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quarta-feira, agosto 10, 2022
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Bioestimulantes aumentam produtividade da soja

Talis Melo Claudinot.claudino@unesp.br

Jeision Geibel da Silva Nunes jesion.geibel@unesp.br

Engenheiros agrônomos e mestres em Agronomia – UNESP/FCA de Botucatu

Tarciso Melo Claudino Técnico Agrícola e graduando em Engenharia Mecânica Empresarial – FURG/RStarcisoclaudino@furg.br

Soja – Créditos: shurtterstock

O cenário atual ressalta a busca por maiores produtividades de soja, uma necessidade do produtor rural, utilizando diversas ferramentas, como a aplicação de bioestimulantes. Estes compostos são mais sustentáveis, agem no metabolismo vegetal, culminam na supressão de estresses bióticos e abióticos e podem melhorar a nutrição das plantas, assim atingindo o seu máximo potencial produtivo.

O uso destes compostos vem crescendo significativamente nas últimas décadas e mais de 40 empresas por todo o mundo estão devidamente regulamentadas. Dados afirmam que até o ano de 2031 o mercado de bioestimulantes atinja US$ 7,5 bilhões.

Quem são eles

Os produtos caracterizados como bioestimulantes são utilizados em pequenas ou ultrapequenas doses e causam alterações em processos fisiológicos e bioquímicos das plantas, acarretando maiores produtividades devido a modificações no estado hormonal, ativação de processos metabólicos, eficiência nutricional, estímulos de crescimento, desenvolvimento e fortalecimento de plantas.

Desde 1957, o conceito de bioestimulantes vem sendo citado por dezenas de autores, contudo, dúvidas ainda existem por se tratar de uma vasta gama de moléculas que agem diretamente no sistema fisiológico do vegetal. Entretanto, centenas de trabalhos já demonstraram que a utilização de substâncias bioestimulantes resultam em ganhos expressivos em diversas culturas.

Definição

Entre as substâncias caracterizadas como bioestimulantes, existem as substâncias húmicas (especialmente ácidos húmicos e fúlvicos), extratos vegetais, extratos de algas, hidrolisados proteicos, microrganismos, aminoácidos e até mesmo nutrientes, quando inseridos em quantidade e forma adequada em um vegetal.

Todavia, para que uma substância possa ser caracterizada como bioestimulante, esta deve compor pelo menos dois diferentes compostos de estimulação, ou seja, a combinação de aminoácidos e ácidos fúlvicos, por exemplo.

Substâncias fisioativadoras, como também são conhecidas, possuem diferentes mecanismos de ação, e para aplicação atingindo o objetivo correto devem ser estudadas e conhecidas com ampla sabedoria. Quantidades excessivas são tão prejudiciais quanto a não aplicação. O termo “quanto mais, melhor” não é nada adequado quando se trata dos bioestimulantes.

A maioria dos fisioativadores estão relacionados com a biossíntese de fitohormônios vegetais, principalmente a auxina, vastamente elucidada pelas substâncias húmicas e aminoácidos como o triptofano. Desta forma, deve-se relacionar com o objetivo da aplicação, com a cultura-alvo, como por exemplo a soja. Qual o objetivo da aplicação de bioestimulantes na cultura da soja? Esta é a primeira pergunta que devemos responder antes de uma aplicação.

Primeiramente, devemos saber que podemos aplicar substâncias bioestimulantes desde o tratamento de sementes até a senescência da soja, e desta forma, utilizar de acordo com a função que desejamos atingir. Para isso, este tópico será dividido em etapas de estádios fenológicos. Vale-se lembrar que a bioestimulação deve acontecer em etapas.

Tratamento de sementes

Neste momento temos o objetivo de semear no campo sementes que resultem em plantas com alta germinação e vigor. Para isso, os processos de germinação devem ser influenciados por compostos bioestimulantes que acelerem a germinação e a metabolização das reservas da semente, a radícula e, posteriormente, as raízes devem crescer rapidamente, assim como a parte aérea.

Estudos demonstram que a aplicação de substâncias húmicas provindas de turfa resulta em maior germinação, vigor, massa fresca e seca, tanto de parte aérea quanto de raízes. Resultados semelhantes são encontrados quando as plantas são tratadas com extratos de algas.

V2/V3: Neste estádio fenológico é realizada a aplicação de herbicidas para o controle de plantas daninhas, e desta forma, podemos bioestimular as plantas, pois se inicia o processo de engalhamento. Sendo assim, deve-se escolher bioestimulantes que diminuam o “Yellow Flashing” e ainda culminem em um maior enraizamento, engalhamento e vigor das plantas, sendo que estas estimulações perduram pelo período de 20 dias. É recomendada a utilização de substâncias húmicas, aminoácidos e extratos de algas, todos visando a biossíntese dos hormônios auxínicos e citocínicos, mas com balanço dos demais hormônios da planta.

– R1: Estádio onde o pegamento de flor é fundamental e é relacionado com o condicionamento osmótico da planta e a presença de giberelina. Desta forma, alguns promotores de giberelina podem ser utilizados, como extratos de algas e até compostos húmicos. Associando-se ainda com micronutrientes, como o boro, é a combinação perfeita para alcance de altas produtividades.

– R5: Chegou o momento de encher grãos, a planta transloca todos os seus compostos das folhas para os grãos. Precisa-se de uma alta quantidade de fotossintatos para que as sementes sejam mais pesadas, o que só é possível pela fotossíntese. Então, precisamos ativar esta planta para que no final do seu ciclo ela alcance alto potencial. Pode-se utilizar junto com as substâncias bioestimulantes potássio e boro para o carreamento dos fotossintatos. 

Resultados comprovados

Finalmente, temos uma planta bioestimulada do começo ao fim. Grandes produções são encontradas, como por exemplo, em trabalho realizado por Claudino et al. (2018), em que por meio de análise de produtividade de comparativos nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, a utilização de um produto composto por nutrientes, aminoácidos e ácidos fúlvicos (DNA SOJA) culminou em ganhos de produtividade, como demonstrado na Figura 1.

Figura 1 – Produtividade da cultura de soja tradadas com bioestimulantes nos estados do PR, MS e SP na safra 2018/19

A partir disso, realizando o cálculo onde o investimento em bioestimulantes foi de R$ 100,00/ha e o preço de venda da soja alinhado em R$ 150,00/sc, obtêm-se os resultados conforme a Figura 2.

Figura 2 – Rentabilidade da cultura de soja tradada com bioestimulantes nos Estados do PR, MS e SP na safra 2018/19

Desta forma, pode-se afirmar que a aplicação de bioestimulantes na cultura da soja é uma alternativa muito rentável ao produtor, adequando táticas de manejo e aplicando os produtos corretos de forma ideal.

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