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Bioinsumos: Proteção de plantas com segurança

Crédito: Shutterstock

Nos últimos 5 anos a adoção dos produtos de controle biológico vem crescendo exponencialmente e têm sido utilizados em cerca de 50 milhões de hectares. A quantidade de produtos biológicos disponíveis no mercado brasileiro mais que duplicou desde 2017, movimentando mais de R$ 675 milhões em 2019. Já em 2020 houve um aumento de 75% de faturamento, em relação a 2019. Especialistas estimam um crescimento de 52% no uso de bioinsumos em 2021. Caso seja confirmada a estimativa, deve ser negociado o equivalente a R$ 1,7 bilhão em defensivos biológicos

A busca pelo sustentável é crescente em todos os setores da economia e pode ser implementada de diferentes formas. Tanto na agricultura quanto na pecuária, a utilização de bioinsumos é uma importante estratégia para impulsionar a sustentabilidade sem perdas de produtividade.

O bioinsumo é uma classe bastante ampla e que abrange diferentes tipos de produtos. Podem ser derivados de uma diversidade de substâncias presentes em extratos vegetais e de agentes biológicos. Entre eles, os produtos biológicos de controle (produtos fitossanitários), os inoculantes e os biofertilizantes são os mais divulgados.

O número de novos produtos que chegam ao mercado aumenta ano a ano. Entre eles, é possível encontrar: armadilhas biológicas, bioacaricidas, biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas, inoculantes e reguladores de crescimento. Atualmente, são mais de 300 produtos registrados, metade dos quais foram registrados nos últimos três anos.

Um levantamento feito pela Consultoria Blink, em parceria com a CropLife, que representa a indústria de defensivos biológicos, estima um crescimento de 52% no uso dessas substâncias em 2021. Caso seja confirmada a estimativa, deve ser negociado o equivalente a R$ 1,7 bilhão em defensivos biológicos, com um destaque para o uso na soja e na cana-de-açúcar.

A venda de produtos biológicos para a soja deve ir de 44% para 46% em 2021. Segundo a Blink, a maioria dos defensivos utilizados nas lavouras da oleaginosa servem para o controle de nematoides e lagartas. Para a produção de cana-de-açúcar, a consultoria prevê um crescimento no faturamento das vendas de defensivos biológicos de R$ 264 milhões em 2020 para R$ 353 milhões em 2021.

Em um prazo mais longo, a CropLife espera um crescimento de 107% no uso dos produtos biológicos, chegando ao faturamento de R$ 3,7 bilhões até 2030 no Brasil.

Os bioinsumos têm sido utilizados em cerca de 50 milhões de hectares que recebem os mais diversos tipos de produtos biológicos, para o controle pragas e doenças, assim como para melhorar o desenvolvimento de plantas.

Bioinsumos sempre estiveram presentes

Os agentes biológicos têm sido utilizados na agricultura brasileira há muitos anos e é nela que encontramos alguns dos mais eficientes controles de pragas, realizado por inimigos naturais. Afinal, as culturas de maior expressão que utilizam o controle biológico no Brasil são justamente as lavouras de soja e cana-de-açúcar, plantações de grande importância econômica para o Brasil e cultivadas em mais de 38,5 milhões de hectares (soja) e mais de 8,2 milhões de hectares, no caso da cana.

O controle das duas principais pragas (Diatraea saccharalis e Mahanarva fimbriolata) da cana- de-açúcar é realizado em pelo menos metade da área plantada, por dois insetos parasitoides (Cotesia flavipes e Trichogramma galloi) e um fungo entomopatogênico, o Metarhizium anisopliae.

Na cultura da soja a aplicação de produto biológico foi muito utilizada para o manejo da lagarta Anticarsia gemmatalis durante as décadas de 1980 e 1990. Contudo, a inovação dos bioinsumos acabou sendo suprimida pelo avanço de outras tecnologias que entregavam soluções para os mesmos problemas e que eram mais simples de serem utilizadas.

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Atualmente existem muitos outros agentes biológicos que podem ser utilizados na cultura da soja para o controle de diferentes pragas, como por exemplo a bactéria Pasteuria nishizawae para o controle do nematoide-do-cisto-da-soja.

O inseto Trichogramma pretiosum e a bactéria Bacillus thuringiensis, além de auxiliar o baculovírus no controle da Anticarsia gemmatalis, também apresentam efeito contra a lagarta Spodoptera frugiperda, uma importante praga que também afeta as lavouras de milho.

