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Calhas: Viabilidade na produção de morango

Autores

Mário Calvino Palombini
Engenheiro agrônomo e proprietário da Vermelho Natural
vermelhonatural@hotmail.com
Glaucio da Cruz Genuncio
Doutor e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
glauciogenuncio@gmail.com
Talita de Santana Matos
Elisamara Caldeira do Nascimento
Doutoras em Agronomia – Ciência do Solo
Rafael Campagnol
Professor da UFMT
Fotos: Nasha

No acondicionamento do substrato em sistemas de produção de morango fora de solo na horizontal, existem, basicamente, os sistemas de almofadas ou slabs, sustentados ou não por calhas.

As calhas possuem duas finalidades: sustentar diretamente o substrato ou slab, e a coleta da solução nutritiva da drenagem para posterior utilização.

Conheça as calhas

No caso da sustentação dos slabs, as calhas são estruturas mais simples e econômicas, com a finalidade exclusiva de coleta da solução nutritiva, necessitando de capacidade estrutural que comporte o peso do substrato/planta e permita uma declividade na estrutura de sustentação de 1%. Ainda, precisa ser impermeável e possuir conexões adequadas entre as calhas para impedir vazamentos, e possuir o design adequado para cumprir suas funções de coleta.

No caso de serem calhas que irão sustentar o substrato, além destas características mencionadas para a coleta da solução nutritiva do drenado, necessita de estrutura adequada para que, no decorrer do tempo, não ocorram deformações.

Também devem ter suficiente largura na abertura superior para comportar as mudas adultas e permitir que o sistema de fertirrigação de mangueiras de gotejamento se mantenha centralizado entre as mudas, sem se deslocar, com o tempo, para a lateral das calhas.

É importante, também, a altura do substrato – quanto mais alta, maior a diferença de umidade entre a parte superior e inferior do substrato.

Controle absoluto

A importância do controle nas aplicações de água e nutrientes está em função dos estádios fisiológicos que o morangueiro apresenta. Assim, no período vegetativo o morangueiro necessitará de maiores quantidades de N, P e micronutrientes, enquanto no estádio reprodutivo de floração e fruti­ficação ocorre o aumento da necessidade ­fisiológica de certos nutrientes, tais como K, Ca e B.

Pode-se, além disso, utilizar um extrator de solução, que é uma ferramenta inserida no substrato e responsável por amostrar a solução. Nesta, o produtor avalia o pH e a EC. Isto é importante, pois gerará dados fundamentais para tomadas de decisões, tais como: lavagem do substrato, aumento da EC, controle efetivo do pH, uso de mulching para redução da evapotranspiração, dentre outros manejos.

Assim, o produtor deve buscar informações quanto ao manejo diferenciado da solução nutritiva em função dos estádios de desenvolvimento do morangueiro, ajustando-a de acordo com a necessidade da planta em produzir folhas e frutos.

Materiais e vantagens de cada um

As calhas hidropônicas podem ser classi­ficadas como de sistema aberto, na qual a solução nutritiva não recircula, e admite-se um volume drenado entre 20 a 30%. Na calha de circuito fechado, na qual a solução nutritiva é completamente reaproveitada, não há volume drenado.

Existem calhas de plástico e de isopor, podendo ou não trazer vantagens térmicas à temperatura do substrato, fator que pode influenciar o tempo de vida útil da estrutura.

As vantagens das calhas de sustentação do substrato em relação aos slabs e almofadas são, além da reutilização da solução nutritiva do drenado, a maior facilidade de colocação e descarte do substrato, por não precisar trabalhar com os plásticos dos slabs e almofadas.

Sua maior desvantagem é um custo maior de implantação e uma depreciação econômica maior em relação aos outros sistemas.

Portanto, é importante avaliar a qualidade das calhas disponíveis no mercado e sua viabilidade econômica, para só então definir a sua utilização.

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