Boro – nova tecnologia proporciona ganhos ao canavial

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Autor

Pedro Augusto Silva Fernandes
Graduando em Engenharia Agronômica e presidente do Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão em Fertilidade do Solo (G-FERT) – UFSJ Campus Sete Lagoas Minas Gerais
gfert@ufsj.edu.br

Crédito Shutterstock

A suplementação do boro é essencial para um bom resultado na hora de colheita da cana-de-açúcar. Uma nova tecnologia no manejo de boro corrige a deficiência deste micronutriente, evitando a paralisação do crescimento dos meristemas apicais, além de proporcionar a formação correta da parede celular e colaborar ativamente para a síntese e translocamento de carboidratos via floema.

O diferencial é que o boro está totalmente complexado por polióis específicos. Tal complexo facilita a absorção e translocação do nutriente, tanto via foliar como através da raiz. Além disso, não apresenta quaisquer aminas ou etanolaminas na sua formulação, ou seja, é um complexo verdadeiro, diferenciado das fontes usuais de boro que naturalmente apresentam mobilidade limitada na planta.

Manejo

Na pré-maturação, a recomendação de aplicação do produto é pelo menos 90 dias antes da colheita, ou 45-60 dias antes da aplicação do maturador. As doses dependerão dos teores no solo e na folha.

O uso da nova tecnologia também proporcionou valores de ATR (Açúcar Total Recuperável) e TCH (Toneladas de Cana por Hectare) superiores aos padrões utilizados.

Experimentos

Em um experimento na cidade de Itaí (SP), um produto recentemente lançado no mercado aumentou significativamente o resultado final de açúcares totais recuperáveis (ATR). De acordo com pesquisas, a testemunha com tratamento padrão utilizado pela usina chegou ao final com 121 kg/ton e o tratamento na etapa de pré-maturação da cana-de-açúcar (90 DAC), chegou ao final com 136 kg/ton. Ou seja, com o produto o ganho foi de 15 kg/ton em relação à área testemunha, um resultado muito expressivo.

Apontamentos

Um dos fatores mais importantes a ser observado no momento da adubação boratada é a solubilidade da fonte escolhida. Segundo Mortvedt (1994), fontes mais solúveis apresentam maior mobilidade do B no solo e, consequentemente, maior grau de lixiviação do nutriente no perfil.

Devido a isso, deve-se optar por fontes de menor solubilidade com fornecimento gradual a cultura, resultando em maior aproveitamento e produtividade.