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quinta-feira, agosto 18, 2022
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Brasil – Consumo de cápsulas deve aumentar mais de 100% até 2019

 Créditos Shutterstock
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O consumo de cápsulas de café no Brasil deve aumentar mais de 100% até 2019, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Uma das razões para o cenário é o fato das indústrias estarem investindo cada vez mais em máquinas domésticas de fazer café, chamando a atenção dos usuários, que buscam praticidade e conveniência sem perder a qualidade.

Segundo pesquisa elaborada pela Euromonitor Internacional, o segmento de cápsulas apresenta forte tendência entre o público jovem, de 16 a 25 anos, especialmente nas grandes metrópoles. Além dessa constatação, os resultados mostram que o público consumidor está cada vez mais exigente, uma vez que 44% dos que responderam ao questionário estariam dispostos ou muito dispostos a pagar um valor superior por um café de excelente qualidade, mais conhecidos como gourmet.

Paladar refinado

Para o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, os dados indicam que o conhecimento dos apreciadores de café aumentou muito. “Se antes era pouco comum saber reconhecer os tipos da bebida, hoje as pessoas já sabem que o café, assim como o vinho, tem tipos e particularidades que influenciam diretamente no seu sabor, aroma e preço”.

“O mercado de cápsulas deve crescer 24,4% este ano, conforme pesquisa da Euromonitor. Elas chegam ao comércio com um valor muito próximo às marcas líderes porque não há disputa por preços menores. A diferença se dá pela alta qualidade”, diz.

De acordo com Herszkowicz, apesar do mercado de cafés especiais responder por 09% do consumo, enquanto o restante é destinado ao uso dos cafés comuns, com preço acessível e qualidade aceitável, quem pode fazer a escolha de qual café comprar, opta pelo gourmet.

“Ele é raro, exclusivo. Quem prova um café de alta qualidade fica apaixonado e não volta atrás, mesmo custando por volta de R$ 53,00 o preço médio do quilo, conforme dados do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo”, explicou.

Os consumidores de café procuram por cafés com sabor, qualidade e sustentabilidade - Créditos Shutterstock
Os consumidores de café procuram por cafés com sabor, qualidade e sustentabilidade – Créditos Shutterstock

Sem medo de errar

Para Herszkowicz, as atuais incertezas políticas não devem alterar a projeção da Abic. Em 2016, ano emblemático para o país, enquanto a associação esperava por uma diminuição considerável no consumo de cafés especiais, devido às mudanças nos hábitos de compra por conta dos altos índices de demissão, o que se viu foi a procura deles, em ritmo elevado.

“Parte da sociedade busca preservar costumes, e o café é uma bebida acessível e democrática. Em 2017, a utilização de café gourmet vai crescer em velocidade maior que o consumo global da bebida, que é equivalente a até 2%”, diz.

Sustentabilidade

Conforme o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Breno Mesquita, hoje em dia quem toma café está optando por bebidas com certificação de sustentabilidade, e é por isso, inclusive, que muitos produtores investem em cursos de capacitação, a fim de aprender sobre a correta utilização dos recursos naturais, controle da lavoura e melhoria técnica.

Desde que o Prêmio Ernesto Illy surgiu no Brasil, em 1991, os Concursos de Qualidade de Café no País e no mundo têm tido uma importância fundamental, não somente por gerar publicações sobre os eventos, mas também por difundir conhecimentos sobre a produção, destacar as melhores regiões produtoras e despertar a curiosidade e o interesse dos consumidores.

Responsáveis por premiar os cafeicultores que investem nas lavouras e se dedicam a oferecer aos compradores uma bebida considerada superior, os torneios têm papel indispensável na educação dos produtores, que para conseguirem uma boa colocação na disputa precisam obedecer uma série de procedimentos, como, por exemplo, uma colheita com menor número de grãos verdes, técnicas de secagem, uso do despolpador, além de conhecerem sobre a bebida e desenvolverem classificadores que provêm do café, para indicar se está bom ou se precisa ser melhorado.

“Aqueles que têm boas classificações nos concursos ganham um status de ‘produtores diferenciados’, fazendo bem para a autoestima e agregando valor à produção. Antigamente, não se falava do Caparaó, Carmo de Minas, Alta Mogiana e do Norte Pioneiro Paranaense, regiões destacadas pelo sucesso dos concursos“, comenta Nathan Herszkowicz.

Nos dois últimos meses ocorreram diversos lançamentos de cafés especiais, também chamados gourmets: a Café do Ponto se reposicionou, a Nestlé anunciou o café em grão, a JDE apostou em marca francesa para inovar categoria premium, o Orfeu está investindo cada vez mais no mercado interno e a Nespresso divulgou uma edição limitada de cafés harmonizados com leite.

Para o representante da ABIC, as novidades mostram que o mercado enxerga a alta qualidade como um segmento que precisa ser atendido, que tem valor e capacidade de crescimento. “É uma revolução. Sem dúvida, no caso do produtor, a demanda por grãos de melhor qualidade vai aumentar muito mais”, finaliza.

Essa matéria você encontra na edição de outubro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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