Os protagonistas dos produtos biológicos

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) investe no desenvolvimento de novos bioinsumos há mais de 30 anos. Atualmente, são 632 pesquisadores trabalhando em 73 projetos relacionados ao tema e distribuídos em 40 unidades.

A Embrapa também é responsável por manter bancos de germoplasma dedicados à preservação e caracterização de organismos de controle biológico e promotores de crescimento de plantas. São mais de 24 mil linhagens de bactérias, fungos e vírus.

Fonte: CropLife

Bioinsumos

Os agentes do equilíbrio do solo

Os bioinsumos são uma alternativa viável e eficiente para reduzir prejuízos como pragas, doenças de solo e nematoides e, além disso, favorecer a regeneração do equilíbrio biológico e biodiversidade do sistema

Fernando Dini Andreote Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas e professor – ESALQ/USPfdandreo@usp.br

A história da agricultura sempre foi pautada na inovação e complementação no atendimento das demandas que as plantas apresentam para seu pleno desenvolvimento e produtividade. Neste aspecto, podemos contemplar, ao longo do tempo, o aprimoramento ambiental, como a sanidade e a capacidade nutricional, promovidos pelo emprego de defensivos e fertilizantes, respectivamente; bem como o aprimoramento do potencial vegetal, representado pelo melhoramento genético e pela biotecnologia.

É desta forma que devemos contemplar o desenvolvimento dos chamados bioinsumos na agricultura. O desenvolvimento recente de metodologias analíticas em microbiologia evidenciou a necessidade de um melhor arranjo microbiológico nas áreas de cultivo, o que fomentou o desenvolvimento dos bioinsumos.

No entanto, antes de adentrarmos neste tema, vale a pena embasar nosso conhecimento nas premissas da qualidade biológica em solos cultivados. O fato de atendermos a demandas agronômicas, com a alteração de pHs de solos tropicais, a promoção da presença de nutrientes solúveis, o uso de defensivos e até mesmo os eventos de preparo do solo, geram um novo ambiente nestes solos, os quais evoluíram segundo outras condições ambientais.

Desta forma, ocorrem alterações na composição biológica destes solos, resultando em sistemas biológicos com potencial reprimido de execução de suas funções. Esta ‘deficiência microbiológica’ tem como sintomatologias clássicas o ataque das raízes das plantas cultivadas, principalmente por fungos patogênicos e fitonematoides, bem como o cenário comum de baixo desempenho das culturas em solos de qualidade química adequada. Fica, portanto, evidente que podemos aprimorar a qualidade biológicas dos solos cultivados.

Qualidade dos solos

As estratégias de aprimoramento da qualidade biológica dos solos na agricultura se embasam em dois conceitos: na adição de microrganismos aos solos e na geração de solos que se apresentem como ambientes adequados à proliferação e à atividade microbiana.

O uso de microrganismos na agricultura é bastante tradicional em alguns aspectos, com destaque para a inoculação de soja com bactérias fixadoras de nitrogênio, ou mais recentemente com o emprego de espécies do gênero Trichoderma para o controle de fungos patogênicos em solos.

No entanto, este uso aumentou exponencialmente nos últimos anos, principalmente fomentado pela maior exploração da biodiversidade microbiana, resultando numa listagem bastante extensa, e ainda crescente, de espécies empregadas.

Outro ponto que acelerou a exploração microbiana na agricultura foi o desenvolvimento da microbiologia industrial, responsável pela produção e formulação adequada dos produtos, além de permitir uma melhor logística de distribuição dos bioinsumos nas diferentes áreas de cultivo.

Novo conceito

Dentro do conceito de uso dos bioinsumos, podem ser listados atualmente algumas classes de produtos, empregados com diferentes finalidades na agricultura. O uso de microrganismos específicos tem mostrado eficiência em processos fundamentais para a eficiência agronômica, como a promoção da nutrição das plantas ou a proteção dos cultivos, atuando contra eventos de estresses bióticos e abióticos.

Na área da nutrição vegetal promovida pela atividade microbiana, ganham destaque as atividades microbianas relacionadas à disponibilização de nitrogênio e de fósforo para as plantas.

A fixação biológica do nitrogênio (FBN), como comentado, tem referência ímpar no cultivo de leguminosas, com destaque para a soja, com o uso de bactérias pertencentes a espécies do gênero Bradyrhizobium.

Além deste, o processo é atualmente empregado em vários cenários, fazendo uso de fixadores não simbióticos, representados mercadologicamente pelos gêneros Azospirillum e Nitrospirillum.

