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Biológicos se mostram eficientes contra traça em repolho

Camila Queiroz da Silva Sanfim de SantAnnaEngenheira agrônomaagro.camilaqs@gmail.com

Repolho – Crédito Shutterstock

Inseto considerado praga-chave para muitas culturas da família das Brassicaceae, como o repolho, a traça-das-crucíferas (Plutella xylostella), microlepidóptero, causa severos danos à cultura, podendo inviabilizar 100% da planta.

Pode ocorrer durante todo o ano, entretanto, períodos de ausência de chuvas e temperaturas em torno de 22°C favorecem o crescimento da população desse inseto.

Os danos causados pela traça-das-crucíferas tornam o produto final impróprio, depreciando-o de tal forma que as larvas, assim que eclodem, penetram no interior da folha, raspando a face inferior e construindo galerias. Em seu estágio mais avançado perfuram e desfolham a cultura.

Ciclo

O ciclo médio do inseto, do ovo-adulto, é de 11 a 22 dias e o período larval entre seis a 14 dias. Os adultos possuem hábito noturno, escondendo-se durante o dia e ao entardecer saem para se alimentar e se reproduzir. Já as fêmeas costumam depositar seus ovos na face inferior das folhas, que eclodem após três a quatro dias.

Controle

A medida mais utilizada pelos produtores é o controle químico, consistindo da pulverização com inseticidas específicos, registrados para a cultura. No entanto, os custos, a dificuldade de controle (as gotas pulverizadas não conseguem atingir eficientemente o alvo, devido à preferência do inseto pela parte abaxial – inferior – das folhas), o risco de contaminação e a resistência da praga (razão do uso indiscriminado e sucessivo de aplicações) são alguns fatores que contribuem para a falta de sucesso no controle das traça-das-crucíferas.

No repolho, há ainda outra implicação, pois devido à formação da “cabeça”, as larvas utilizam seu interior como proteção, devendo-se realizar sucessivas e infrutíferas aplicações de inseticidas.

O caso do repolho

O desenvolvimento do repolho compreende o período de 60 a 120 dias. A P. xylostella possui o ciclo de vida curto (11 a 22 dias) e alto potencial biótico, podendo aumentar sua população em até 60 vezes de uma geração para outra. Assim, dentro do ciclo da cultura, diversas gerações do inseto podem ocorrer, sendo outra limitação de seu controle.

Deste modo, o uso de um manejo eficiente, com táticas e técnicas adequadas, promoverá maior eficiência no controle desse inseto-praga.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) emerge como uma alternativa de reduzir o uso desenfreado de agroquímicos e promover meios de controle mais eficientes. Dentro desse conceito, o controle biológico tem sido uma opção viável, principalmente por seu papel fundamental em áreas de cultivo orgânico e agroecológico.

Biológicos

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No manejo biológico, produtos à base da bactéria Bacillus thuringiensis, fungo Beauveria bassiana, ou ainda, a liberação de parasitoide de ovos como a vespa Trichogramma sp. são empregados no controle das traça-das-crucíferas.

As vespas parasitoides de ovos Trichogramma sp. são uma viável alternativa que vem sendo adotada pelos produtores de crucíferas, resultando em uma eficiente alternativa, devido à sua fácil criação massal em laboratório e sua associação com a espécie-praga.

No Brasil, dados econômicos sugerem que cinco a 10 bilhões de vespas de Trichogramma sp são produzidas anualmente e liberadas em 1.200 ha de brássicas. A comercialização das vespas é realizada em cartelas ou a granel para aplicação aérea.

A liberação do parasitoide deve ser realizada quando se observarem os primeiros ovos da praga na cultura. Para isso, é essencial o uso de armadilhas a fim de realizar tal monitoramento. Em 1,0 ha, as cápsulas ou sachês são distribuídas em 48 pontos equidistantes.

Em média, sugere-se de uma a quatro aplicações, em intervalos de sete a 10 dias, conforme recomendação da empresa fornecedora. Há produtores que relatam um eficiente controle já a partir da terceira aplicação.

Como funciona

Assim que liberadas, as fêmeas dos parasitoides detectam os ovos das pragas-alvo e depositam ali seus ovos (dentro dos ovos das pragas). A partir disso, as larvas do Trichogramma sp. se alimentam do conteúdo interno dos ovos, e depois de oito a 10 dias ocorre a emergência dos adultos, deste modo, não permitindo nascer mais lagartas e reduzindo, assim, a população da praga.

Segundo indicações da Embrapa, o uso do Bacillus thuringiensis em conjunto, um a dois dias após aplicação do Trichogramma sp., é uma estratégia para aumentar a eficiência no controle da praga, pois em torno de 60% dos ovos são efetivamente controlados pelos parasitoides e o Bt, então, irá agir nas lagartas que conseguiram se formar dos ovos eclodidos, não parasitados.

Obstáculos

Alguns fatores podem dificultar a eficiência do parasitismo das vespas de Trichogramma sp., como temperatura alta ou extremamente baixa, que prejudicam a sobrevivência do parasitoide. Para sua aplicação, inclusive no campo, recomenda-se ser realizada no início da manhã ou em dias nublados.

Compostos químicos de substâncias sintéticas, como o clorpirifós, podem afetar a detecção dos indivíduos quanto a encontrar os ovos de seus hospedeiros, assim como seus parceiros sexuais, podendo ocorrer acasalamentos interespecíficos e promover ovos não fertilizados, interferindo, deste modo, na manutenção da população do parasitoide no campo.

Barreto e Gemelli (2020) realizaram um estudo com agricultores familiares que cultivam brássicas nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop e que buscam alternativas para o eficaz controle da P. xylostella. O uso de métodos alternativos aos convencionais ainda não são tão difundidos entre os agricultores, apesar de possuírem certo conhecimento sobre o controle biológico.

Um dos agricultores relatou que, apesar, de usar as vespas parasitoides, há lentidão na atuação do controle. Fato é que os inimigos naturais utilizados no controle biológico não possuem efeito de supressão na praga tão rapidamente quanto a aplicação de um inseticida, devido ao estabelecimento inicial.

Sendo assim, são perceptíveis as inúmeras vantagens e benefícios do Manejo Integrado, do uso do controle biológico e dos benefícios que o uso do Trichogramma sp. têm possibilitado ao controle das traças-das-crucíferas. No entanto, é notória a necessidade de incentivo e ações na extensão rural, parceria com universidades e setor privado para melhor explanação e orientação a respeito dos métodos alternativos de controle.

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