,76
4 82,88 cd 1174,00 bc 1,30 b 0,71 b 3116,07 bc 1088,98 ab 2,36 0,76
5 102,13 ab 1292,50 abc 1,80 ab 0,95 ab 3530,28 abc 1186,40 ab 2,44 0,75
6 105,75 a 1347,50 abc 1,79 ab 0,98 ab 3600,31 abc 1242,93 a 2,39 0,77
C.V.% 9,53 9,56 26,71 29,86 10,05 9,65 4,04 4,20

Médias seguidas de letras minúsculas diferentes nas colunas indicam diferença significativa pelo teste deTukey (prob.<0,5).

Essa matéria completa você encontra na edição de julho 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.