Vale destacar, neste ponto, que além de atuarem na FBN, estes organismos têm importante papel no estímulo ao enraizamento das plantas. A disponibilidade de fósforo nos solos, sob formas acessíveis para as plantas, é atingida pela junção de dois processos biológicos que acessam reservatórios desse nutriente.

O fósforo

Primeiramente, a reserva de fósforo sob formas orgânicas pode ser utilizada no processo de mineralização, por meio da atividade de enzimas que atuam neste processo, como as fosfatases e as fitases.

De forma complementar a esta atividade, a solubilização de fósforo inorgânico, a partir de moléculas não solúveis, é promovida pela síntese e liberação de ácidos orgânicos e inorgânicos, resultantes de metabolismos diversos encontrados nos microrganismos.

Apesar destas atividades serem realizadas por uma ampla gama de bactérias e fungos presentes nos solos, comercialmente busca-se esta atividade em bactérias do gênero Bacillus. Ainda podemos contemplar um potencial bastante grande no uso de bioinsumos relacionados à colonização micorrízica das plantas, promovendo a exploração de um maior volume de solos, e certamente aumentando a eficiência na captura de nutrientes, entre outros ganhos relacionados a esta interação.

Já considerando a proteção das plantas, podemos descrever casos de sucesso em importantes agentes causadores de perdas de produtividade agrícola, como o controle de fitonematoides em diversas culturas. Tem destaque nesta atuação grupos de bactérias do gênero Bacillus, e também de fungos, representados pelas espécies Pochonia chlamydosporia, Purpureocillium lilacinum e representantes do gênero Artrobothys.

Deve-se destacar, ainda, a proteção dos cultivos contra fungos patogênicos, promovida por grupos como o gênero fúngico Trichoderma, ou bactérias pertencentes ao gênero Bacillus.

Os antagonistas

Uma área também de eficiência no uso de bioinsumos, e bastante didática para ser observada, trata do controle de insetos-pragas por antagonistas, tendo como grandes representantes os fungos entomopatogênicos, como as espécies Beauveria bassiana e Metharizium anisopliae.

Por fim, para destacar a proteção de plantas contra estresses abióticos, a proteção vegetal contra o estrese hídrico, que pode ser promovida pela colonização da rizosfera das plantas pela bactéria Bacillus aryabhattai, formando um biofilme nas raízes, que ameniza os efeitos deste evento.

Sem limites

Apesar da listagem apresentada acima ser extensa, os bioinsumos não se limitam ao emprego de microrganismos específicos. Há linhas de desenvolvimento que prezam pela entrada de fontes de biodiversidade nos sistemas de cultivo, ou ainda pela indução da atividade microbiana nativa dos solos.

Nestes dois casos, os efeitos desejados estão em linha com uma melhor reorganização e consequente funcionalidade microbiana dos solos cultivados. Há, ainda, desenvolvimento tecnológico para a geração de bioinsumos embasados no emprego de metabólitos microbianos, extratos celulares, além de outras derivações que podem potencializar a exploração de recursos biológicos na agricultura.

Observa-se como ponto de inovação na área de bioinsumos, o melhor conhecimento da interação dos organismos empregados com as plantas cultivadas, possivelmente permitindo a particularização no uso de alguns grupos microbianos para culturas específicas.

Atenção

Devemos ainda destacar que, não menos importante do que conhecer os bioinsumos, e a partir disto fazer o uso correto destes recursos, é preciso buscar o aprimoramento das condições ambientais dos solos para que ocorram as esperadas funções microbianas neste ambiente.

Neste tema, é importante destacar pontos comumente atrelados à qualidade dos solos, como a preservação da quantidade e da qualidade da matéria orgânica do solo, a proteção física dos solos com plantas cultivadas e/ou palhadas, a manutenção da estrutura física do solo e o uso consciente dos insumos na agricultura.

Estas premissas buscam criar nos solos ambientes naturalmente propícios à alta biodiversidade microbiana, o que potencializa o funcionamento dos bioinsumos por nós introduzidos no sistema, ou da microbiota nativa dos solos.

Os temas aqui apresentados revelam os conceitos já descritos referentes ao uso de bioinsumos na agricultura, mas constituem apenas um primeiro capítulo do desenvolvimento de estratégias de melhor aproveitamento de recursos biológicos nas áreas de cultivo.

