30.2 C
Uberlândia
domingo, fevereiro 25, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosGrãosCafés de alta qualidade exigem planejamento

Cafés de alta qualidade exigem planejamento

Autor

Cássio Pereira Honda Filho
Engenheiro agrônomo, mestre em Agronomia/Fisiologia Vegetal e doutorando em Agronomia/Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
cassiop.hondafv@gmail.com

O cenário da cafeicultura atual mostra uma tendência cada vez maior para a produção de cafés diferenciados de alta qualidade, sendo uma alternativa para o produtor agregar valor ao seu produto e aumentar sua rentabilidade.

A produção de cafés de alta qualidade depende principalmente de um planejamento eficaz de cada etapa da cadeia produtiva do café. Dentre elas, a pós-colheita se destaca como uma das mais importantes, incluindo nessa etapa as fases de processamento, secagem, beneficiamento, e armazenamento do café.

Quando o assunto é o processo de secagem do café temos três métodos válidos, tanto para o café arábica como para o robusta: a via seca, via úmida e a semiúmida ou C.D (cereja descascado).

Com funciona

No Brasil o sistema mais utilizado é o por via seca. Nesse processo o café colhido é disposto em terreiros para secar, resultando em um café natural, com a casca. Normalmente, os terreiros são confeccionados com cimento ou asfalto para que os grãos não fiquem em contato com o solo, o que faria com que adquirissem o gosto de terra. Recomenda-se também que o local escolhido para a confecção do terreiro seja com boa incidência de luz.

Lembrando que antes da deposição dos grãos nos terreiros, o café deve ser passado pelo lavador, onde vai ocorrer a separação por densidade. O café boia, fruto que já perdeu sua umidade no pé, possui menor densidade e por isso flutua, facilitando separação. Já os cafés cereja e verde afundam. Esta é uma maneira de controlar a qualidade do café.

Feita a separação, os frutos serão depositados nos terreiros, sendo espalhados formando camadas finas e é feito o revolvimento várias vezes ao dia para a aceleração e uniformização da secagem.

No período da noite, os grãos são então agrupados em leiras e cobertos com lonas para proteção contra o orvalho, o que aumentaria a umidade dos grãos retardando a secagem. Essa sequência de processos, tanto de dia quanto de noite, deve ser refeita até que a umidade dos grãos seja reduzida para aproximadamente 40%. Ao atingir tal teor, os frutos são transferidos para os secadores, sendo monitorados até atingir valores de umidade entre 11,5 e 12%.

Via úmida

Já para o sistema de via úmida, diferentemente da via seca, o preparo do café passa por uma fase de fermentação com posterior lavagem, para eliminação da mucilagem, originando o café chamado de despolpado, desmucilado ou lavados.

Estes cafés apresentam melhor classificação quanto ao tipo de bebida. Este processo é muito utilizado para a produção de sementes, exigindo maiores cuidados no despolpamento, devido a existir muita desuniformidade quanto ao tamanho de frutos.

Sendo assim, após realizada a colheita (de preferência seletiva para frutos maduros), a produção é levada para o lavador. Após a lavagem os frutos cerejas são levados para o despolpador onde ocorrerá a retirada da casca e da polpa, indo em seguida diretamente para os tanques de fermentação para eliminação da mucilagem.

O processo de secagem deve ser cuidadoso, com o café distribuído em camadas de 2,0 a 3,0 cm de altura e com revolvimentos frequentes. Deve-se atentar aos cuidados com sujeiras e fermentações em terreiros de chão batido. Já para o terreiro de piso revestido, obtém-se um produto de qualidade superior, que oferece uma secagem mais eficiente e uniforme, de reduzir impurezas e fermentações.

Além da melhoria da qualidade do produto, o processo em via úmida viabiliza uma melhor secagem, pois diminui o volume de café, requerendo menor área de terreiro e com menos tempo de secagem. Entretanto, há um aumento em relação à via seca de investimento em infraestrutura, mão de obra especializada e custo operacional.

Sistema semiúmido

Quanto ao sistema semiúmido ou C.D (cereja descascado), existe uma tendência em adotar este preparo, principalmente em regiões com alto índice pluviométrico e altas umidades, o que prejudica a colheita e secagem dos grãos.

Neste sistema, os frutos são secados separadamente com um prévio descascamento, sem passar pelo tanque de fermentação o que o difere da via úmida, resultando em um café cereja descascado de qualidade bem superior, apresentando uma melhor classificação de bebida, maior índice de coloração e um teor de acidez mais baixo.

Este preparo inicia-se com a passagem de todo o café colhido pelo lavador, com o café boia separado indo diretamente para o terreiro, enquanto que o café verde e o cereja misturados vão para os descascador.

Já no descascador o café verde, por ser mais rígido e não possuir mucilagem ainda, é separado mecanicamente sob pressão e levado para o terreiro de secagem, enquanto que o café cereja é descascado mecanicamente. Em seguida, o café cereja descascado pode tanto ser levado ao terreiro ou pode passar antes por um degomador mecânico para a retirada do excesso de mucilagem.

Vantagens

Além das vantagens de redução do volume para secagem e menor tempo no terreiro ou secador, diminuição do tempo de beneficiamento e do tamanho da tulha de armazenagem, o cereja descascado possui características organolépticas sem o sabor verde, com aroma e doçura dos café brasileiros, pois na secagem seu pergaminho fica envolvido por parte ou toda mucilagem, que em contato com açúcares, lhe conferem o sabor doce do grão a exemplo do café natural.

Este café permite maior liga ou blends com os cafés natural ou despolpado, tendo qualidade consistente e custo mais baixo. Vale salientar que os preparos para obtenção do café natural e café despolpado estão suscetíveis à ação de uma diversidade de microrganismos, cuja produção e efeito de suas enzimas, provocam fermentações diversas, havendo, portanto, produção de compostos indesejáveis, prejudicando o sabor do café.

ARTIGOS RELACIONADOS

STIHL apresenta novos produtos na Agrishow 2017

A feira, considerada uma das mais importantes do segmento de tecnologias agrícolas, acontece de 1º a 5 de maio, em Ribeirão Preto (SP) A STIHL,...

Técnica resulta em mudas de seringueira totalmente livres de pragas e doenças

  Uma nova técnica reduz a zero o nível de contaminação de mudas de seringueira   Uma técnica de cultivo, desenvolvida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento...

Soja + café: Integração de alto valor

Uma técnica que promete revolucionar a cafeicultura é a consorciação de café com soja ...

Espaçamento adensado do algodão atrai produtores

Ruy SeijiYamaoka Pesquisador voluntário e tutor do IAPAR   O cultivo adensado de algodão, tecnologia conhecida internacionalmente por "Ultra Narrow Row Cotton, UNRC", ou seja, algodão em...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!