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Cacau: Diferentes sistemas possibilitam cultivo

Cacau – Crédito: Arquivo

O cultivo do cacau atualmente está concentrado em três regiões do mundo: no Sudoeste da Ásia, Oeste da África e no Brasil. Aqui, o histórico da lavoura cacaueira é repleto de ascensões e quedas – o Brasil que já foi o maior exportador e hoje em dia ocupa a sétima posição mundial, sendo os Estados do Pará e a Bahia os maiores produtores nacionais.
Hoje, o cultivo passa por recuperação e tem apresentado resultados satisfatórios. Dentre os métodos de cultivo, destacam-se os sistemas agroflorestais, sistema cacau-cabruca e a pleno sol.

Sistemas agroflorestais

Um dos consórcios mais bem estabelecidos do cacau é com a seringueira. As culturas não são concorrentes, sendo consideradas complementares, pois além de extrair nutrientes em camadas diferentes do solo, partilham do mesmo polinizador, podendo, assim, otimizar a mão de obra e melhorar a receita.
Entretanto, outros modelos também podem ser utilizados em SAF, como a consorciação de cacaueiros e pupunheiras em renques, teca em renques, assim como outras espécies arbóreas, como mogno (Swietenia macrophylla), cedro rosa (Cedrela odorata) e castanha-do-pará (Bertholletia excelsa).
Vale salientar que para cacaueiros jovens o fornecimento de sombra é essencial para o bom desempenho de produção. Além disso, os espaçamentos entre as árvores devem ser levados em consideração, podendo ser de no mínimo 6,0 x 3,0 m até 24 x 24 m, variação que é determinada pela espécie em uso.

Limitações da cacauicultura

A maior limitação da produção do cacau no Brasil são doenças fúngicas como a podridão-parda (Phytophthora spp.), o mal do facão (Ceratocystis cacaofunesta) e a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa), esta última a mais agressiva. A vassoura-de-bruxa é disseminada principalmente pelo ar, podendo atingir qualquer fase do ciclo da cultura.
Todas as doenças citadas possuem técnicas de controle cultural, existindo hoje em dia procedências melhoradas geneticamente com resistência a estes organismos. Também deve-se ter cuidado com pragas como a broca do fruto (Conotrachelus humeropictus) e a broca-do-tronco (Steirastoma breve). Em questão social, a falta de planejamento, recomendações técnicas e linhas de crédito também são grandes responsáveis por insucessos produtivos.

Por que investir no cacau?

O cacau se apresenta como uma espécie de múltiplos usos, podendo ser empregada de forma in natura ou derivar subprodutos, como alimentos (chocolates e mel), cosméticos (hidratantes e shampoos) e fitofármacos.
De acordo com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), a cadeia produtiva desta cultivar é responsável, atualmente, por um produto interno bruto de aproximadamente R$ 20 bilhões.
As indústrias que mais se destacam no setor são as de processamento de amêndoas e produção de chocolate. No Brasil, no ano de 2018, o volume exportado de amêndoas foi de 616 toneladas. Além disso, os dados da AIPC e do IBGE enfatizam a importância da produção de cacau no Brasil socioeconomicamente, estimando que só a indústria processadora emprega diretamente quase 29 mil pessoas.
O Estado do Pará destaca-se como uma das principais produtoras de cacau no País, onde, só no ano de 2019, a produção de amêndoas ficou em torno de 133 mil toneladas, gerando emprego para aproximadamente 240 mil pessoas de forma indireta e outras 60 mil de forma direta. Na Bahia, três milhões de pessoas são beneficiadas pela produção cacaueira.
Levando em consideração os números satisfatórios da produção de cacau e as condições edafoclimáticas favoráveis que diversas regiões do Brasil oferecem para o plantio desta cultivar, o cacaueiro torna-se uma boa opção para investimento, com retorno financeiro garantido.

Autoria:
Stephanie Hellen Barbosa Gomes – stephaniehellen2011@gmail.com
Fernanda Moura Fonseca Lucas – fernanda-fonseca@hotmail.com
Engenheiras florestais e mestrandas pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
João Gilberto Meza Ucella Filho – Engenheiro florestal, técnico em Agronegócio e mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia da Madeira, Universidade Federal de Lavras (UFLA) – 16joaoucella@gmail.com

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