Biológicos: Evolução no controle de doenças e pragas

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Sede da Biofábrica da Amipa, em Uberlândia – Fotos: Lício Pena

Um método de controle que tem expandido na agricultura é o biológico com uso de macrorganismos (MAcs). A biofábrica da Amipa trabalha com predadores e parasitoides e atende as culturas do algodão, soja, milho, feijão, ervilha, tomate e café

A agricultura tem se tornado cada vez mais dinâmica e carente de novas tecnologias consolidadas para oferecer confiança aos que produzem. Estes demandam cada vez mais tecnologias seguras e que ofereçam oportunidade de lucro e sustentabilidade.

Segundo Flávio Lemes Fernandes, doutor e professor de entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV),  de fato, a sustentabilidade agrícola só é obtida por tecnologias que preservem o ambiente e ao mesmo tempo sejam eficientes para quem a adquire. Neste contexto, o controle fitossanitário de pragas é um dos setores que mais demanda medidas de controle sustentáveis.

Assim, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma prática sustentável para incluir mais de um método de controle para as pragas-alvo e reduzir problemas de falhas de controle (perda de eficácia), resistência, ressurgência, erupção de outras pragas e resíduos de produtos fitossanitários no ambiente, alimento e no homem.

Evolução

Um método de controle que tem expandido na agricultura é o biológico com uso de macrorganismos (MAcs). Os MAcs são agentes conhecidos por inimigos naturais que podem ser divididos em predadores e parasitoides. Os predadores são, na sua maioria, insetos generalistas que matam e comem a sua presa, “sem piedade”.

Os parasitoides são insetos especialistas que parasitam os hospedeiros de forma a depositar o seu ovo sobre ou no interior do hospedeiro para que suas larvas se alimentem, causando a morte. Estes são encontrados naturalmente no ambiente, mas dependem de diversos fatores para serem eficientes e controlar as pragas.

Nas condições naturais, as populações dos MAcs ocorrem em altas densidades em função do tamanho populacional das pragas. Esta condição, muitas vezes, não é eficiente, pois as populações de MAcs só terão efeito de controle sobre as pragas quando estas atingirem maior tamanho populacional, que muitas vezes já causou danos econômicos à cultura.

Uma solução que tem sido adotada é a prática de criação massal em laboratório e liberação nas áreas dos cultivos. A criação dos MAcs em laboratório pode ser realizada nas biofábricas, pontua Flávio Lemes.

Resultados de pesquisas

Ovos de crisopídeo

No mundo, o tema controle biológico com MAcs é muito estudado, e a maioria das pesquisas são realizadas em condições de laboratório e casas de vegetação sobre biologia, comportamento, interação com plantas e agentes químicos.

Não existem muitos estudos voltados para práticas de campo, e essa carência acaba por reduzir a eficiência do controle biológico no campo. O Brasil tem sido considerado o país que mais utiliza o controle biológico no mundo. Dados da empresa Dunhan Trimmer afirmam que este é um país chave para o controle biológico.

Segundo Lício Augusto Pena Sairre, engenheiro agrônomo e diretor executivo da Amipa, associação de produtores que possui uma biofábrica sediada em Uberlândia (MG), a produção e distribuição em grande escala de macrorganismos é uma realidade para a agricultura do cerrado mineiro.

Atualmente, a biofábrica trabalha com predadores e parasitoides e atende as culturas do algodão, soja, milho, feijão, ervilha, tomate e café. São utilizados drones para a liberação dos agentes biológicos a campo e realizado um trabalho de monitoramento junto às áreas dos associados, reduzindo o uso de químicos e alcançando o controle de pragas de forma mais sustentável dentro do sistema produtivo da propriedade.

No Brasil, a maior área com a adoção de macrorganismos é na cultura da cana-de-açúcar, ultrapassando os 2,0 milhões de hectares com o manejo da Cotesia flavipes para o controle da broca Diatraea saccharalis.

Erros e acertos

Ainda de acordo com Flávio Lemes, os erros mais comuns no uso de MAcs podem ser advindos da metodologia de liberação desses agentes no campo, o “time” de liberação, as condições ambientais e a associação do manejo das lavouras com o controle biológico. A liberação de um MAc envolve, acima de tudo, a compatibilidade deste com o manejo dos produtores, em especial as aplicações de inseticidas, uma vez que eles podem afetar a população dos MAcs de forma direta ou indireta.

Diretamente causando mortalidade devido aos efeitos de contato ou devido à contaminação via consumo de presas ou hospedeiros contaminados. Indiretamente, por ter efeitos subletais, afetando a biologia (ex. reprodução, duração do ciclo de vida, etc.) e o comportamento (alimentação, cópula, etc.).

