Biológicos, manejo integrado e aumento de produtividade

0
124

Antônio Carlos ZemCEO da Biotrop/TOTAL BIO; MSc PhD.

Tedson L. F. AzevedoMSc PhD e supervisor de Desenvolvimento de Mercado

Créditos: Biotrop

Qual é o futuro da agricultura? Se olharmos para o passado, poderemos lembrar que o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes minerais industrializados trouxeram um importante incremento na produtividade das culturas e, consequentemente, grande aumento na produção e oferta de alimentos em todo o mundo.

Com a evolução tecnológica e a busca por novas opções para o controle das pragas agrícolas, os produtos biológicos têm se apresentado como ferramenta econômica e tecnicamente viável ao produtor. Isso não quer dizer que se pensa em substituir completamente os defensivos agrícolas pelos biológicos, mas que eles atuem de forma sinérgica num plano integrado de manejo de pragas, doenças, nutrição e promoção de crescimento para as plantas.

O controle biológico e os defensivos agrícolas, assim como as outras ferramentas preconizadas pelo manejo integrado de pragas e doenças, devem compor o conjunto de medidas de ações de controle utilizadas pelo agricultor para que se consiga altos níveis de eficiência no manejo, reduzindo os danos e permitindo ao produtor o aumento do retorno financeiro de sua lavoura.

Antes, o mercado de soluções biológicas era visto como pequeno, de baixa eficácia e qualidade inconsistente. Agora, com o crescente interesse das multinacionais, novas empresas, tecnologias inovadoras de produção, conservação dos microrganismos e maior capital para investimentos utilizando os biológicos como estratégia de diferenciação, é natural esperar a introdução de uma nova gama de produtos no mercado.

Inclusive, o foco estratégico da Biotrop em biológicos é oferecer soluções integradas que permitem melhorar a produtividade e lucratividade de maneira sustentável, tanto para o produtor como para toda a cadeia envolvida na produção e comercialização de alimentos.

Demanda

O mercado mundial de biológicos tem crescido a um ritmo cinco vezes maior que o da indústria de agroquímicos. Entre 2011 e 2019, o mercado global desses produtos teve crescimento médio anual de 15,3%. Isso se deve, em primeiro lugar, a uma questão de investimento, uma vez que para desenvolver um novo defensivo o custo é extremamente alto: US$ 286 milhões, enquanto o biológico custa uma fração desse valor, além disso, existe uma demanda da sociedade e dos órgãos reguladores pela produção de alimentos sem resíduos.

Nesse contexto, a utilização dos defensivos biológicos em alternância com os produtos químicos permite que sejam realizadas aplicações de biológicos visando o controle de pragas e doenças no final do ciclo de cultivo, quando que nessa situação, a aplicação de defensivos químicos é limitada em função dos limites máximos de resíduo e intervalo de carência.

Outra vantagem da introdução de produtos biológicos no manejo é a extensão da vida útil dos ingredientes ativos dos defensivos químicos, ou seja, o tempo estimado para que o alvo apresente resistência ou o ingrediente ativo perca eficácia no controle. Biológicos representam novos, amplos e complexos mecanismos de ação, para os quais a evolução da resistência de pragas e doenças é menos problemática.

Considerando que o lançamento de novas moléculas químicas tem ocorrido de forma cada vez mais lenta e mais custosa, a manutenção da alta eficácia das moléculas atuais é fator crítico para a sustentabilidade da agricultura e nesse sentido a integração com biológicos é fundamental para retardar a evolução da resistência e prolongar o ciclo de vida desses ativos.

Ferramenta estratégica

Biológicos têm uma expectativa de crescimento robusto, fornecem alternativas eficazes e sustentáveis, são uma eficiente ferramenta para proteger os altos investimentos em sementes e a rentabilidade do agricultor.

Os produtores estão adotando o manejo integrado de pragas (MIP), no qual os defensivos biológicos desempenham papel central. A tendência do mercado é que o uso de biológicos conviva em harmonia com os defensivos químicos.

A mudança no perfil dos produtos biológicos e o aumento exponencial de sua utilização, migrando de nichos para a consolidação no mercado, atingindo as principais culturas, depende da evolução das formulações e dos processos de produção. Para a consagração dos produtos biológicos, suas formulações devem depender cada vez menos de logística diferenciada para transporte, armazenamento e aplicação. Essa evolução só será possível com investimentos massivos em tecnologia.

Para ler o restante deste artigo você tem que estar logado. Se você já tem uma conta, digite seu nome de usuário e senha. Se ainda não tem uma conta, cadastre-se e aguarde a liberação do seu acesso.