Certamente o desenvolvimento desta temática, e um melhor emprego dos recursos biológicos na agricultura, deverão compor um elo sólido de união de temas centrais na agricultura, como a produtividade e a sustentabilidade, respondendo em grande parte pela desejada e alcançável eficiência agronômica.

Como os bioinsumos podem favorecer a agricultura

Giovani Belutti Voltolini Engenheiro agrônomo, doutorando em Agronomia/Fitotecnia – UFLA e consultor de Pesquisa e Desenvolvimento – Fronterragiovanibelutti77@hotmail.com

Caio Eduardo Lazarini Garcia // Luiz Gustavo Silva RabeloEngenheiros agrônomos e consultores especialista Fronterra

A agricultura brasileira se desenvolve constantemente em um processo de melhorias e adequações de manejo que implicam em constantes ganhos em produtividade e, consequentemente, rentabilidade dos agricultores nacionais.

Nesse sentido, a incessante busca pela maior produção de alimentos faz com que o setor do agronegócio brasileiro seja responsável por quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, totalizando mais de R$ 2 trilhões.

Pensando nisso, esta busca pelo aperfeiçoamento dos sistemas produtivos não poderia ser diferente, visto que tanto a quantidade de áreas a serem exploradas comercialmente pelos agricultores quanto o apelo ambiental para a não abertura de novas áreas faz com que a busca por maiores produtividades seja fundamental quanto ao fornecimento de alimentos, sabendo que, segundo a teoria Malthusiana, há a possibilidade de, em um dado momento, a população mundial crescer em um ritmo mais acelerado que a produção de alimentos, e assim, haja falta do mesmo no mundo.

Apelo

Alocando como premissa a condição de não exploração de novas áreas, resta aos profissionais do setor a busca pelo aperfeiçoamento de cultivo, seja por meio dos aspectos genéticos, ou seja, a busca por materiais com maior teto produtivo, ou também por meio de técnicas de manejo que auxiliem os atributos produtivos das culturas.

Aliado a isso, outro frequente apelo diz respeito à diminuição do uso de defensivos agrícolas nos ambientes de cultivo, e associação/substituição parcial por ativos biológicos, sejam eles ligados ao manejo de pragas e doenças, assim como na melhoria das condições nutricionais dos solos de cultivo e mitigação de estresses.

Ademais, sabe-se que, pensando do ponto de vista biológico, pouco se tem explorado quando comparado aos aspectos físicos e químicos de solo nos ambientes de produção. Assim, não é de hoje que alguns pesquisadores têm buscado alternativas utilizando meios biológicos para melhor entender os manejos, ou também servirem como estratégias de manejo visando a melhoria da agricultura.

Pesquisa

Durante mais de 60 anos de pesquisa, a professora Ana Maria Primavesi buscou incessantemente maior compreensão dos aspectos biológicos do solo, com diversas pesquisas e insumos ligados à adequação do cultivo, fazendo melhor uso do solo e seus microrganismos.

Ainda, a mesma relata sobre a teoria da trofobiose, que muito se relaciona com este texto em questão, pois, quando se pensa em um solo com o máximo do seu potencial de exploração, ou seja, os aspectos químicos, físicos e biológicos, e a interação destes, o que se tem é um ambiente equilibrado e harmônico de todos os microrganismos que ali se estabelecem, favorecendo assim a maior condição de defesa das plantas, pelos tantos compostos (enzimas, precursores) ali produzidos.

Alguns trabalhos relatam que em 1,0 grama de solo há aproximadamente 100 milhões de microrganismos, logo, deve-se explorar melhor esta abundância de organismos vivos e seus benefícios.

Recentemente, um dos manejos com maior recorrência de estudos na agricultura é a utilização de bioinsumos, que são produtos ou processos de origem vegetal ou microbiana utilizados nos sistemas de cultivo agrícola e pecuário que interferem positivamente no crescimento, desenvolvimento e mecanismo de resposta de animais, plantas, microrganismos e substâncias derivadas, que interagem com os produtos e os processos físico-químicos e biológicos.

Portanto, a partir desta definição e dos recentes benefícios associados à utilização destes bioinsumos na agricultura, o maior entendimento dos componentes que envolvem a sua utilização se faz necessário para melhor posicionamento técnico dos mesmos e consequente melhor exploração nos ambientes de cultivo.

Com estas frequentes pesquisas e demandas sobre este assunto, algumas subdivisões foram criadas visando a setorização de cada bioinsumos, de acordo com sua especificidade. Nesse sentido, o professor da ESALQ/USP, doutor Fernando Andreote, elaborou uma classificação para os produtos biológicos oferecidos no mercado: os inoculantes, os biodefensivos, os ativadores e os repositores.

