Buva e capim-amargoso podem ser resistentes a herbicidas?

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Autores

Juliano Bortoluzzi Lorenzetti
Maikon Tiago Yamada Danilussi
Engenheiros agrônomos, mestres e pesquisadores do Grupo Supra Pesquisa e Universidade Federal do Paraná
Crédito – Ana Maria

A seleção de resistência ao herbicida glyphosate permitiu às plantas de buva (Conyza spp.) e capim amargoso (Digitaria insularis) se desenvolverem concomitantes à cultura da soja RR competindo por espaço, luz, água e nutrientes.

Recentemente a resistência a outros herbicidas, como chlorimuron e, principalmente, paraquat e 2,4-D, dificultaram em muito controle da buva. Considerando que a dessecação pré-semeadura da soja é o principal momento de controle para plantas daninhas, a resistência aos herbicida 2,4-D e paraquat reduziu drasticamente a eficiência de controle durante este manejo.

As falhas neste manejo de controle permitem o desenvolvimento da buva durante o ciclo da soja e, consequente, redução da produtividade. Estudos recentes do Supra Pesquisa mostram as reais perdas observadas em produtividade na soja ocasionadas pelas populações de buva.

Em presença de plantas daninhas nas densidades de 0, 1, 2, 3, 4, 6, 8, e 10 plantas m-2, as produtividades de soja foram de 4.075 kg ha-1, 3.510 kg ha-1, 3.216 kg ha-1, 3.147 kg ha-1, 2.725 kg ha-1, 2.322 kg ha-1, 2.106 kg ha-1 e 1.669 kg ha-1, respectivamente. Isso é muito dinheiro indo para o “ralo”, é o equivalente a uma caminhonete Hilux® a cada 300 ha, para uma planta de buva por m2, na média.

Assim, é possível verificar o alto potencial de interferência da buva sobre a soja. Isto justifica a maior atenção para o controle a ser realizado para a buva durante a dessecação pré-semeadura e durante o desenvolvimento da soja. Além de servir como informação para tomadas de decisão econômica por parte dos produtores e profissionais. Ou seja, é importante agir, se não for de forma pró ativa (o ideal), que seja de forma reativa, realizando o controle, mesmo que paliativo, para que os prejuízos sejam mitigados/diminuídos.

O capim-amargoso

Pensando no capim amargoso, o manejo ocorre principalmente na dessecação pré-semeadura e o manejo incorreto pode acarretar a presença de plantas entouceiradas na lavoura e com tecido de reserva (rizoma), dificultando seu controle e potencializando os danos na soja.

Também foram realizados estudos pelo Supra Pesquisa para determinar as perdas em produtividade na soja. As produtividades de soja foram de 4.341 kg ha-1, 3.427 kg ha-1, 3.023 kg ha-1, 2.454 kg ha-1 e 1.755 kg.ha-1, na presença de 0, 1, 2, 4 e 8 planta m-2 de capim amargoso. Ou seja, uma touceira de amargoso por m2 leva 1/5 da produtividade embora!

Diante do cenário de resistência do capim amargoso ao herbicida glyphosate, que causou acréscimo do custo de controle por necessidade de usar graminicidas para seu controle, estas informações servem para auxiliar os agricultores e demais profissionais do campo quanto às tomadas de decisões em relação ao custo/benefício do uso de herbicidas, no sentido de que o uso de herbicidas deve ser encarado como investimento, seja na dessecação présemeadura, seja em pré-emergência ou em pós dentro da cultura.

Isso vale tanto para buva e capim amargoso quanto para qualquer outra planta daninha. Lembrando sempre que o manejo deve ser integrado e pensado no sistema. Lembre-se, nosso maior desafio é: Fazer a coisa certa, do jeito certo, na hora certa!