Assim, os inseticidas devem ser selecionados de forma a apresentar seletividade fisiológica aos inimigos naturais (MAcs). A seletividade fisiológica parte do princípio que o inseticida deve ser mais tóxico para a praga-alvo do que ao inimigo natural.

Estudos realizados pelo Grupo de Pesquisa em Manejo Integrado de Pragas (GPMIP) do Campus da UFV-Rio Paranaíba mostram seletividade variável do predador Chrysoperla externa na cultura do café. Assim, na figura 1 quase todos os inseticidas poderiam ser utilizados no controle das pragas na cultura do café, e afetariam pouco larvas de terceiro instar de C. externa.

Os inseticidas clorpirifós e fenpropatrina não seriam adequados por serem considerados nocivos a este predador. O uso desses inseticidas poderia ser adequado se aplicados em horários diferentes das liberações de C. externa ou aplicados e após alguns dias liberasse esse predador.

Resultado dessa pesquisa mostra que as diamidas isoladas, e quando associadas a metaflumizone, apresentaram baixa mortalidade a C. externa, e esses grupos estão dentre os de maior eficácia no controle do bicho-mineiro do cafeeiro. Assim, estes poderiam ser utilizados para o manejo desta praga, relata o professor Flávio Lemes.

Figura 1. Mortalidade (%) de C. externa em função dos inseticidas utilizados.

Fonte: Adaptado de Barbosa (2020)
Lício Pena Sairre, diretor executivo da Amipa

Atenção

Estudos conduzidos com os principais grupos de inseticidas utilizados no controle de pragas e MAcs comercializados no Brasil, mostram que a maioria dos grupos de inseticidas afetam a sobrevivência dos principais MAcs (tabela 1).

Os inseticidas regulares de crescimento (IRCs) estão dentre os que menos afetam a população de inimigos naturais. No entanto, não é regra, pois podem ter efeitos subletais, ou mesmo afetar organismos em que os predadores são as fases jovens. Estes podem ter seu desenvolvimento acometido por este grupo.

Não foram consideradas aqui as misturas com fungicidas e outros compostos químicos adicionados às caldas de inseticidas, que podem ter efeito tóxico aos grupos de MAcs. No entanto, tem-se observado que muitos herbicidas e fungicidas podem afetar as populações de MAcs no campo, e proporcionar variabilidade de respostas, podendo reduzir as populações destes e a eficácia do controle biológico.

Neste contexto, o ideal é reduzir as aplicações de inseticidas durante as liberações de MAcs no campo, ainda que o mesmo seja seletivo, uma vez que dificilmente o produtor aplicará apenas um produto químico na bomba de pulverização. Assim, é recomendado que pare com as aplicações de inseticidas e potencialize as liberações dos MAcs.

Segundo Flávio Lemes, o período de dias sem aplicações irá depender do tamanho da população da praga, do inseticida e da espécie de MAcs. Medidas de redução das aplicações têm sido positivas, com retornos econômicos ao produtor.

Tabela 1. Inseticidas seletivos e não seletivos aos principais grupos de MAcs.

Espécies Piretroide Organofosforado Neonicotinoide Diamida IRCs
Predadores
Chrysoperla spp. Bs Bs M/S M/S M/S
Orius spp. Bs Bs M/S M/S M/S
Ácaros M/S Bs M/S M/S M/S
Podisus spp. M/S Bs M/S M/S M/S
Parasitoides
Thrichogramma spp. Bs Bs M/S M/S M/S
Cotesia flavipes Bs Bs M/S M/S M/S
Trissolcus basalis Bs Bs M/S M/S M/S

Bs: Baixa seletividade; M/S: Moderada a alta seletividade; IRCs= Inseticidas reguladores de crescimento; Fonte: reunião de várias referências

Vantagens agronômicas dos macrorganismos

Larvas de crisopídeo, predando larva de bicho-mineiro

José Lusimar Eugênio, engenheiro agrônomo e Coordenador Técnico de Campo da Amipa, os macrorganismos têm como principal vantagem o fato de se alimentarem e/ou parasitarem ovos e larvas de primeiros instares das pragas, atuando antes que ocorram danos às culturas e perdas econômicas de produção.

As lavouras onde são realizadas as liberações são monitoradas por meio de armadilhas e feromônios para detecção de mariposas das pragas-alvo do controle, e são realizados monitoramentos dentro dos talhões para verificar a presença de ovos e pragas nos primeiros instares, de acordo com as ocorrências de mariposas, ovos e pragas na lavoura.

