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Brachiária híbrida leva ao mundo pecuária tropical de baixo carbono

Nos dois últimos anos, empresas que compõem o projeto Brazilian Cattle, uma parceria entre Apex e ABCZ, ampliaram em 42% o valor das exportações de sementes de forrageiras.

O Brasil já é responsável por 24% das exportações mundiais de carne bovina, segundo o mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). De acordo com o órgão, cerca de 28,3% das 10,57 milhões de toneladas de carne produzidas no Brasil irão para o mercado externo 2023, um aumento de 3,9% no volume exportado. 

Para Sam Wolf, Chairman da Wolf Sementes, líder no mercado nacional de brachiarias híbridas, a pecuária tropical do Brasil é altamente eficiente e precisa ser exportada para o mundo como um sistema de produção. 

“O produtor brasileiro conseguiu desenvolver ao longo das décadas uma pecuária economicamente e ambientalmente mais sustentável graças a tecnologia, que é passível de ser exportada para outros países”, afirma Wolf. 

Holandês, Wolf passou pelo México e Estados Unidos antes de se fixar no Brasil no início dos anos 2000. Desde então, tem liderado os esforços exportadores da companhia que leva o nome da família. 

A empresa é uma das primeiras associadas do Brazilian Cattle, parceria entre a Apex Brasil e a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) para promover a cadeia pecuária do Brasil no exterior. 

O trabalho setorial e a experiência de Sam têm dado resultados. Entre 2020 e 2022 as empresas associadas à Brazilian Cattle, ampliaram em 42% suas receitas com exportações de sementes de forrageiras, saltando de US$ 217 milhões para US$ 307 milhões. 

A principal meta, entretanto, é levar a genética do pasto brasileiro para o exterior pois, segundo Wolf, ela faz parte do sistema brasileiro de pecuária tropical de baixo carbono. 

18 anos de pesquisa 

Hoje, mais de 40 países da África, Ásia, América do Sul e América Central utilizam as sementes de brachiaria híbrida Mavuno, da Wolf Sementes.  

O produto, resultado de 18 anos de pesquisa, tem permitido a redução de tempo de abate de bovinos criados a pasto para 26 meses, praticamente metade da média brasileira. 

Segundo dados da Scott Consultoria, diferentemente da Europa e Estados Unidos, onde prevalece o confinamento, cerca de 75% dos animais abatidos no Brasil são criados a pasto. E boa parte deles são os chamados bois verdes, cujo manejo, menos oneroso e mais sustentável, é um dos motivos do domínio brasileiro no mercado internacional de carne. 

“O Brasil se consolidou como exportador de genética de animais por meio do sêmen. Já exportamos também nossa tecnologia para formação de pastagem, pois somos o maior produtor e, teoricamente, também o maior exportador de sementes de brachiaria”, destaca Sam Wolf.  

“Está na hora de levar todo o sistema de produção brasileiro para o mundo tropical. Ainda existem muitas oportunidades para colaborar com o pecuarista que precisa produzir mais carne e mais leite”, lembra o empresário. 

Para tanto, ele defende mais proximidade dos órgãos reguladores e ligados ao comércio exterior de modo a conferir agilidade, reduzir barreiras sanitárias e tornar processos burocráticos mais simples e eficientes. 

“Uma pastagem com teor de proteína superior, tolerante à seca e que permite uma maior taxa de lotação é uma tecnologia brasileira para o mundo. Os melhores sistemas pecuários do Brasil mostram que não basta boa genética animal e boa estrutura na fazenda. É preciso um pasto eficiente, nutritivo, tolerante a pragas, doenças e desafios climáticos. Você consegue extrair mais resultados no mesmo sistema produtivo”, completa. 

Capim “mais verde” 


“Foram muitos anos de pesquisa até chegarmos em uma semente híbrida de pastagem que fosse capaz de transformar a pecuária. Somos felizes por saber que podemos contribuir com os pecuaristas do mundo. A cultura, o solo, tudo muda de um país para o outro. Porém, produzir ‘mais com menos’ é algo que todos precisam. E a tecnologia permite isso”, afirma. 

“Em nossos estudos e em vários relatos no campo vimos que Mavuno oferece 75% a mais de proteínas que as demais braquiárias, o que resulta em uma produção de leite 30% maior comparada a um rebanho que se alimenta de brachiarias convencionais,” explica Wolf. 

Entre os diferenciais, além da produtividade, Mavuno potencializa as vantagens ambientais do pasto. Suas raízes profundas ajudam a reduzir a compactação do solo e seus riscos de degradação. 

Sua alta produtividade amplia o sequestro de carbono e permite mais produção em menor área, o que faz da pecuária uma prática mais sustentável e mais rentável. Pesquisas já demonstraram a eficiência de Mavuno em sistemas integrados, como o plantio consorciado com milho, sorgo e também floresta (ILPF – Integração Lavoura Pecuária Floresta), devido a sua tolerância ao sombreamento. 

Brasil – Holanda 


Nascido nos Países Baixos, filho e neto de produtores e exportadores de sementes de batata, Wolf fincou raízes no Brasil ainda no começo da década de 2000, com a aquisição da empresa de sementes Naterra, em Ribeirão Preto (SP). Antes, havia passado pelo México e Estados Unidos, onde cursou universidade. 

“Sempre soube que tínhamos que produzir sementes de brachiarias aqui”, diz o pai do Mavuno, produto que hoje representa 50% do mercado de brachiarias hibridas no Brasil, onde é líder. 

O objetivo com o novo híbrido sempre foi criar estabilidade no mercado forrageiro interno e externo. “O mercado de variedades comuns de brachiarias é muito volátil, o que faz os preços subirem e descerem, afetando o mercado e o produtor, sem trazer um diferencial produtivo eficaz”, completa. 

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