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quarta-feira, julho 6, 2022
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Carvão vegetal: benefícios ao desenvolvimento de plantas

Créditos: UFES

Uma das formas simples, de baixo custo e altamente eficaz de condicionar solos é por meio do uso de biocarvão, um material sólido, poroso, rico em carbono, obtido pelo processo de carbonização ou pirólise.

Por meio da aplicação de calor e em ambiente controlado de oxigênio, diferentes tipos de biomassa são modificados, gerando biocarvão ou carvão vegetal. A principal diferença entre esses produtos está no destino final: enquanto o biocarvão é voltado à aplicação no solo, acarretando benefícios diretos às suas propriedades físicas, químicas e biológicas, o carvão vegetal é destinado à geração de energia, sendo utilizado inclusive na cocção de alimentos e no aquecimento de ambientes domésticos.

O biocarvão também pode ser obtido pelo reaproveitamento de finos de carvão vegetal, um dos principais resíduos da produção de carvão vegetal no mundo. Esses materiais não possuem destinação bem estabelecida e têm sido estudados como alternativa ao uso na produção de condicionantes do solo, uma vez que se trata de um material abundante, ecológico, de baixo custo e renovável.

Origem

O uso no solo desses materiais ricos em carbono é muitas vezes associado às “Terra Preta de Índio”, comumente encontradas na Floresta Amazônica. Estes terrenos de elevada fertilidade se destacam entre os solos da região, uma vez que naturalmente costumam apresentar baixa fertilidade.

A elevada quantidade de partículas finas de carvão originadas da queima natural ou realizada por populações indígenas tem resultado em ambientes altamente férteis e com boa produtividade, mesmo sem apresentar aplicação de adubos e fertilizantes.

Benefícios do uso de biocarvão

Os benefícios do uso do biocarvão no solo podem mudar à medida em que varia o processo de obtenção, tais como o tipo de carbonização realizada, a temperatura final , tempo de permanência no forno, quantidade de oxigênio disponível durante o processo e o tipo e dimensões das partículas da biomassa.

Biocarvão obtido pelo processo de carbonização ou pirólise.

Dessa forma, cada biocarvão tem um efeito diferente quando aplicado em determinados ambientes. Sua aplicação no solo resulta em diversos benefícios, como melhoria das condições biológicas locais, descontaminação em solos, melhor retenção de água e nutrientes, aumento de pH de solos acidíferos, CTC e matéria orgânica, além de melhorar as características físicas do solo, aumentar a disponibilidade de nitrogênio e de macro e micronutrientes. Estas características fazem do biocarvão uma excelente alternativa como condicionantes dos solos.

Aplicação do biocarvão

Atualmente, existem diversos trabalhos que investigam as dosagens corretas a serem utilizadas para aplicação do biocarvão. Doses entre 5,0 e 15 ton ha-1 são as mais comumente encontradas.

Contudo, ainda existe uma carência de normas técnicas especializadas que tratem da aplicação deste tipo de material. Uma vez comprovados os efeitos benéficos de sua adição ao solo, é importante que manuais técnicos sejam desenvolvidos.

Por se tratar de um material complexo, que varia facilmente as propriedades em função do material e da forma de obtenção, é difícil a recomendação de aplicação de doses, principalmente porque cada tipo de solo carece de condições diferentes de dosagens de condicionantes.

Uma solução para esse desafio seria a exigência de análises de caracterização do solo, que antecede a aplicação do biocarvão. Deste modo, as características da área de aplicação são imprescindíveis para sugerir uma recomendação específica de dosagem, de forma a permitir resultados mais precisos e melhorias nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Além da falta de manuais que ajudam o produtor a considerar o biocarvão como condicionante no solo, a densidade do material é um problema a ser contornado. Como o biocarvão possui grande quantidade de poros, este material torna-se extremamente leve, dificultando sua permanência no solo.

Assim, chuvas e ventos podem facilmente carreá-lo. Pesquisas que voltem as atenções para este problema estão sendo desenvolvidas, buscando a compactação do material.

Uma compactação resolveria, além do problema de carreamento, um problema logístico. Com a densificação, seria necessário um menor volume para que uma massa maior seja armazenada, transportada ou aplicada no solo. Alternativas estão sendo desenvolvidas, inclusive atuando como semeadora de espécies nativas em solos degradados, melhorando a qualidade do solo e recompondo a vegetação, inclusive em locais de difícil acesso.

BOX

Custo x benefício

O processo de obtenção do biocarvão é o mesmo que o de carvão vegetal. Este fato, associado ao de que cerca de 30% de todo o carvão vegetal produzido tornam-se resíduos em forma de finos, seja na carbonização, transporte, manipulação e/ou armazenamento, tornam os finos de carvão um subproduto de excelente custo-benefício para ser utilizado como biocarvão.

Sua eficiência como condicionante de solos, cientificamente comprovado, valoriza seu uso e o insere como opção à diminuição da aplicação de fertilizantes minerais, barateando sistemas de implantação.

A viabilidade econômica da sua utilização depende diretamente dos custos envolvidos para sua comercialização. Considerando que o biocarvão pode ser obtido como resíduo de outro processo produtivo (carvão vegetal), a sua aplicação é vista como de excelente custo/benefício.

No entanto, ainda são escassos os estudos que avaliem a viabilidade econômica da cadeia produtiva do biocarvão, sendo esse um dos principais desafios de investimento para o setor florestal e agrícola. 

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