Após, é realizada a primeira liberação, sendo realizado acompanhamento semanal e/ou quinzenal, a depender da cultura, para determinar as próximas solturas. Os macrorganismos, principalmente os parasitoides, necessitam da presença da praga nas lavouras para sua sobrevivência e multiplicação na área.

Manejo

Primeiramente, é necessário um engajamento por parte do produtor e equipe técnica da propriedade voltada para a realização do controle biológico. Sem esse interesse e comprometimento, a implantação do controle biológico com macrorganismos está fadada ao fracasso.

José Lusimar, coordenador técnico da Amipa

Logo após a definição por parte do produtor para uso do controle biológico, é necessário uma definição do momento de início das liberações, intervalos de liberações, estudo dos produtos químicos que serão utilizados na área para auxiliar no controle de outras pragas e/ou até mesmo em algum escape de pragas-alvo do controle biológico, verificar a carência e/ou seletividade desses produtos com o macrorganismo que será utilizado na área e respeitar sempre o período de carência entre as liberações do controle biológico e aplicações de químicos.

Sempre se deve trabalhar em parceria com a equipe técnica das propriedades, respeitando as datas para liberação dos macrorganismos, explica Lusimar Eugênio.

Viabilidade em grandes áreas

Atualmente, com as liberações por drones e ou aeronaves agrícolas, o rendimento do trabalho chega até mesmo a ser maior que aplicações de produtos químicos.

Em algumas culturas, como soja e milho. é possível eliminar as aplicações de químicos para controle de pragas lepidópteras apenas com o uso do Trichogramma pretiosum, tendo uma redução de custos significativa. Em culturas como algodão, é possível trabalhar com os macrorganismos durante boa parte do ciclo da cultura, tendo uma maior manutenção das estruturas reprodutivas nas plantas, com ganho de produtividade.

Em culturas como tomate e ervilha, os resultados de ganhos de produtividade e redução de custos com pragas lepidópteras são na ordem de 12 e 20%, respectivamente.

O controle biológico com macrorganismos para o controle do bicho-mineiro do café Leucoptera coffeella, é possível com redução de 100% do uso de produtos químicos, trazendo uma redução de custos para o controle dessa praga.

No geral o uso de controle biológico com macrorganismos tem investimentos de R$ 180,00 a R$ 1.500,00, por hectare/anual, dependendo da cultura (anual ou perene), tendo como retorno o aumento na produtividade de 12 a 25%, e possibilitando, inclusive, uma redução nos custos, finaliza Lusimar Eugênio.

Visão da Embrapa sobre o uso de biológicos na agricultura

José Geraldo Di Stefano, engenheiro agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável e Pesquisador da Embrapa Algodão, o agronegócio brasileiro elevou o Brasil ao patamar de um dos maiores exportadores de alimentos, graças à bravura dos produtores rurais e em grande parte também à prática de uma agropecuária sistêmica, que não pensa em culturas ou sistemas de produção isoladamente, mas sim de forma integrada e interdependente.

Obviamente, não foi sempre assim. Trata-se de uma revolução ainda em curso e que é consequência, em grande parte, da mudança na forma de abordagem de questões relacionadas à pesquisa e desenvolvimento da agropecuária nacional.

Conceitos como a bioeconomia, economia circular de base renovável, sempre nortearam a atuação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em várias áreas do conhecimento, dentre elas o controle biológico de pragas. A Embrapa acumula resultados de pesquisa nesse tema gerados nas últimas três décadas por suas unidades em todo o território nacional.

Ao todo, a instituição possui mais de 300 ativos tecnológicos em desenvolvimento que precisam chegar efetivamente aos agricultores brasileiros. Por isso, a prioridade da Empresa hoje é agilizar a transferência dos conhecimentos e tecnologias ao setor produtivo, por meio de parcerias público-privadas que efetivamente contribuam para ampliar a utilização de agentes de controle biológico, reduzindo o uso de agrotóxicos sintéticos.

Além disso, estimula projetos de pesquisa que trabalhem com o desenvolvimento de metodologias de produção dos agentes de controle biológico em larga escala, de técnicas de monitoramento da presença das pragas e dos inimigos naturais para determinar o momento adequado de utilização dos agentes de controle biológico, bem como metodologias para avaliar a eficácia agronômica dos potenciais agentes de controle biológico, dentre outros.