Definições

Os dois primeiros contêm em sua formulação microrganismos específicos para fins predeterminados, enquanto os ativadores estimulam os organismos presentes no solo e os repositores fazem a reposição de microrganismos ao solo para a reorganização e funcionalidade do seu microbioma.

A seguir são detalhadas as especificidades de cada um, com as possibilidades de manejo com a sua inserção como estratégia, segundo o professor Andreote.

Inoculantes

Referem-se a um produto que contém microrganismo e que tem como função a ação favorável ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Para sua eficácia agronômica, é necessário que o produto contenha a espécie de microrganismo caracterizado como inoculante proveniente de cepas de “coleção oficial”, garantia de concentração mínima em suporte estéril, livre de outros microrganismos não específicos a fim de garantir sua pureza.

Biodefensivos

Considerado o segmento que mais cresce dentre os biológicos. Os biodefensivos são agentes biológicos de controle, como organismos vivos, de ocorrência natural ou obtidos por manipulação genética. Têm como função o controle de uma população ou de atividades biológicas de outro organismo considerado nocivo à agricultura.

Nesse caso, há duas categorias técnicas: inimigos naturais – entomopatógenos (como exemplo os fungos e bactérias), organismos que naturalmente infectam, parasitam ou predam uma praga específica; ou a técnica de inseto estéril – liberação de machos esterilizados usados na supressão ou erradicação de pragas.

Para que o produto seja eficiente na agricultura, deve-se ter a indicação do local da coleção biológica e a concentração mínima do ativo biológico; é importante seguir as indicações de uso nas culturas apropriadas e alvos biológicos a que se destinam.

Ativadores

Esta classificação abrange os fertilizantes, fertilizantes orgânicos, organominerais, biofertilizantes, condicionadores de solo, substratos para plantas, substâncias húmicas e fúlvicas, e aditivos. São também conhecidos como bioestimulantes, já que apresentam efeitos diretos ou indiretos na melhoria das propriedades físico-químicas do solo e na estimulação da atividade biológica presente nele.

Conforme o enquadramento do produto, este deve apresentar garantias mínimas de compostos químicos, princípios ativos e/ou agentes orgânicos em sua composição para se obter os benefícios agronômicos.

Repositores

Contêm em sua composição a presença de diferentes espécies de microrganismos vivos, que têm como função a reposição biológica, a reorganização e a funcionalidade do microbioma do solo.

Nesta classificação pode-se destacar os componentes balanceados utilizados para a produção de adubos biológico pelo Processo de Compostagem Líquida Contínua (CLC) em biofábricas instaladas diretamente nas propriedades agrícolas.

O adubo biológico é caracterizado como repositor por apresentar concentração de 107 a 109 células de bactérias por mL e em termos qualitativos, média de 300 diferentes grupos de bactérias. Os grupos variam de acordo com a localidade da instalação da Biofábrica CLC, garantindo microrganismos adaptados ao local de uso, o que o torna uma biotecnologia altamente eficiente.

Manejos

Como detalhado anteriormente, há diversas classificações no que diz respeito aos bioinsumos, sendo estas de acordo com a especificidade de cada tipo de ativo/produto utilizado. Nesse sentido, há diversos manejos que relatam a aplicação e adoção de estratégias de manejo por meio da utilização dos biodefensivos, como para o controle de nematoides, de fungos maléficos do sistema radicular e de parte aérea, assim como para melhoria e mitigação de estresses ligados ao clima, como organismos utilizados visando melhorias nos aspectos nutricionais das plantas cultivadas.

Outros componentes bastante utilizados são os ativadores da biota do solo, como os organominerais, compostos orgânicos, entre outros, que atuam de forma a condicionar melhor a relação solo-água-planta, assim como para a melhoria dos atributos biológicos do solo, por fornecer substrato/metabólitos para reprodução e manutenção destes organismos nos sistemas produtivos.

Além disso, os inoculantes também veem sendo muito utilizados desde muito tempo atrás, em um mercado que movimenta bilhões de reais, com ampla utilização em culturas como a soja, por exemplo.

Portanto, dentre as 4 subdivisões dos bioinsumos, todas são amplamente utilizadas, sendo que algumas delas já são consolidadas como referências de manejo, e outras que estão em evidência no atual momento da agricultura, como os biodefensivos. Nesse sentido, detalhe-se alguns organismos vivos utilizados com este intuito, na tabela a seguir.

Tabela 01. Nome dos organismos biológicos e suas funcionalidades na utilização como bioinsumos.

Tipo de organismo vivo Funcionalidade
Bacillus subtilis Diversas
Bacillus aryabhattai Indução de tolerância à seca
Bacillus thuringiensis Controle de Pragas
Bacillus megaterium Solubilizador de P
Bacillus licheniformis Controle de nematoides
Bacillus amyloliquefaciens Promotor de crescimento
Bacillus pumilus Controle de Doenças
Bacillus sphaericus Controle de Pragas
Streptomyces spp. Acelerador de compostagem
Azospirillum brasilens Fixador de N
Pseudomonas fluorescens Solubilizador de P
Nitrospirillum amazonense Promotor de crescimento
Beauveria bassiana Controle de Pragas
Metarhizium spp. Controle de Pragas
Pochonia chlamydosporia Controle de nematoides
Paecilomyces lilacinus Controle de nematoides
Trichoderma harzianum Controle de doenças/nematoides
Purpureocilium lilacinum Controle de nematoides
Trichoderma asperellum Controle de doenças/nematoides
Pasteuria penetrans Controle de Nematoides
Isaria fumosorosea CEPA ESALQ 1296 Controle de pragas

Na tabela foram detalhados alguns dos principais organismos vivos utilizados como bioinsumos na agricultura, entretanto, há uma infinidade de outros tantos que são utilizados, outros estão sendo testados, e milhões de organismos que ainda não foram identificados e validados com uso agronômico.

No campo

Cada dia mais os agricultores têm utilizado os bioinsumos como estratégias de manejo com foco na melhoria dos componentes que envolvem a produtividade das culturas. Dessa forma, como exposto na tabela anterior, muitas são as possibilidades e funcionalidades destes microrganismos.

Considerações e perspectivas

Há uma lacuna imensa a ser preenchida no que diz respeito à utilização de bioinsumos, seja quaisquer deles que forem utilizados, na busca por uma agricultura regenerativa, com maior equilíbrio, evitando a exploração de novas áreas, e como consequência, a vivência de uma agricultura sustentável, respeitando o meio e todos os seus componentes, com a possibilidade de atingir elevados tetos produtivos.

Com relação às perspectivas, não há dúvidas do potencial de utilização destes bioinsumos, apesar de que atualmente a informação e adoção de práticas relacionadas com este tema ainda sejam pouco generalistas, o que se espera é que, em pouco tempo, o crescimento seja exponencial, com possibilidades de atingir grande parte dos agricultores nacionais, em um mercado extremamente promissor e rentável, seja com o viés dos comercializadores, assim como para os agricultores, por meio da condução de uma agricultura produtiva, sustentável e rentável.

Outros componentes de estudo

Na mesma vertente dos bioinsumos, a tendência pela diminuição do uso de defensivos, aliado a práticas mais sustentáveis, traz diversas possibilidades e novidades de manejo, visando maior equilíbrio do sistema, assim como na contribuição de incrementos em produtividade.

Um case de sucesso é a utilização de um mix de plantas de cobertura na cultura do cafeeiro, por meio da associação de diversas espécies de plantas, principalmente gramíneas, leguminosas, crucíferas e poligonáceas, sendo exemplificadas por plantas como o capim braquiária, crotalárias, nabo forrageiro, crambe, niger, trigo mourisco, entre outras, com foco na melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo, além da possibilidade de serem utilizadas como abrigo e alimento de inimigos naturais de pragas dos cafeeiros e também na redução de nematoides que parasitam e causam danos ao sistema radicular dos cafeeiros.

Junto a isso, outras práticas, como a soltura de crisopídeos, também vem ganhando destaque, que no caso dos cafeeiros, auxiliam no controle de uma das principais pragas que afetam a cultura, o bicho-mineiro. Nesse mesmo sentido, na busca pela inserção de uma maior quantidade de organismos vivos no sistema de cultivo, também se tem utilizado a associação de apicultura à cafeicultura, com sensíveis melhoras na produtividade em função da eficiência da polinização pelas abelhas.

Portanto, como mencionado em todo o componente textual acerca dos bioinsumos, estes conceitos aplicados à cafeicultura detalhados anteriormente também atuam na busca por um maior equilíbrio do ecossistema que envolve esse cultivo, como foco na sustentabilidade e simbiose entre todos os componentes do mesmo.

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