Desafios

José Geraldo Di Stefano, pesquisador da Embrapa Algodão

Na cadeia produtiva do algodão no Brasil, o grande desafio continua sendo o alto custo do controle fitossanitário das lavouras para controle de várias pragas, dentre elas o bicudo do algodoeiro. A Amipa (Associação Mineira de Produtores de Algodão), desde 2014 vem trabalhando no controle biológico de pragas por meio de ações integradas da associação e de sua biofábrica, que fornece serviço de manejo com macrorganismos aos associados a partir do portfólio de inimigos naturais para as culturas do algodão, café, soja, ervilha, tomate, alho, etc.

Nesse cenário, Embrapa e Amipa vêm atuando juntas em ações que buscam identificar práticas agronômicas que, combinadas, são mais apropriadas às condições ambientais, especificidades socioeconômicas e políticas do Estado de Minas Gerais, especialmente no que tange o manejo integrado de pragas, explica Di Stefano.

Um exemplo dessas ações é o projeto intitulado “Desenvolvimento de estratégias de controle biológico para o aprimoramento do manejo integrado de pragas do algodoeiro”, coordenado pelo entomologista e pesquisador da Embrapa, Raul Almeida, Ph.D em Ecologia da Produção e Conservação de Recursos pela Universidade de Wageningen – WU, Holanda.

Pilares

Equipe da Embrapa, Amipa e Farroupilha acompanhando a liberação de agentes biológicos via drone

Os principais pilares do projeto envolvem o aprimoramento da amostragem de pragas e de inimigos naturais como fator de segurança para o momento adequado de controle de pragas; a seletividade dos inseticidas para os inimigos naturais, importantes no manejo integrado; e a proposição de um modelo de controle biológico para o bicudo do algodoeiro com a utilização de macrorganismos que vêm sendo reproduzidos em fase experimental nos laboratórios da Embrapa em Campina Grande (PB).

Este projeto faz parte de uma ação coordenada para eliminar as barreiras mentais e restritivas à expansão do controle biológico, quebrando o paradigma da sua utilização pelos diferentes sistemas de produção.

Esse é o diferencial que a Embrapa e a Amipa buscam com este projeto: identificar enlaces fundamentais entre a produção e o negócio, o rural e o urbano que beneficiem pessoas por intermédio das fazendas envolvidas na missão de consolidar um modelo de proteção de plantas.

Os resultados do projeto e a consequente ampliação do portfólio de macrorganismos da Biofábrica Amipa para o manejo fitossanitário realizado pelos produtores de Minas Gerais consolidarão a fibra produzida na região como referência de qualidade e destaque de produção verde nos cenários nacional e internacional, enfatiza o pesquisador da Embrapa José Geraldo Di Stefano.

Avanços

Os avanços da parceria Embrapa x Amipa na área de controle biológico coincidem com o lançamento do programa de bioinsumos do Governo Federal e com a projeção de uma verdadeira revolução biológica no campo, em que a agricultura será baseada predominantemente por produtos biológicos, como macrobiológicos, microbiológicos, bioquímicos, promotores de crescimento e produtos de uso veterinário.

Certamente não irá substituir 100% do uso, mas nos próximos anos será observada uma queda significativa na aplicação de fertilizantes e agroquímicos. Nesse sentido, segundo dados da CropLife Brasil e da ABC Bio, o mercado de produtos biológicos agrícolas deverá crescer a uma taxa (CAGR – Taxa composta de crescimento anual) de 13,80%, alcançando US$ 14,65 bilhões em 2023, frente aos US$ 6,75 bilhões em 2017.

A competitividade do agronegócio nacional dependerá da adoção de tecnologias sustentáveis, como os produtos biológicos, mercado que tem projeção de crescimento da ordem de 16% ao ano. O avanço nessa área é um caminho sem volta e o Brasil tem a vantagem de reunir instituições que estão na vanguarda do conhecimento e que, atuando juntas, representam uma oportunidade de crescimento ainda maior para o setor.

DB Agricultura e Pecuária utiliza Trichogramma nas lavouras

Paulo Roberto Fiorini, engenheiro agrônomo da DB Agricultura e Pecuária

Utiliza a ferramenta nas áreas de soja RR, algodão GL, feijão, tomate industrial e ervilha e conseguiu melhor equilíbrio de pragas e redução de custos

Paulo Roberto Fiorini é engenheiro agrônomo da DB Agricultura e Pecuária, especificamente das Fazendas São João, em Varjão de Minas (MG) e Fazenda Bom Retiro, em Presidente Olegário (MG). Ele conta que lá foram realizadas solturas do Trichogramma pretisoum Amipa®  com 55.000 ovos/ha a cada sete dias. “Utilizamos em áreas de soja RR e algodão GL na safra verão. Na safra de inverno utilizamos nas culturas de tomate industrial, ervilha e feijão, na média de oito a 12 solturas por ciclo, dependendo da cultura”, relata.

Ao longo do tempo ele aprendeu a utilizar a ferramenta de forma eficiente e a cada ano que passa aumenta as áreas de adoção da técnica. “Atualmente, utilizamos a soltura em meia dose, que seriam os 55.000 ovos/ha. Um complemento que fazemos é sempre com inseticidas fisiológicos juntamente nas aplicações de fungicidas ou foliares, para o caso de ter algum escape de ovo não predado. Outro fator muito importante é esperar a carência entre os dias de soltura com aplicação de defensivos incompatíveis com os mesmos. Procuramos também utilizar nessas áreas, sempre que possível, outros inseticidas e acaricidas biológicos (fungos e vírus) em conjunto para uma melhor harmonia entre os mesmos no controle de pragas”, detalha o especialista.

Somente na cultura do algodão Paulo Fiorini  não conseguiu fazer durante todo o ciclo, pois quando chega o período de controle da praga-chave, que é o bicudo-do-algodão, não conseguimos mais prosseguir com a soltura dos Trichogrammas. Nas demais culturas é realizado do início ao final do ciclo, sem nenhum problema, e com eficiência.

Os pontos importantes notados com o uso da tecnologia parte do melhor equilíbrio de pragas e redução de custos. Com o menor uso de inseticidas mais agressivos dentro das áreas, algumas pragas-chaves acabam por não aumentarem, sendo possível evitar o controle.

“Um exemplo, nessa safra, foi a baixa incidência de ácaros no tomate e feijão. A maioria das áreas não recebeu nenhuma aplicação para o mesmo. Outro fator é a manutenção sempre baixa da população de lagartas, sendo que não houve nenhum talhão onde a praga chegasse a níveis altos, evitando assim perdas de produtividade”, considera Paulo Fiorini.

Ainda segundo ele, o grande benefício do uso do Trichogramma pretiosum Amipa® é o menor uso de defensivos, que reflete em equilíbrio da lavoura com outras pragas, contribuindo para a parte ambiental e financeira do sistema agrícola.

Grupo Farroupilha também aposta no controle biológico         

Júnio César Martins, gestor de produção do Grupo Farroupilha

A fazenda usa macrorganismos nas lavouras de café e algodão e não se faz aplicação de inseticidas químicos para o controle do bicho-mineiro

Júnio César Martins é gestor de produção do Grupo Farroupilha. Lá, são 35.000 hectares entre safra e entressafra, sendo nove culturas: algodão, soja, milho, milho doce, feijão, trigo, ervilha, tomate e café.

Algodão e café, atualmente, estão sendo trabalhadas com macrorganismos. “Começamos os trabalhos em parceria com a Amipa há três anos na cultura do café, buscando novas alternativas no controle do bicho-mineiro, praga que vem se destacando pelas perdas de produtividades nas lavouras do País e aumento nos custos de produção. Foram feitas duas áreas-piloto, sendo uma de manejo convencional e outra orgânica. Para manter o equilíbrio do meio, eliminamos nestas áreas teste os inseticidas não seletivos aos insetos benéficos. Tivemos grande sucesso no controle de bicho-mineiro, tanto que atualmente nestas áreas não se faz aplicação de inseticidas químicos e orgânicos” relata Júnio César.

Devido à agressividade do agente biológico Chrysoperla externa, produzido pela Biofábrica Amipa, no controle de ácaros, bicho-mineiro, entre outras pragas, nos levantamentos de MIP feitos pela equipe da fazenda não há nível de controle ou dano econômico. Devido à eficácia apresentada, nesta safra que se inicia, em parceria com a Amipa, foi expandida a soltura deste macrorganismo para 50% das áreas de café.

Para o profissional, entre os benefícios do uso estão o equilíbrio do meio e, consequentemente, redução de inseticidas e menor custo de produção.

A nova era da agricultura sustentável chegou com o uso de macrorganismos no controle de pragas. Quando se emprega o uso de ferramentas benéficas como exemplo de manejo biológico, automaticamente o meio se equilibra, melhorando todo o sistema. Essas práticas agrícolas geram mais vida benéfica, seja no solo, com o uso de microrganismos, ou na lavoura em si, onde entram os macrorganismos.

“O uso consciente de defensivos agrícolas que não agridem o meio gera mais lucratividade ao produtor rural. Durante o processo de qualquer mudança, independente do setor, há resistência. No início sempre há insegurança, mas o sucesso e a evolução só vêm com a busca de conhecimento e, por fim, o resultado final”, conclui Júnio César.